Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 13 de maio de 2026

Veja quem são: Marcello Lopes (Flávio), Raul Rabelo (Lula), Renato Pereira (Zema) e Paulo Vasconcelos (Caiado)

Com a divulgação de nomes pela equipe do senador Flávio Bolsonaro nesta segunda, 11, estão definidos os marqueteiros das candidaturas presidenciais mais bem posicionadas na pré-campanha de 2026. Lula seguirá com Raul Rabelo, sob a supervisão de Sidônio Palmeira; Flávio montou um “supertime” de publicidade liderado por Marcello Lopes; Romeu Zema entregou sua estratégia nacional ao veterano Renato Pereira; e Ronaldo Caiado será conduzido por Paulo Vasconcelos. Os grupos já testam linguagens, slogans e formatos digitais para tentar romper a polarização ou aprofundá-la, dependendo do projeto político de cada candidatura.

Neste momento inicial, o principal fenômeno de comunicação política não veio nem do PT nem do bolsonarismo. O maior “hit” eleitoral até aqui é “Os Intocáveis”, série de animação produzida com inteligência artificial pelo time contratado por Romeu Zema. Os vídeos de humor, com ataques especialmente direcionados a Lula e aos ministros do STF, circulam nas redes e ajudaram a colocar o governador mineiro no radar de um público mais jovem e conectado. A repercussão reforça a expectativa de que a eleição de 2026 seja profundamente moldada pela IA generativa.

Lula aposta em redes e discurso social

No campo governista, a campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva vem sendo estruturada por Sidônio Palmeira, que no ano passado assumiu como ministro da Secretaria de Comunicação Social, e Raul Rabelo, publicitário baiano ligado historicamente ao PT. A prioridade definida pela equipe é fortalecer a presença digital do lulismo, ampliando a coordenação entre militância e influenciadores simpáticos ao governo.

A estratégia apresentada a parlamentares petistas prevê uma comunicação fortemente baseada em temas sociais, como o combate aos privilégios, o endividamento das famílias e a defesa do fim da escala 6×1. Outro eixo central será a comparação direta entre os governos Lula e Bolsonaro, com destaque para programas como Pé-de-Meia, escola em tempo integral e iniciativas voltadas à saúde pública.

Rabelo já começou a atuar também na linha ofensiva contra adversários. Uma das primeiras peças, um vídeo exibido durante evento do PT e posteriormente vazado para a imprensa, associou Flávio Bolsonaro ao escândalo do Banco Master.

Flávio profissionaliza o bolsonarismo

Se a campanha de Jair Bolsonaro em 2018 foi marcada pelo improviso digital (bem-sucedido, diga-se) comandado por Carlos Bolsonaro, Flávio decidiu seguir outro caminho. O senador do PL cercou-se de profissionais da publicidade e da comunicação corporativa para construir uma operação mais estruturada.

O coordenador-geral da comunicação será o empresário Marcello Lopes, conhecido como “Marcelão”, figura de confiança do pré-candidato. Ao seu redor foram reunidos nomes conhecidos do mercado, como Toninho Neto, ex-executivo de grandes agências internacionais; Alexandre Oltramari, ex-editor de política da revista Veja; e Walter Longo, ex-presidente do Grupo Abril e executivo do grupo WPP.

A equipe já vem testando bordões e frases de efeito voltadas às redes sociais. Foi desse núcleo que nasceram comparações de Lula a um “Opala velho” e a definição do presidente como “produto vencido”. O objetivo é manter o estilo popular e agressivo do bolsonarismo, mas com embalagem mais profissional.

Até aqui, o principal acerto do marketing foi a série “Os Intocáveis”. Produzida com inteligência artificial, a animação associou Zema a uma linguagem mais moderna, digital e antiestablishment, aproximando-o de um eleitorado jovem que consome política pelas redes sociais.

Caiado quer ocupar o espaço da “direita moderada”

Ronaldo Caiado tenta construir uma candidatura de centro-direita com a marca da experiência administrativa. O responsável pela operação é Paulo Vasconcelos, estrategista que defende uma campanha centrada nas “entregas” do governador em Goiás, especialmente nas áreas de segurança, educação e tecnologia.

A avaliação do PSD é que o principal problema de Caiado hoje não é rejeição, mas desconhecimento nacional. Por isso, a prioridade da primeira fase da campanha será apresentá-lo ao eleitorado como um gestor eficiente, evitando confrontos diretos tanto com Lula quanto com Flávio Bolsonaro.

A narrativa desejada é a de “uma direita que conversa”. A intenção é posicionar Caiado como alternativa conservadora moderada, capaz de dialogar com diferentes setores políticos e romper a polarização que domina a política brasileira desde 2018.

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