Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 7 de agosto de 2026

Serão duas vagas em disputa e uma lista de candidatos que reúne ex-procurador da República, jornalista, ex-senador, deputado federal, presidente da Assembleia Legislativa, e políticos tradicionais.

A eleição para o Senado no Paraná já começou nos bastidores — e promete ser uma verdadeira guerra pelo voto.

Duas vagas, uma multidão de candidatos e alianças que ainda podem mudar o jogo; eleição promete ser decidida no detalhe e transformar o Paraná em um dos principais palcos da disputa nacional

É uma eleição diferente. O eleitor paranaense poderá escolher dois nomes para o Senado, e isso abre uma infinidade de combinações. Um candidato pode puxar votos para outro, alianças podem determinar resultados e, no fim, a diferença entre o eleito e o derrotado poderá ser medida em poucos pontos percentuais.

A sensação entre os políticos é de que a disputa poderá terminar como uma corrida decidida no fotochart: só depois da apuração será possível saber quem cruzou a linha de chegada em primeiro e segundo lugares.

MORO, BOLSONARO E A APOSTA NA DIREITA

No campo da direita, Sérgio Moro (PL) representa uma das principais forças políticas da oposição no Paraná.

O grupo chega à disputa pelo Senado com dois nomes de peso: Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo).

Filipe Barros aposta na força do eleitorado conservador e na identificação com o bolsonarismo.

Dallagnol, por sua vez, carrega o capital político construído durante a Operação Lava Jato e a expressiva votação obtida para deputado federal. Foi o deputado federal mais votado do Paraná em 2022, mas posteriormente perdeu o mandato por decisão da Justiça Eleitoral.

A questão jurídica envolvendo sua inelegibilidade continua sendo utilizada como elemento de debate político e poderá influenciar sua campanha.

O desafio desse grupo será transformar a força do eleitorado de direita em duas cadeiras no Senado.

RATINHO JUNIOR COLOCA SUA FORÇA POLÍTICA EM CAMPO

Do outro lado está o grupo do governador Ratinho Junior, que aposta no projeto político representado por Sandro Alex (PSD) ao Governo do Estado.

Para o Senado, o PSD apresenta dois nomes que possuem perfis bastante diferentes.

A jornalista Cristina Graeml, que surpreendeu na eleição para a Prefeitura de Curitiba, chega à disputa com forte presença junto ao eleitorado da capital e aparece entre os nomes mais competitivos nas pesquisas.

Sua candidatura pode representar uma das maiores incógnitas da eleição.

Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa, possui uma característica diferente: uma extensa rede política construída principalmente no interior do Estado.

Municipalista, Curi deverá contar com o apoio de prefeitos, vereadores e lideranças regionais, além da estrutura política ligada ao governo estadual.

A pergunta que começa a circular nos bastidores é simples:

Será que o PSD conseguirá eleger os dois?

GLEISI ENTRA NA BRIGA

No campo da esquerda, Gleisi Hoffmann (PT) é um dos nomes mais conhecidos da disputa.

Deputada federal, ex-senadora, ex-ministra da Casa Civil e ex-presidente nacional do PT, Gleisi possui uma longa trajetória política e uma base eleitoral consolidada no Estado.

O candidato ao Governo pelo PDT, Requião Filho, deverá apoiar sua candidatura.

Para a segunda vaga, o PT aposta em Dr. Rosinha, político histórico da legenda e ex-deputado federal.

O desafio da esquerda será transformar a força eleitoral de Gleisi em uma segunda candidatura competitiva.

OS OUTROS CANDIDATOS TAMBÉM QUEREM SURPREENDER

A eleição, entretanto, não se resume aos grandes grupos.

Pelo Partido Missão, a candidata Karen Guerreiro entra na disputa buscando espaço em um cenário dominado por grandes estruturas partidárias.

Pela Unidade Popular (UP), o candidato será Joaquim Silva Maciel.

Embora partam de estruturas menores, candidaturas alternativas podem ganhar importância em uma eleição marcada pela fragmentação do voto.

E AINDA PODE HAVER MUDANÇAS

Apesar de os principais nomes já estarem definidos, o jogo político ainda não terminou.

O prazo para os partidos realizarem ajustes nas candidaturas e no quadro eleitoral se estende até 15 de agosto. Até lá, conversas, alianças, desistências e eventuais mudanças ainda podem alterar o desenho da disputa.

Na política, especialmente em uma eleição para o Senado, nada está definitivamente decidido antes da urna.

DOIS VOTOS QUE PODEM MUDAR O MAPA POLÍTICO DO PARANÁ

A grande incógnita é saber como o eleitor distribuirá seus dois votos.

O eleitor poderá votar em candidatos de uma mesma chapa política, combinar nomes de grupos diferentes ou simplesmente escolher aqueles com os quais mais se identifica.

É justamente aí que mora o perigo para os favoritos.

Uma eleição para duas vagas não é necessariamente uma eleição de primeiro e segundo colocado. É uma disputa de estratégias, alianças, rejeição, transferência de votos e capacidade de mobilização.

De um lado, Bolsonaro e a direita.

De outro, Ratinho Junior e a força do governo estadual.

No campo da esquerda, Gleisi Hoffmann tenta recuperar espaço.

E, correndo por fora, candidatos menores tentam transformar poucos pontos percentuais em uma surpresa eleitoral.

A corrida está aberta.

E no Paraná, onde a política costuma produzir surpresas quando ninguém mais espera, o Senado pode ser decidido por uma diferença mínima.

Quem serão os dois nomes que representarão o Paraná em Brasília?

A resposta está nas urnas.

E, desta vez, cada voto terá peso de ouro. Foto: criação CuritibaNews

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