Mais R$ 363 milhões em investimentos para 10 municípios foram confirmados pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior nesta segunda-feira (25), durante encontro com prefeitos no Palácio Iguaçu. Os recursos contemplam cidades da Região Metropolitana de...
A indefinição do governador Ratinho Junior (PSD) sobre quem será seu candidato à sucessão no Palácio Iguaçu já provoca ruídos no cenário político paranaense. Sem um nome consolidado até o momento, a estratégia do chefe do Executivo começa a ser alvo de críticas públicas, inclusive dentro do espectro oposicionista.
O deputado estadual Requião Filho (PT) foi direto ao classificar como “natimorta” a pré-campanha do grupo governista. A declaração atinge em cheio o núcleo político do governo, ao apontar a ausência de uma liderança competitiva capaz de herdar o capital político acumulado ao longo de quase oito anos de gestão.
Estratégia: base forte ou sucessão indefinida?
Nos bastidores, a leitura predominante é de que o movimento recente do governador — exonerando parte significativa de seu secretariado — pode ter menos relação com a construção de um nome ao governo e mais com a formação de uma base robusta na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
A decisão permitiu que diversos secretários retornassem às suas regiões de origem para disputar eleições proporcionais. A aposta seria garantir uma bancada expressiva, fortalecendo o grupo político independentemente de quem vença a disputa pelo Executivo estadual.
Ainda assim, a estratégia carrega riscos. Prefeitos aliados, peça-chave na engrenagem eleitoral, demonstram preocupação com o cenário indefinido. De olho nas eleições municipais seguintes, muitos podem migrar para projetos políticos mais competitivos — especialmente aqueles liderados por nomes que aparecem melhor posicionados nas pesquisas.
Pressão cresce diante de adversários já posicionados
A ausência de um candidato claro contrasta com a movimentação de possíveis adversários. O senador Sergio Moro (União Brasil), por exemplo, desponta como um dos principais polos da disputa, ao lado de grupos ligados ao PL, como o do senador Flávio Bolsonaro, além de lideranças associadas ao ex-procurador Deltan Dallagnol.
Nesse contexto, cresce a pressão sobre Ratinho Junior para que apresente um nome com densidade eleitoral suficiente para chegar ao segundo turno — condição vista como mínima para manter a influência do atual grupo no comando do estado.
Secretariado volta às bases
A lista de exonerações evidencia o alcance da estratégia do governo. Entre os nomes que deixaram seus cargos para retornar à atividade política estão figuras de peso como:
- Alex Canziani (Inovação)
- Beto Preto (Saúde)
- Guto Silva (Cidades)
- Sandro Alex (Infraestrutura)
- Márcio Nunes (Agricultura)
- Rafael Greca (Desenvolvimento Sustentável)
- Ulisses Maia (Planejamento)
- Leonaldo Paranhos (Turismo)
Além de outros integrantes que devem disputar vagas na Câmara Federal, Assembleia Legislativa ou até compor chapas majoritárias.
Alguns desses nomes, inclusive, já foram cogitados como possíveis candidatos ao governo, como Guto Silva e Rafael Greca, o que reforça a percepção de que o grupo ainda não encontrou consenso interno.
Encruzilhada política
A dúvida que domina o ambiente político paranaense permanece sem resposta: quem será o escolhido de Ratinho Junior?
Mais do que uma decisão pessoal, a definição do sucessor pode determinar o futuro do grupo político que hoje ocupa o poder. Sem um nome competitivo, o risco é de fragmentação da base e perda de protagonismo no estado.
Enquanto isso, a crítica de “natimorto” ecoa como um alerta: em política, o tempo da decisão pode ser tão importante quanto a decisão em si.
Foto: R.Diziura AEN
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