O ministro Gilmar Mendes acostumado com as decisões favoráveis ao seu grupo ficou descontente com a derrota de seu parecer jurídico. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou haver elementos que indicam que a...
O ministro Gilmar Mendes acostumado com as decisões favoráveis ao seu grupo ficou descontente com a derrota de seu parecer jurídico.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou haver elementos que indicam que a decisão que determinou o afastamento preventivo do diretor-geral Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, deveria ser analisada pelo plenário da corte, e não pela Segunda Turma. 

O ministro também apontou um possível conflito da decisão com precedente vinculante do STF sobre neutralidade do Estado e equilíbrio da disputa político-eleitoral. No entanto, era válidas quando as decisões partia da Primeira Turma do STF, com a maioria dos ministros indicado pelo presidente Lula.
A manifestação de Mendes ocorreu no despacho protocolado nesta terça-feira (8), em que ele pediu vistq do processo e interrompeu o julgamento na Segunda Turma.
Mesmo com pedido de vista, a liminar que afasta os diretores está em vigor e o colegiado já formou maioria para mantê-la, com os votos antecipados de Luiz Fux e Nunes Marques, que acompanharam a decisão de André Mendonça.
Ao citar o fato de o afastamento ter sido determinado a partir de uma solicitação formulada por partido político, o ministro argumenta que a decisão pode estar contrariando dispositivos do Código de Processo Penal e do Regimento Interno do STF relacionados ao sistema acusatório.
No despacho, Gilmar Mendes faz menção à ADPF 1.017, de 2022, que tratou do afastamento do então governador de Alagoas Paulo Dantas, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em outubro de 2022, entre o primeiro e o segundo turno das eleições, quando Dantas disputava a reeleição. O STF suspendeu o afastamento, argumentando, na época, que o Judiciário deveria evitar decisões que interferissem na disputa eleitoral.
Vale lembrar, que o ministro Alexandre de Moraes, suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da corporação, escolhido pelo então presidente Jair Bolsonaro em 2020.
Outro ponto suscitado no despacho de Gilmar Mendes é sobre a competência da Segunda Turma para julgar o afastamento dos diretores da PF. O ministro destacou que a própria decisão de Mendonça registra elementos segundo os quais o relatório de inteligência que motivou os afastamentos de Andrei Rodrigues e de Leandro Almada teria sido produzido pelo diretor-geral da PF por provocação de um integrante da Primeira Turma do Supremo, em referência ao ministro Alexandre de Moraes.
Na avaliação de Gilmar, partindo dessa premissa, a análise dos atos atribuídos a um integrante da Corte caberia ao Plenário, e não à Segunda Turma. Fato é que tem alguns ministgros que não aceitam a regra do jogo e a todo momento tentam criar um entendimento “mandrake”.
Gilmar Mendes também criticou a falta de tempo para analisar a liminar.
“O feito foi incluído em pauta no próprio dia do julgamento, menos de uma hora antes do início da sessão virtual designada para essa finalidade. Essa circunstância impediu o exame da integralidade dos autos e da decisão submetida a referendo, o que é grave em se tratando de uma medida cautelar que afasta das suas funções o dirigente máximo da Polícia Federal”, apontou.
Fonte: Agêndia Brasil – foto Marcelo Camargo
Veja Também
STF não pode ser “escudo protetor de desvios individuais”, diz Celso de Mello
Ex-ministro defende julgamento público de casos que abalam a confiança na Corte e critica falta de transparência O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello enviou à imprensa nesta terça-feira, 8, uma nota em que...
STF forma maioria para afastar diretor-geral da Polícia Federal
Gilmar Mendes, pede vista para atrasar o julgamento, porém os ministros Luiz Fux e Nunes Marques anecipam os votos e garantem a decisão de André Mendonça. A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou...