Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 13 de outubro de 2026

CURITIBA — O tradicional restaurante Madalosso, em Santa Felicidade, foi palco, nesta terça-feira (13), de uma ampla mobilização política em apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Sob a articulação do governador eleito do Paraná, Sérgio Moro (PL), do ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo) e do deputado federal Filipe Barros (PL), o jantar reuniu aproximadamente 2 mil pessoas, entre prefeitos, vice-prefeitos, deputados federais e estaduais, além de dirigentes partidários e lideranças regionais.

Mais do que um encontro de confraternização, o evento teve uma mensagem política clara: organizar forças, ampliar alianças e transformar a mobilização paranaense em um dos pilares da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

A presença de representantes do PL, Novo, Podemos, PP, União Brasil, Republicanos e de setores do PSD demonstrou a disposição de reunir diferentes correntes políticas em torno de um objetivo comum. A participação de lideranças de partidos distintos, entretanto, não significa necessariamente um compromisso uniforme de todas as siglas com a candidatura. O desafio será converter a aproximação em apoio efetivo, estrutura de campanha e votos.

Moro assume protagonismo na articulação nacional

Ao convocar prefeitos e vereadores para a mobilização, Sérgio Moro procurou associar o resultado eleitoral paranaense à construção de um projeto político de alcance nacional.

“Depois da grande vitória do Brasil e do Paraná, no dia 4 de outubro, nós vamos fazer agora uma convocação dos prefeitos e vereadores do nosso estado do Paraná, um ato em favor da vitória de Flávio Bolsonaro para a Presidência da República”, afirmou Moro, em vídeo divulgado nas redes sociais.

O governador eleito também deixou explícita a dimensão política do encontro ao declarar que o ato seria realizado para “marcar o fim, inclusive, do PT”.

A fala reforça o caráter de enfrentamento ideológico da mobilização. Em vez de se limitar à apresentação de propostas administrativas ou econômicas, o movimento assume uma identidade de oposição ao Partido dos Trabalhadores e busca consolidar um campo político capaz de disputar o comando do governo federal.

Para Moro, a articulação também representa uma oportunidade de ampliar sua influência para além das fronteiras paranaenses. A capacidade de reunir prefeitos, parlamentares e lideranças partidárias poderá fortalecer sua posição nas negociações políticas nacionais. Mas a dimensão dessa influência dependerá dos próximos passos e, principalmente, da disposição dos aliados de transformar o apoio declarado em participação concreta na campanha.

Deltan e Filipe Barros: a construção de uma frente de apoio

Deltan Dallagnol destacou a importância da aproximação entre os representantes eleitos e as lideranças municipais, procurando estabelecer uma relação de cooperação política.

“Estamos aqui para servir vocês, prefeitos do Paraná, que servem à sociedade. E nós queremos trabalhar juntos”, afirmou.

A declaração procura transmitir uma mensagem de integração entre as lideranças estaduais e municipais. Na prática, prefeitos e vereadores podem desempenhar papel relevante em uma campanha presidencial, especialmente na mobilização de apoiadores, na organização de eventos e na divulgação das propostas dos candidatos em suas comunidades.

Filipe Barros, por sua vez, integra o núcleo político do PL no Paraná e participa da articulação em favor de Flávio Bolsonaro. A presença dos três nomes na condução do encontro evidencia a tentativa de estabelecer uma coordenação política capaz de aproximar o comando estadual, a estrutura partidária e as lideranças locais.

O êxito dessa estratégia, contudo, não será medido apenas pelo número de participantes em um jantar. Será necessário avaliar a capacidade de manter a unidade entre partidos com interesses próprios, superar eventuais divergências e construir uma agenda comum para a disputa presidencial.

Eduardo Pimentel defende participação do Paraná no debate nacional

O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), também participou do encontro e ressaltou a importância da presença paranaense na discussão sobre os rumos do país.

“O Paraná também tem seu papel nessa discussão sobre o futuro do país”, afirmou.

A declaração coloca o estado no centro de uma disputa que ultrapassa a escolha de um candidato. O Paraná possui uma estrutura política municipal relevante, parlamentares com atuação nacional e lideranças que buscam ampliar seu espaço nas decisões de Brasília.

A participação de representantes de diferentes partidos também revela uma realidade conhecida da política brasileira: alianças eleitorais podem aproximar siglas que mantêm diferenças em outras disputas. Resta saber até que ponto essa convergência será duradoura e quais compromissos políticos serão assumidos pelos participantes. Curitiba News foto:

O recado ao PT e os desafios da campanha

O tom adotado por Moro deixa claro que a mobilização pretende funcionar como contraponto ao PT e ao campo político ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia aposta na união de setores da direita e do centro-direita, utilizando a força das lideranças municipais e a estrutura partidária para ampliar a presença de Flávio Bolsonaro no Paraná.

Mas há uma diferença importante entre reunir lideranças e consolidar uma maioria eleitoral. O jantar demonstrou capacidade de mobilização e articulação, segundo os números divulgados pela organização. A conversão desse movimento em votos dependerá das propostas apresentadas, da capacidade de diálogo com diferentes segmentos da população e do comportamento do eleitorado ao longo da campanha.

Também será necessário observar como se comportarão os partidos que participaram do encontro, sobretudo aqueles que possuem interesses próprios e diferentes projetos para as eleições nacionais.

O Paraná quer influenciar o futuro do país

O encontro no Madalosso sinaliza que Sérgio Moro pretende iniciar seu ciclo político à frente do governo estadual com participação ativa na disputa nacional. Ao lado de Deltan Dallagnol e Filipe Barros, o governador eleito busca fortalecer uma frente de apoio a Flávio Bolsonaro e ampliar a capacidade de mobilização da direita paranaense.

O recado político foi transmitido: há uma tentativa de organizar forças e projetar o Paraná como território estratégico na eleição presidencial.

A questão central, agora, é saber se a mobilização conseguirá ultrapassar o simbolismo de um grande jantar e se transformar em uma aliança consistente, com compromissos definidos, participação efetiva dos partidos e capacidade real de conquistar votos.

Na política, reunir milhares de pessoas é demonstração de força. Transformar essa força em unidade, propostas e resultado nas urnas é o verdadeiro teste.

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