Especialistas defendem que tema deve ser tratado sem tabus. Compulsividade: quando uma pessoa aposta, o cérebro pode liberar dopamina, diante da expectativa de ganhar. Diante do sofrimento psíquico provocado em pacientes que relatam dependência em...
Ministro André Mendonça apura se inteligência da Polícia Federal produziu informações sobre outros integrantes do Supremo; caso amplia crise entre o STF e a cúpula da PF
A crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal e o ministro André Mendonça ganhou um novo capítulo e pode ser ainda mais ampla do que inicialmente se imaginava.
O gabinete de Mendonça recebeu informações de que a área de inteligência da Polícia Federal teria produzido relatórios sobre outros ministros da Corte. Entre os nomes citados estão, além do próprio Mendonça, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.
A informação, se confirmada oficialmente, amplia significativamente a controvérsia em torno do uso da inteligência policial e levanta uma questão central: até onde pode ir a atividade de inteligência de uma polícia judiciária quando o alvo são integrantes da própria Suprema Corte?
A “arapongagem institucional”
André Mendonça afirmou que ele próprio e o advogado-geral da União, Jorge Messias, teriam sido submetidos a monitoramento sistemático e coleta dirigida pela inteligência da PF durante mais de 30 dias. O ministro classificou a prática como “arapongagem institucional”.
A acusação ganhou peso político e institucional depois que Mendonça determinou o afastamento cautelar do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada.
A decisão, entretanto, desencadeou uma reação dentro da própria Polícia Federal e uma disputa judicial sobre os limites da atuação de um ministro do STF diante da estrutura administrativa da corporação. Posteriormente, o ministro Flávio Dino determinou a reintegração de Rodrigues e Almada, enquanto Edson Fachin suspendeu decisões anteriores e assumiu a condução de parte da crise.
Relatórios foram usados contra Mendonça
O ponto mais delicado da história está no conteúdo e na finalidade dos relatórios.
Documentos produzidos pela inteligência da PF foram encaminhados ao ministro Alexandre de Moraes e utilizados para levantar suspeitas sobre a atuação de Mendonça em investigações relacionadas ao Banco Master e ao caso do INSS.
Um dos relatórios sugeriu, por exemplo, que Mendonça teria adotado postura favorável a Dias Toffoli e Nunes Marques. O próprio documento, porém, tratava essas conclusões como hipóteses e apresentava níveis de confiabilidade classificados como “baixos a moderados”.
Mais importante: reportagens sobre o material apontaram que os documentos não tinham valor probatório e apresentavam conjecturas que foram criticadas inclusive por integrantes do Judiciário próximos a Moraes.
É justamente nesse ponto que surge a principal dúvida jornalística: um relatório de inteligência, produzido sem valor probatório, pode servir de fundamento para uma acusação contra um ministro do Supremo?
Toffoli também teria sido monitorado
A apuração sobre os relatórios ganhou outra dimensão com a informação de que Dias Toffoli também teria sido objeto de levantamento interno da inteligência da PF.
Segundo as informações que chegaram ao gabinete de Mendonça, agentes teriam avaliado a atuação de Toffoli nas primeiras fases da operação Compliance Zero e levantado suspeitas de interferência na atuação da Polícia Federal.
Se confirmada, a existência de relatórios sobre diferentes ministros muda o eixo da discussão. O caso deixa de ser apenas uma disputa pessoal entre Mendonça e Moraes e passa a envolver uma questão institucional muito mais ampla: qual é o limite da atividade de inteligência da Polícia Federal em relação aos próprios integrantes do STF?
Moraes no centro da crise
A situação se agravou depois que Mendonça levantou o sigilo de informações relacionadas à relação entre Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, no contexto do caso Banco Master.
Na sequência, Moraes utilizou relatórios de inteligência da PF para questionar a conduta de Mendonça e encaminhou as informações ao presidente do STF, Edson Fachin.
O confronto produziu uma situação inédita e politicamente delicada: um ministro do Supremo passou a questionar formalmente a atuação de outro ministro, enquanto a Polícia Federal acabou envolvida diretamente na disputa.
Fachin, diante da escalada, retirou de Moraes a relatoria do inquérito das fake news e determinou que decisões envolvendo ministros do Supremo fossem centralizadas na Presidência da Corte.
O que ainda precisa ser esclarecido
Até o momento, não há base pública suficiente para afirmar categoricamente que a PF tenha criado uma operação deliberada para “comprometer” André Mendonça.
Há, contudo, questões objetivas que precisam ser respondidas:
- Quem determinou a produção dos relatórios?
- Qual foi a finalidade concreta da coleta de informações?
- Quais ministros foram efetivamente monitorados?
- Quais fontes foram utilizadas?
- Houve autorização superior para a coleta dirigida?
- Por que informações de inteligência foram encaminhadas a um ministro do STF para subsidiar acusações contra outro ministro?
- Quem decidiu que esses documentos deveriam ser utilizados no conflito envolvendo Mendonça?
- E, sobretudo, qual é a fronteira entre inteligência policial e investigação dirigida contra uma autoridade?
São perguntas que não podem ser respondidas por versões de um lado ou de outro.
Uma crise que ultrapassou a disputa entre ministros
O episódio revela algo maior do que uma simples divergência entre André Mendonça e Alexandre de Moraes.
A questão central agora é institucional.
A Polícia Federal possui atribuições legais para produzir inteligência e investigar crimes. O STF possui a responsabilidade constitucional de exercer o controle jurisdicional. Mas nenhuma instituição deveria utilizar instrumentos de Estado para transformar uma disputa institucional em uma guerra de informações.
Se os relatórios forem resultado de uma atividade regular, é preciso explicar claramente seus fundamentos e sua finalidade.
Se, ao contrário, houve monitoramento dirigido de ministros com o objetivo de construir elementos contra eles, a gravidade será muito maior.
Por isso, antes de qualquer condenação política, é indispensável esclarecer os fatos.
A verdade, neste caso, não deveria pertencer nem a Mendonça, nem a Moraes, nem à Polícia Federal. Deveria pertencer às instituições e à sociedade brasileira.
Veja Também
QUEM FOI MELHOR NO DEBATE PARA O SENADO?
Direita dividida, esquerda em bloco e uma eleição para o Senado que promete pegar fogo no Paraná O primeiro grande debate entre os candidatos ao Senado pelo Paraná deixou uma certeza: a disputa pelas duas...
Trump oferece cheques de US$ 5.000 a cada americano se o Partido Republicano conseguir se superar nas eleições
A proposta poderia custar aproximadamente US$ 1,2 trilhão e exigiria aprovação do Congresso e para isso precisa da maioria O presidente Donald Trump prometeu distribuir aos americanos um “dividendo” de US$ 5.000, o que poderia...