Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 8 de fevereiro de 2023

Ao completar um mê de governo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai se encontra com seu colega Joe Biden na Casa Branca, sede da presidência dos Estados Unidos.

A visita à Washington tem grande simbolismo: Lula e seu colega Joe Biden, tiveram as eleições contestadas ao vencerem seus oponentes, que eram os francos favoritos como Donald Trump e Jair Bolsonaro.

Tanto Biden como Lula, presidentes da esquerda, assumiram seus cargos envoltos por denúncias de fraude eleitoral. Nos EUA o povo foi as ruas e protestaram em frente ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021, No Brasil não foi diferente, o povo foi as ruas logo depois da divulgação dos resultados das polêmicas urnas eletrônicas, sem votos impressos, o que cuminou com a invasão e depredações do Congresso e STF no dia 08 de janeiro de 2023. Parlamentares pretendem abrir uma CPI para investigar o acontecimento do dia 08 de janeiro e apurar os fatos e abusos de autoridades.

No releasing distribuido pelo governo, o Itamaraty reconheceu que até o momento não havia previsão para anúncio de acordos ou cooperações entre os dois países. E afirmou que o encontro representava um “reset” em uma relação que está em “banho-maria”.

A imprensa dos EUA está com um pé atrás, com a forma com que as eleições aconteceram no Brasil, e as decisões antidemocráticas da Suprema Corte brasieira ao impedir questionamento ou contestações sobre o peito.

Nos EUA está previsto fortes protestos contra Lula, que foi condenado por corrupção e improbidade adiminstrativa em todas as cortes da justiça, inclusive no exterior.

Biden vai tentar amenizar a imagem negativa, que o presidente Lula tem no exterior: “Essa oportunidade de interação, engajamento entre o presidente Lula e o presidente Biden na Casa Branca é um aspecto central da visita”, afirmou o embaixador Michel Arslanian Neto, secretário de América Latina e Caribe do Itamaraty.

Discordâncias: Rússia, Venezuela, China, Cuba e brasileiros deportados

Embora o Itamaraty procure diminuir o peso dos assuntos – dizendo que os mandatários se concentrarão nos pontos em que concordam e mencionando as qualidades de Lula na diplomacia presidencial – Há prioridades muitas divergências e discordâncias em muitas questões preocupam os americanos

“O pior cenário é se Biden quiser discutir com Lula sobre Ucrânia e Venezuela”, apontou um experiente embaixador.

Enquanto Biden vê a Guerra na Ucrânia como uma batalha entre as democracias ocidentais e o imperialismo russo e está disposto a doar até tanques ao país de Volodymyr Zelenski, Lula acaba de se recusar a enviar munições compradas pelo Brasil para a Ucrânia.

Lula tenta usar de esperteza com o velho bordão de que “quando um não quer, dois não brigam”. E justifica que iguala a posição da Ucrânia, porque na opinião de Lula, que desconhece a história geopolítica, e defende a invasão russa.

“Não acredito que o presidente Biden venha me convidar para participar do esforço de guerra pela Ucrânia, porque o Brasil não participará. (…) O chanceler alemão queria que nós vendêssemos para a Alemanha a munição que o Brasil tem. Depois ele me disse que essas munições seriam entregues à Ucrânia. Eu disse para ele que o Brasil não iria vender as munições porque se um russo for morto por uma munição que saiu do Brasil, o Brasil estará participando da guerra, e eu não quero que o Brasil participe da guerra porque nós precisamos de alguém querendo construir a paz neste mundo”, disse Lula

EUA tira proveito do conflito vendendo armas para a Ucrânia, e negam que façam parte da guerra. Rússia os acusa de serem parte do conflito.

No ano que vem, o Brasil presidirá o G20 e Lula tem dito que espera usar a posição para tentar costurar uma negociação de paz entre Ucrânia e Rússia. A iniciativa é vista com ceticismo pelos americanos. O presidente Bolsonaro, conseguiu manter boas relações de negócios com os dois países e ficar neutro neste conflito.

O Brasil é grande comprador de fertilizantes russos e aliado de Moscou nos BRICS, bloco composto também por Índia, África do Sul e China, o que incomoda os EUA, que preferiam ver o Brasil mais alinhado aos interesses americanos e europeus na arena internacional.

A China é hoje a principal antagonista dos EUA – e foi alvo essa semana de acusações de que teria enviado um balão de espeionagem no território americano, ela também é o principal parceiro comercial do Brasil. Lula tem se aproxiado da China para buscar apoio ao projeto de implantação do bloco socialista na America Latina. Xi Jinping deve receber a visita de Lula em Pequim já em março.

Os diplomatas brasileiros temem que o tema dos balões chineses – um dos quais teria sido visto sobrevoando a América Central e do Sul – seja tratado entre Biden e Lula.

Nos últimos anos, Washington pressionou Brasília a barrar a participação chinesa no leilão do 5G e em outras iniciativas de infraestrutura. O governo Lula tem tentado deixar claro que não se alienar nem por um lado nem por outro. Perguntado sobre o assunto dos balões chinesas por jornalistas nesta terça, o embaixador Arslanian Neto não deixou espaço para dúvidas: “esse tema não integra a pauta das relações com os Estados Unidos”.

Lula, vai contestar sobre Venezuela e Cuba com Biden. Crítico às sanções americanas aos regimes cubanos e venezuelanos. Sob Bolsonaro, o Brasil chegou a aprovar na Organização das Nações Unidas as medidas contra Cuba.

“Imagino que a Venezuela também estará na pauta, porque nós vamos discutir o fortalecimento da América do Sul, e o Brasil tem muitas responsabilidades aqui na América do Sul. Nós temos 16 mil quilômetros e meio de fronteiras secas com os países da América do Sul. O Brasil tem o interesse de que a América do Sul esteja em paz. A América do Sul precisa se desenvolver e crescer economicamente”, disse Lula.

O presidente brasileiro normalizou as relações com o país vizinho e voltou a reconhecer o governo de Nicolás Maduro como legítimo. Durante o governo Bolsonaro, o Brasil reconhecia Juan Guaidó, líder da oposição venezuelana, como presidente, seguindo o entendimento do governo americano.

Lula porém tem defendido interferência internacional mínima nos processos políticos domésticos. Fonte: BBC Internacional

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