Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 5 de julho de 2023

Samira de Castro também defendeu a federalização de crimes contra a categoria durante reunião do Conselho de Comunicação Social do Congresso

A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, disse aos membros do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional que é preciso aprovar um protocolo de segurança para a categoria e federalizar os crimes que ocorrerem.

Na audiência sobre a violência contra jornalistas, Samira de Castro disse que foram identificados 376 ataques em 2022. Se contar que muitos jornalistas são hostilizados e agredidos, e por ser tolerante, acabam não denunciando as ameaças e agressões que sofrem quando estão a trabalho. As redes sociais é o ambiente onde mais acontecem os ataques e ofensas aos profissionais de imprensa.

Ela explicou que o maior tipo de ataque contra os jornalistas durante o período foi o descrédito aos profissionais por autoridades. “Para alguns pode parecer que a descredibilização se confunda com crítica ao jornalismo. Mas não é, é mais grave. Porque nega todos os fundamentos da atividade jornalística.”

Ameaças, censuras e agressões físicas, além do descrédito ao trabalho. Muitas agressões ocorridas na cobertura de manifestações de rua. O assassinato do jornalista britânico Dom Phillips, em junho do ano passado, também está incluído no levantamento. Ele trabalhava em uma reportagem sobre a situação dos indígenas no Vale do Javari, no Amazonas.

Em Curitiba, o jornalista Carlos Bahia, relata diversas situações de ofensa e agressões física no exercício da profissão. Ele relata que em certa ocasião foi agredido com cotovelada pelo então ministro da comunicação, Paulo Bernado, durante a posse do prefeito Gustavo Fruet do (PDT). Em outra ocasião foi ofendido e ameaçado pelas redes sociais por manifestantes durante a greve dos professores. Durante a reportagem sobre as manifestações na frente do 20º Batalhão de Infantaria em Curitiba, foi ameaçado e agredido por bolsonarista, que impediam o trabalho da imprensa no local. 

As próprias plataformas no uso indiscriminado do sistema logaritmo, censurar jornalistas e sites ou blogs de notícias, sem qualquer direito a defesa, simplesmente por uma ou outras palavras mau entendidas ou interpretadas.

Para Samira, é preciso melhorar a organização da profissão, aprovando a proposta que retoma a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo (PEC 206/12), em discussão na Câmara. Segundo ela, há uma emissão indiscriminada de registros, inclusive para menores de idade. Ela citou ainda a necessidade de criar um conselho profissional para analisar questões éticas.

Constrangimento
A diretora do Instituto TornaVoz, Taís Gasparian, ressaltou a “violência processual” contra jornalistas, que seria o uso de processos judiciais como forma de constranger a atividade.

“O objetivo daqueles que entram com esses processos não é ganhar o processo e ser indenizado pela sua honra, ter algum tipo de reparação. Mas desviar a atenção e a energia do profissional como uma estratégia para abafar as críticas que são legítimas.”

Taís Gasparian defendeu ainda que os processos relacionados à defesa da honra deixem a esfera criminal para serem analisado pela justiça civil.

A conselheira Bia Barbosa lembrou que a entidade Repórteres Sem Fronteiras monitorou, durante as eleições gerais do ano passado, as redes sociais de 120 jornalistas e verificou um comentário ofensivo ou ameaçador a cada três segundos.

Reportagem – Silvia Mugnatto
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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