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Direita dividida, esquerda em bloco e uma eleição para o Senado que promete pegar fogo no Paraná
O primeiro grande debate entre os candidatos ao Senado pelo Paraná deixou uma certeza: a disputa pelas duas cadeiras do Estado será cada vez mais acirrada — e a divisão do eleitorado de direita pode ser decisiva para o resultado.
Realizado na noite desta quarta-feira (9), nos estúdios da Band Paraná, em Curitiba, o debate reuniu Alexandre Curi (Republicanos), Cristina Graeml (PSD), Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL), Gleisi Hoffmann (PT) e Dr. Rosinha (PT).
E se alguém esperava apenas uma apresentação de propostas, encontrou um cenário bem diferente. O confronto foi marcado por acusações, provocações e pedidos de direito de resposta. Ao todo, foram 25 pedidos, sendo oito deferidos.
TRÊS DUPLAS EM DISPUTA
O debate também serviu para revelar uma espécie de desenho eleitoral que começa a se consolidar.
De um lado, Deltan Dallagnol e Filipe Barros, representantes de uma direita mais identificada com o bolsonarismo e com o discurso de combate à corrupção.
De outro, Cristina Graeml e Alexandre Curi, que procuraram apresentar uma imagem conservadora, mas sem transformar o debate em uma guerra aberta entre eles.
E, no campo da esquerda, Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, que demonstraram maior sintonia política e aproveitaram boa parte do tempo para defender o governo Lula e atacar os adversários.
O problema para a direita é evidente: há muitos candidatos disputando praticamente o mesmo eleitorado.
E essa fragmentação pode acabar beneficiando Gleisi Hoffmann, que representa um campo político mais organizado e com maior capacidade de concentração de votos.
DALLAGNOL: CORRUPÇÃO COMO PRINCIPAL ARMA
Deltan Dallagnol entrou no debate com o discurso que marcou sua trajetória política: combate à corrupção e defesa da Lava Jato.
O ex-procurador voltou a destacar os resultados da operação e afirmou que bilhões de reais foram recuperados para os cofres públicos.
Também enfrentou diretamente Gleisi Hoffmann em um dos momentos mais tensos da noite. A candidata petista voltou a questionar a situação eleitoral de Dallagnol, enquanto o candidato do Novo rebateu afirmando que a esquerda não respeitaria decisões judiciais quando elas não atendem aos seus interesses.
O embate entre os dois era previsível — e acabou se tornando um dos principais momentos do debate. A própria Band destacou o confronto entre Dallagnol e Gleisi em temas como Lava Jato, segurança, sistema prisional e elegibilidade.
Dallagnol conseguiu, assim, manter sua principal identidade eleitoral: o candidato da Lava Jato e do combate à corrupção.
FILIPE BARROS ATACA CRISTINA E MIRA GLEISI
Filipe Barros adotou uma estratégia mais agressiva.
O candidato do PL procurou atingir Cristina Graeml, explorando sua mudança de campo político e sua aproximação com o grupo liderado pelo governador Ratinho Junior e pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
Cristina respondeu defendendo sua trajetória e explicando sua decisão de aceitar o convite para integrar o grupo governista.
Mas foi Gleisi Hoffmann quem recebeu boa parte da artilharia de Barros.
O deputado procurou associar a candidata petista a posições que considera incompatíveis com os valores do eleitor conservador, especialmente em temas ligados à segurança pública e costumes.
O confronto entre Filipe e Cristina também ganhou contornos específicos ao envolver o Banco Master e a disputa pelo eleitorado de direita.
GLEISI JOGA NO CONTRA-ATAQUE
Gleisi Hoffmann demonstrou que conhece o jogo político.
Ao invés de dividir sua artilharia entre todos os adversários, concentrou seus ataques principalmente em Dallagnol.
A estratégia é clara: se Dallagnol é hoje um dos nomes mais fortes da direita, enfraquecê-lo significa abrir espaço para a segunda vaga.
Gleisi também aproveitou o debate para defender ações do governo Lula e apresentar uma imagem de maior unidade do campo progressista.
Ao lado de Dr. Rosinha, a petista encontrou um ambiente muito menos hostil do que aquele enfrentado pelos candidatos da direita entre si.
CRISTINA E CURI: MENOS ATAQUE, MAIS POSICIONAMENTO
Cristina Graeml adotou uma postura mais cautelosa.
Ao contrário de Filipe Barros, que partiu para o confronto, Cristina evitou transformar sua participação em uma guerra interna da direita.
Procurou reforçar sua identidade conservadora e defender a escolha de permanecer no grupo político de Ratinho Junior.
Antes do debate, a candidata já havia sinalizado suas principais bandeiras, como liberdade de expressão, fiscalização dos Poderes e uma atuação conservadora no Senado.
Alexandre Curi também evitou uma guerra direta com Cristina.
Os dois, de certa maneira, preservaram-se mutuamente.
Curi apostou principalmente no discurso de segurança pública e chegou a defender a retirada das câmeras corporais utilizadas por policiais, argumentando que o equipamento poderia inibir a atuação dos agentes.
E AS PROPOSTAS?
É justamente aqui que o debate deixou uma pergunta incômoda.
Quem vai enfrentar o tamanho da máquina pública?
Em meio a acusações sobre corrupção, STF, Lava Jato, segurança, ideologia e alianças partidárias, faltou uma discussão mais profunda sobre redução de despesas administrativas, corte de privilégios, enxugamento da máquina pública e redução da carga tributária.
Nenhum dos principais candidatos transformou o corte de cargos comissionados em uma bandeira central.
Também faltou uma discussão mais objetiva sobre o tamanho das estruturas de assessoria parlamentar e sobre o custo da máquina política.
Para o eleitor que paga impostos, essa talvez tenha sido uma das maiores ausências da noite.
AFINAL, QUEM GANHOU?
Se a pergunta for quem teve o melhor desempenho político, a resposta depende do eleitor.
Dallagnol saiu fortalecido entre aqueles que continuam identificados com a Lava Jato e o discurso anticorrupção.
Gleisi mostrou experiência política e aproveitou a divisão dos adversários para defender o governo Lula e atacar seu principal antagonista.
Filipe Barros foi combativo e falou diretamente com o eleitor bolsonarista, mas também expôs a disputa interna pela direita.
Cristina Graeml adotou uma estratégia mais moderada, evitando confrontos que poderiam prejudicá-la dentro do próprio campo conservador.
Alexandre Curi procurou ocupar o espaço de candidato governista, com foco principalmente na segurança pública.
Dr. Rosinha, por sua vez, funcionou como uma espécie de apoio político a Gleisi em vários momentos do debate.
A ELEIÇÃO ESTÁ ABERTA
O debate da Band não decidiu a eleição.
Mas mostrou onde pode estar o principal problema da direita: a fragmentação.
Se Dallagnol, Filipe Barros, Cristina Graeml e Alexandre Curi continuarem disputando o mesmo espaço eleitoral, a esquerda poderá encontrar uma oportunidade preciosa para garantir uma das duas cadeiras.
E é exatamente por isso que a eleição para o Senado no Paraná pode se transformar, nas próximas semanas, em uma das disputas mais imprevisíveis do país.
São duas vagas. Muitos candidatos. E cada vez menos espaço para errar.
No fim das contas, talvez a pergunta mais importante deixada pelo debate da Band não seja apenas “quem foi melhor?”
Mas sim:
QUEM CONSEGUIRÁ SOBREVIVER À GUERRA PELO MESMO ELEITOR?
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