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Nos últimos anos, Portugal se beneficiou por ser um dos principais destinos turísticos da Europa e por oferecer aos cidadãos estrangeiros um dos mais atraentes programas de “vistos de ouro” do mundo.
Estes dois aspectos foram fundamentais para ajudar na recuperação do país depois da crise econômica de 2008 e fizeram com que o país se transformasse em um modelo de crescimento.
Mas diversos analistas afirmam que o auge do turismo e o boom do chamado “visto de ouro” português foram importantes fatores para levar à grave crise imobiliária que o país enfrenta atualmente.
Os preços das moradias aumentaram drasticamente, chegando a níveis impagáveis para os próprios portugueses.
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

Cidadãos chineses foram os que mais fizeram uso do programa. Eles representaram quase a metade das pouco mais de 11,5 mil autorizações de residência que foram aprovadas.
Mas estes benefícios econômicos não ficaram livres de controvérsias. A União Europeia tratou de restringir esses programas, devido ao risco de serem empregados para lavagem de dinheiro, evasão fiscal, financiamento do terrorismo, corrupção e infiltração do crime organizado.
Para a Comissão de Liberdades Civis do Parlamento Europeu, estes sistemas são “questionáveis do ponto de vista ético, jurídico e econômico”.
Até em Portugal, muitas pessoas foram contrárias desde o princípio à criação do programa. Elas consideravam que os vistos oferecem mais desvantagens do que benefícios para o país – especialmente devido aos efeitos sobre o mercado imobiliário.
UNIÃO EUROPÉIA
Portugal não é o primeiro país a eliminar seu programa de vistos de ouro. Em fevereiro de 2022, o Reino Unido cancelou o seu programa, frente à iminente ameaça de invasão da Ucrânia pela Rússia.
O programa de vistos britânico havia sido criado em 2008 e foi encerrado como parte de um novo plano de imigração e de uma ofensiva “contra o financiamento ilícito e as fraudes”.
Já a Irlanda tomou medidas similares em 15 de fevereiro de 2023. O país havia suspendido o programa para cidadãos russos em março do ano passado.
O ministro da Justiça irlandês, Simon Harris, explicou que o programa de vistos foi estabelecido em 2012 para “estimular os investimentos” frente às “dificuldades econômicas sem precedentes”. Fonte: BBC Internacional
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