Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 18 de agosto de 2026

Câmara Municipal de Curitiba vive uma verdadeira debandada eleitoral: mais de 60% dos vereadores colocaram seus nomes na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa ou na Câmara Federal

A eleição de 2026 provocou uma verdadeira corrida eleitoral dentro da Câmara Municipal de Curitiba. Dos 38 vereadores que atualmente integram o Legislativo da capital paranaense, 24 registraram candidatura para disputar uma vaga de deputado estadual ou deputado federal.

O número chama a atenção: mais de 60% dos parlamentares da Câmara querem deixar o Legislativo municipal para tentar uma cadeira em Brasília ou na Assembleia Legislativa do Paraná.

São 13 candidatos a deputado estadual e 11 a deputado federal, em uma demonstração clara de que os partidos enxergam na estrutura política dos vereadores uma oportunidade para ampliar suas bancadas nas eleições de outubro.

A votação em primeiro turno está marcada para 4 de outubro de 2026.

Câmara vira ponto de partida para a eleição estadual

A movimentação mostra que a Câmara Municipal de Curitiba será um dos principais campos de disputa eleitoral deste ano.

Com mandato, estrutura política, presença nos bairros e contato direto com lideranças comunitárias, os vereadores possuem uma vantagem competitiva em relação a muitos candidatos que começam a corrida eleitoral praticamente do zero.

A estratégia das legendas é justamente transformar esse capital político municipal em votos para aumentar a representação partidária na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

E a disputa também revela uma divisão rigorosamente equilibrada entre homens e mulheres: dos 24 vereadores-candidatos, 12 são mulheres e 12 são homens.

Onze partidos entram na disputa

Os 24 vereadores estão distribuídos por 11 partidos.

Novo, PT e PL aparecem com quatro vereadores-candidatos cada. PDT, Republicanos, Podemos e PSD apresentam dois candidatos cada. Já União Brasil, PSOL, PSB e MDB têm um vereador concorrendo por cada legenda.

A composição mostra que praticamente todo o espectro partidário representado na Câmara de Curitiba está envolvido na disputa.

Quem disputa uma vaga de deputado estadual

Na corrida pela Assembleia Legislativa do Paraná estão:

  • Amália Tortato (Novo)
  • Andressa Bianchessi (União Brasil)
  • Angelo Vanhoni (PT)
  • Delegada Tathiana Guzella (PL)
  • Eder Borges (Novo)
  • Giorgia Prates (PT)
  • Jasson Goulart (Republicanos)
  • João Bettega (PL)
  • Marcos Vieira (PDT)
  • Matteus Henrique (PT)
  • Professora Angela (PSOL)
  • Tico Kuzma (PSD)
  • Vanda de Assis (PT)

São 13 nomes que tentarão transformar a votação obtida na capital em uma passagem para o Legislativo estadual.

E a corrida para Brasília?

Outros 11 vereadores escolheram uma disputa ainda mais ampla: a Câmara dos Deputados.

São eles:

  • Camilla Gonda (PSB)
  • Carlise Kwiatkowski (PL)
  • Guilherme Kilter (Novo)
  • Indiara Barbosa (Novo)
  • Laís Leão (PDT)
  • Meri Martins (Republicanos)
  • Olimpio Araujo Junior (PL)
  • Professor Euler (MDB)
  • Renan Ceschin (Podemos)
  • Sargento Tânia Guerreiro (Podemos)
  • Serginho do Posto (PSD)

A disputa federal, naturalmente, exige uma votação mais robusta e uma estrutura eleitoral capaz de alcançar não apenas Curitiba, mas também eleitores de outras regiões do Paraná.

Quem fica?

A grande pergunta que começa a circular nos bastidores da política curitibana é outra: quem vai ocupar o espaço deixado pelos vereadores que conseguirem se eleger?

Uma eventual saída de 24 dos 38 parlamentares representaria uma mudança significativa na composição política da Câmara Municipal.

E mesmo aqueles que não conseguirem a eleição estarão diante de um novo cenário político depois de outubro. Alguns poderão retornar à Câmara; outros poderão ganhar projeção estadual; e alguns podem se transformar em nomes importantes para futuras disputas majoritárias.

Ou seja: a eleição de 2026 não vai apenas escolher deputados. Ela também poderá redesenhar o mapa político de Curitiba.

Uma eleição que começa dentro da Câmara

A quantidade de vereadores que decidiu disputar as eleições gerais revela o tamanho da importância estratégica de Curitiba para os partidos.

A capital concentra uma parcela expressiva do eleitorado paranaense e, para muitas legendas, conquistar votos na cidade é fundamental para alcançar o quociente eleitoral e garantir cadeiras na Assembleia e na Câmara Federal.

Por isso, os 24 vereadores não entram na disputa apenas individualmente. Cada candidatura também representa uma aposta do partido em ampliar sua bancada.

A corrida eleitoral, portanto, já começou — e uma das primeiras batalhas está acontecendo dentro da própria Câmara Municipal de Curitiba.

Atenção ao registro das candidaturas

O Tribunal Superior Eleitoral ressalta que o pedido de registro de candidatura não significa que a candidatura já esteja definitivamente deferida. Os registros ainda passam pela análise da Justiça Eleitoral, que verifica se os candidatos atendem aos requisitos legais para disputar o pleito.

Até lá, a fotografia da eleição ainda pode sofrer alterações.

Mas uma coisa já está clara: dos 38 vereadores de Curitiba, 24 decidiram arriscar o mandato municipal em busca de um espaço maior na política paranaense e nacional.

A Câmara de Curitiba vai às urnas — e, depois de 4 de outubro, poderá voltar muito diferente.

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