Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 28 de julho de 2023

Autoridades concluíram que digitalização da sala de aula pode transformar a próxima geração de estudantes suecos em analfabetos funcionais. “Os livros têm “vantagens que nenhum tablet pode substituir”

Uma decisão recente do Ministério da Educação da Suécia reforça os riscos à aprendizagem trazidos pela política de digitalização da sala de aula adotada pela prefeitos e governadores. Evidente que a informatização deve acontecer nas escolas como uma das diciplinas apartir do ensino fundamental II. No entanto, na rede de ensino público no estado do Paraná, o uso destas plataformas se tornaram obrigatória e regra geral, diferente do país sueco que suspendeu o plano ambicioso de digitalização do ensino.

Segundo a neurociência, quem estuda pelo notebook ou tablet, deixa o conheciemento no HD do equipamento, e quase nada fica na memória do estudante.

“Estamos em risco de criar uma geração de analfabetos funcionais”, advertiu a ministra da Educação, Lotta Edholm, após ver a nota do país despencar no Estudo Internacional de Progresso em Leitura (PIRLS), exame internacional que avalia o desempenho em leitura dos(as) estudantes.

Segundo matéria publicada no jornal francês, Le Monde, a gestora concluiu que o mau desempenho é consequência da forma acrítica como o país introduziu recursos digitais nas escolas. A exemplo das escolas brasileiras, nos últimos 15 anos a Suécia substituiu os livros didáticos por computadores, tablets, aplicativos e plataformas tecnológicas. Na Suécia, as consequências negativas desse experimento foram observadas em toda a comunidade escolar. Alunos(as) perderam o hábito da leitura, professores(as) ficaram sem acesso a livros e as mães, pais e responsáveis não conseguem ajudar seus(as) filhos(as).

Evidências

Para reverter a situação, além de barrar a estratégia de digitalização, Lotha lançou um programa de reintrodução dos livros para recuperar a capacidade de leitura dos(as) estudantes. Os livros têm “vantagens que nenhum tablet pode substituir”, argumenta.

O plano prevê o investimento de 150 milhões de euros até  2025. “O relatório do PIRLS é um sinal de que temos uma crise de leitura nas escolas suecas. No futuro, o governo quer ver mais livros didáticos e menos tempo de tela nas escolas”, diz a ministra.

Segundo as informações, a decisão de Lotha para abandonar o programa ambicioso de digitalização foi embasada em evidências científicas apresentadas por mais de 60 especialistas. “Todas as pesquisas sobre o cérebro em crianças mostram que elas não se beneficiam do ensino com base em telas”, afirma.

Alerta da Unesco

No Paraná por exemplo, o governo usa como proposta de ensino o “foco no aluno” para justificar a quantidade expressiva de ferramentas digitais disponíveis aos professores(as) e estudantes. Contudo, o investimento nesse tipo de ferramenta, favorece mais as empresas de tecnologia, que os próprios alunos.

Em relatório recente divulgado pela Unesco, com o título “Tecnologia na educação: uma ferramenta a serviço de quem?”. A agência também alerta sobre os impactos negativos da introdução de tecnologias na educação, sem qualquer diálogo ou reflexão crítica. 

O documento é mais um que põe em xeque o modelo educacional adotado pelos prefeitos e governadores, e destaca que a tecnologia sozinha não garante bons resultados. No Peru, por exemplo, mais de um milhão de laptops foram distribuídos sem qualquer impacto na aprendizagem. Fonte: APP-PR –  Foto: SEED

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