Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 26 de fevereiro de 2024

A verdade e que uma grande multidão tomou conta da Avenida Paulista neste domingo (25) que deu o tom de verde-amarelo a perder de vista. Há estimativa que pelo menos 750 mil pessoas estiveram na
manifestação. Contudo, tem os exagerados que dizem que chegou a 2 milhões de pessoas na avenida, e outros da esquerda dizem que foi 185.522 pessoas, fora os bebês de colo, (como chegaram em tamanha precisão, ninguém sabe).

Independentemente do número exato, a história registra hoje que aqueles movimentos de rua foram essenciais para a queda da petista. O que está em jogo atualmente, após o ato de domingo, é a sobrevivência política de Jair Bolsonaro e, mais do que isso, do bolsonarismo.

Alguns magistrados estão buscando de todas as formas achar ocasião para justificar a prisão do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Percebe que há um forte sentimento de vingança e ódio por parte da esquerda que busca meios de incriminar o ex-presidente, e cada dia os tribunais recebe enxurrada de ações de políticos da esquerda contra Bolsonaro.

A principal narrativa construída pela esquerda é as manifestações do dia 08 de Janeiro, que foi entendida por alguns ministros da Suprema Corte, como um atentado contra os resultados das eleições, e, por esses, denominados como “atentado contra a democracia”. Fato que levou milhares de manifestantes presos e condenado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Tamanhos

A última grande mobilização em torno de Lula reuniu 58,2 mil pessoas na avenida Paulista em outubro de 2022, para celebrar sua vitória na eleição, de acordo com o Monitor do Debate Político no Meio Digital da USP. As motivações para os movimentos são diferentes, mas é o parâmetro de comparação mais próximo possível no momento.

“Estado de direito”

Esse é um fato independente do que querem ou fazem os dois, do que podem oferecer à República ou como podem prejudicar o país. E as implicações práticas desse cenário de forças dependem de uma série de fatores — o papel do Judiciário é o mais relevante no momento.

O que se constata depois deste domingo, seja qual for o número exato de pessoas nas ruas, é que Bolsonaro segue como a maior força política de oposição, e talvez tenha se fortalecido nesse aspecto nos últimos meses, como a alegada vítima de um sistema viciado.

O discurso dos manifestantes deixou de ser contra o sistema eleitoral, pondo em dúvida as urnas eletrônicas, hoje o brado respeito ao “Estado democrático de direito”. É possível, legítimo e até óbvio duvidar de seus motivos, mas o fato é que a conduta da cúpula do Justiça nacional semeou o terreno onde Bolsonaro pretende colher agora.

Justiça

O desmonte da Lava Jato — e a absolvição artificial de Lula e dos seus —, do qual participou e também se beneficiou Bolsonaro, contrasta hoje com uma caçada implacável, e por sua vezes atrapalhada, contra um grupo político que deu todos os motivos para se tornar alvo de investigação.

A tentativa era jogar o bolsonarismo na lona depois dos atos de 8 de janeiro de 2023. Os apoiadores do ex-presidente passaram um ano inteiro sem condições de sair às ruas, sob o risco de prisão. A reação do STF ao vandalismo foi tão contundente que mudou o cenário político e lhes deu o discurso de vítima.

Irônica e tragicamente, quanto mais a Justiça pressiona Bolsonaro, mais fortalece seu movimento. O ato de domingo foi a manifestação física disso, com 200 mil, 700 mil ou dois milhões de pessoas. Fonte: O Antagonista.

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