Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 15 de julho de 2026

Executivo da Vinopar, Wagner Gabardo, comenta superação de pragas históricas e o avanço de rótulos premiados.

O Paraná tem conquistado cada vez mais espaço no cenário nacional da vitivinicultura, com vinhos finos, espumantes e sucos de uva premiados, produzidos em diferentes regiões do estado. Os desafios da produção, as características que tornam os rótulos paranaenses únicos e as perspectivas para o fortalecimento do setor são os temas do próximo episódio do programa Semeando Informação, da TV Assembleia, que foi ao ar na segunda-feira (13), às 13h, com transmissão também pelo YouTube da Assembleia às 13h30.

O convidado desta edição é o executivo da Associação dos Vitivinicultores do Paraná (Vinopar), sommelier e doutor em Geografia, Wagner Gabardo. Durante a entrevista, ele explica como a viticultura paranaense superou dificuldades históricas, como a incidência da praga conhecida como “pérola-da-terra”, que levou muitos produtores a abandonar os vinhedos na década de 1970, e como o setor voltou a crescer a partir dos anos 2000, com investimentos em pesquisa, tecnologia e manejo do solo.

Gabardo contou que o clima ainda representa um dos principais desafios para a produção de vinhos finos no estado. Segundo ele, o excesso de chuvas durante a maturação das uvas e as geadas na época da floração exigem estratégias cada vez mais modernas, como o uso de coberturas plásticas e práticas de regeneração do solo. “A viticultura não pode ser um monocultivo, porque isso empobrece a biodiversidade do solo”, ressalta Gabardo.

O programa também mostra que o Paraná não se destaca apenas pelos vinhos finos. As tradicionais uvas americanas, como Bordô, Niágara e Isabel, dão origem a sucos de uva reconhecidos pela qualidade e premiados em concursos, além de vinhos de mesa que, segundo o especialista, vêm passando por uma verdadeira transformação. “Precisamos desapegar da ideia de que vinho de mesa não tem qualidade. As novas gerações estão produzindo vinhos impecáveis a partir dessas uvas”, afirma.

Outro destaque da conversa é a diversidade das regiões produtoras. Além da Região Metropolitana de Curitiba, conhecida também pelos espumantes e pela produção de sucos, o programa apresenta o crescimento da vitivinicultura em Bituruna, referência nacional pelos vinhos de indicação geográfica; Mariópolis, no Sudoeste do Paraná, que vem se destacando pelos espumantes; São Luiz do Purunã, com vinhedos agroecológicos; e Guarapuava, onde as condições climáticas favorecem a produção de uvas para vinhos finos.

Durante a entrevista, Gabardo relembra ainda uma experiência que reforça o potencial dos vinhos produzidos no estado. Em um encontro com pesquisadores da França, Portugal, Argentina, Chile e outros países, rótulos elaborados com uvas Bordô surpreenderam os especialistas estrangeiros pela qualidade. “Precisamos que alguém de fora valorize para que a gente passe a valorizar também. Provem os vinhos feitos aqui”, convida.

A conversa aborda ainda iniciativas voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva, como o programa Revitis, de revitalização da viticultura paranaense, e as ações da Vinopar para incentivar o enoturismo e aproximar os vinhos produzidos no estado da gastronomia regional. Entre elas está o lançamento do mapa do enoturismo paranaense, que sugere harmonizações entre pratos típicos do Paraná e rótulos produzidos localmente. Fonte: Alep foto:

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