Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 4 de outubro de 2026

Ex-juiz e senador Sérgio Moro supera a marca de 50% dos votos válidos, derrota Sandro Alex e Requião Filho e chega ao Palácio Iguaçu sem segundo turno

O Paraná escolheu Sergio Moro. O senador do PL foi eleito governador do Estado neste domingo (4), no primeiro turno, encerrando uma das disputas mais acompanhadas das eleições de 2026. Com 99,17% das urnas apuradas, Moro alcançava 50,18% dos votos válidos, percentual suficiente para evitar uma segunda rodada de votação. O resultado foi confirmado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná.

Moro recebeu mais de 3,1 milhões de votos, praticamente o dobro da votação obtida pelo segundo colocado. Sandro Alex (PSD) terminou a disputa com 25,29%, enquanto Requião Filho (PDT) alcançou 23,46%. A eleição, portanto, não foi marcada por uma disputa apertada pela liderança, mas pela capacidade de Moro de permanecer acima da linha de 50% necessária para liquidar o pleito no primeiro turno.

UMA VITÓRIA NO LIMITE DA MATEMÁTICA ELEITORAL

Durante boa parte da apuração, a pergunta não era quem estava na frente, mas se Moro conseguiria sustentar os 50% dos votos válidos até o final da totalização.

E conseguiu.

À medida que novas urnas eram incorporadas ao sistema, seu percentual oscilou, chegando a ficar muito próximo da marca decisiva. Com a apuração avançando, entretanto, Moro permaneceu acima dos 50% e confirmou uma vitória que elimina a necessidade de segundo turno.

A diferença para Sandro Alex também foi expressiva: mais de 1,5 milhão de votos separaram os dois primeiros colocados na reta final da apuração.

O FIM DE UM CICLO E O INÍCIO DE OUTRO

A vitória de Sergio Moro representa também uma mudança no comando político do Paraná.

Ratinho Junior encerra, em 2026, oito anos à frente do Governo do Estado. Como não poderia disputar um terceiro mandato consecutivo, a eleição abriu espaço para uma disputa pela sucessão que colocou frente a frente diferentes projetos políticos.

Sandro Alex representava a continuidade do grupo político que governou o Paraná desde 2019. Requião Filho buscava recolocar no centro do poder estadual uma tradição política ligada ao grupo dos Requião.

Moro escolheu outro caminho.

A candidatura do ex-juiz foi construída sobre sua trajetória nacional, sua passagem pelo Ministério da Justiça, seu mandato no Senado e, principalmente, a imagem política construída a partir da Operação Lava Jato.

DO TRIBUNAL AO PALÁCIO IGUAÇU

A chegada de Moro ao Governo do Paraná é um dos capítulos mais significativos de sua trajetória política.

Ex-juiz federal em Curitiba, ganhou projeção nacional a partir da condução de processos da Operação Lava Jato. Em 2019, deixou a magistratura para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo Jair Bolsonaro.

Depois do rompimento com Bolsonaro e de um período de intensa disputa política, Moro voltou às urnas em 2022 e foi eleito senador pelo Paraná. Em 2026, deixou o Senado para disputar o Governo do Estado pelo PL.

Agora, quatro anos depois de chegar ao Congresso Nacional pelas urnas paranaenses, Moro volta a ser escolhido pelo eleitorado — desta vez para comandar o Estado.

O DESAFIO COMEÇA AGORA

A vitória eleitoral é contundente, mas o resultado das urnas também coloca sobre Moro uma responsabilidade proporcional ao tamanho da expectativa criada durante a campanha.

Governar o Paraná será muito diferente de atuar no Judiciário, no Ministério da Justiça ou no Senado.

O novo governador terá pela frente questões como segurança pública, saúde, educação, infraestrutura, desenvolvimento econômico, equilíbrio fiscal e gestão dos serviços públicos.

E haverá ainda um desafio político: transformar a força eleitoral demonstrada neste domingo em capacidade de articulação institucional.

A eleição deu a Moro o comando do Palácio Iguaçu. A partir de janeiro, começa a cobrança.

O RECADO DAS URNAS

O resultado deste domingo deixa uma mensagem política difícil de ignorar.

O eleitor paranaense não apenas escolheu um novo governador. Escolheu interromper um ciclo e iniciar outro.

Sergio Moro chega ao Palácio Iguaçu carregando uma trajetória marcada por grandes disputas nacionais, forte identificação política e também por controvérsias que o acompanharam desde sua passagem pela magistratura.

A partir de agora, porém, a responsabilidade muda de natureza.

Não é mais o juiz. Não é mais o senador. Não é mais o candidato. É o governador do Paraná.

E será no exercício do cargo que Sergio Moro terá de provar se a força demonstrada nas urnas será capaz de se transformar em gestão, resultados e respostas concretas aos paranaenses.

O eleitor deu o mandato. Agora, começa o julgamento da história.

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