Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 28 de junho de 2023

A solução não depende apenas do governo federal, mas também dos  governos estaduais que deveriam reduzir  proporcionalmente a alíquota do ICMS, e as montadoras e concessionárias a margem de lucro.

Com o fim dos recursos destinados para o incentivo a compra de carros de entrada no país, o governo federal decidiu estender o programa e vai liberar mais R$ 300 milhões para encher os bolsos das montadoras.

A confirmou com fontes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) que uma medida provisória estendendo o programa deve ser publicada até a noite desta quarta-feira (28).

O texto trará o novo valor definido para incentivar a venda de automóveis leves e deverá abranger também pessoas jurídicas, como locadoras de veículos. Até o momento, foram usados R$ 420 milhões em créditos tributários, mas o MDIC freou a liberação nos últimos dias. Contudo, as motadoras com o pátio abarrotados, ameaçam paralização parcial, por conta da baixa nas vendas.

Mesmo com o anúncio do pacote de incentivo fiscal à indústria automobilística, as montadoras e concessionárias não abrem mão de reduzir parte dos lucros. Os preço dos carros são praticamente os mesmos que eram antes do incentivo. Por exemplo: um dos modelos mais baratos do país, o Renault Kwid está sendo vendido por R$ 58.990, ou seja 11 mil dólares, valor absurso se considerar o poder aquisitivo da classe média brasileira que ganha em média cinco salários minimos.

A classe de alto poder aquisitivo foram as que mais compraram carros na faixa de R$120 mil, com incentivo do governo, e os carros com preço mais baixo, conhecidos como “populares”, não empolgaram os consumidores.

Os carros populares no Brasil são de plásticos e mal-acabados com o mínimo de acessórios, deveriam custar no máximo o equivalente a 7 mil dólares, no entanto, custam mais de R$ 58.900 ou seja, mais de mil 11 mil dólares.

Embora o governo federal tenha se empenhado com insentivo financeiro para as montadoras repassar aos consumidores, o valor continuam fora do poder aquisitivo da classe média brasileira.

A montadoras e concessionária culpam os governos estaduais pela elevada alíquota do ICMS, o que também poderia ser reduzido, no entanto, o principal fator dos preços absurdos, consiste na margem de lucros muito acima da praticada nos EUA ou Europa.

Dificilmente o Brasil vai retomar o crescimento econômico e viabilizar a produção da indústria automobilística, se não houver boa vontade todos envolvidos.

A solução não depende apenas do governo federal, mas também dos  governos estaduais que devem reduzir  proporcionalmente a alíquota do ICMS, e as montadoras e concessionárias baixarem suas margem de luco em pelo menos 40% para os carros populares.

Todos perderão um pouco no primeiro momento, no entanto, a arrecadação e os lucros serão recuperados com a retomada da produção e aumento das vendas. O retorno também se dá com a empregabilidade, geração de salários, que move o comércio em toda a sua extensão.

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