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Brian Epstein foi o homem dos Fab Four, que levou a banda do Cavern Club, em Liverpool, à fama mundial.
O seu pai o colocou para trabalhar à frente do departamento de discos das lojas da família, North End Music Stores (NEMS), foi nesta vivencia com música que ele encontrou seu talento para prever o que seria um sucesso pop, além da habilidade de criar vitrines chamativas rapidamente transformaram a loja em um ponto de encontro para adolescentes em Liverpool.
Quando um garoto foi ao NEMS pedindo uma música com participação dos Beatles, My Bonnie, ele decidiu procurá-los, segundo contou Epstein para Grundy em 1964.
John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e o então baterista Pete Best haviam gravado a faixa como banda de apoio para o cantor Tony Sheridan enquanto estavam em Hamburgo, em 1961 — o que levou Epstein a acreditar que eles eram alemães.
Os Beatles haviam retornado a Liverpool, e Epstein foi vê-los tocar em uma sessão na hora do almoço do Cavern Club, inicialmente com a intenção de descobrir como poderia encomendar cópias do compacto de My Bonnie.
Ao entrar no porão escuro e cheio de fumaça, ele ficou hipnotizado pela música que ouviu.
“Eu gostei muito deles. Eu gostei imediatamente do som que ouvi”, ele contou.
“Eu escutei o som deles antes de conhecê-los. Eles estavam, de certa forma, um tanto desleixados, da melhor forma possível, ou devo dizer, da forma mais atraente. Jaquetas pretas de couro e jeans, cabelos longos, é claro, e uma apresentação no palco um tanto desordenada, sem muita consciência e sem se importar muito com a aparência.”
Mas Epstein foi cativado pelo carisma dos Beatles no palco, sua energia estrondosa e o humor improvisado.
“E eu pensei que era algo que um número enorme de pessoas iria gostar. Eles eram frescos, eram sinceros, e tinha o que eu achava ser uma espécie de presença e — este é um termo terrível e vago — qualidade de estrela. Seja lá o que for, eles tinham isso, ou eu sentia que tinham.”
Melhorando a imagem dos Beatles
Apesar de não ter experiência, Epstein estava convencido de que deveria ser o empresário dos Beatles, e propôs uma reunião de negócios em sua loja. Mas, quando chegou a hora, apenas três dos integrantes da banda apareceram.
Depois de 45 minutos de espera, Paul McCartney ainda não tinha aparecido.
“Eu pedi a um dos garotos para pegar o telefone e ligar, e ele voltou dizendo: ‘bem, ele acabou de se levantar, está no banho”, contou Epstein à BBC em 1964.
“Então eu fiquei um pouco irritado, e pensei ‘isso é realmente muito vergonhoso, como ele pode se atrasar tanto para algo importante’, e George simplesmente respondeu: ‘bem, ele pode estar atrasado, mas é muito limpo’.”
Os Beatles concordaram em serem gerenciados pelo articulado Epstein, embora ele tenha deixado o primeiro contrato sem assinar, para que eles pudessem rescindi-lo se ele não fosse capaz de se provar.
Em seguida, ele começou a garantir locais maiores e melhores para a banda se apresentar.
Epstein sabia que precisava melhorar a imagem dos Beatles se quisesse alcançar uma audiência mais ampla, especialmente na televisão, então os convenceu a adotar os ternos combinando — pelos quais mais tarde ficariam conhecidos —, além de parar de xingar, fumar e beber no palco.

“Eu diria que isso aconteceu mais por causa de nós cinco, do que por mim”, Epstein disse.
“Eu os incentivei, no começo, a sair das jaquetas de couro e dos jeans, e não permitiria que eles aparecessem usando jeans depois de um tempo. E, então, após esse passo, os fiz usar, eu acho, suéteres no palco e, depois, apesar de relutarem muito, os ternos.”
As exigências da Beatlemania
Diferente de outros empresários de bandas daquela época, Epstein não se dava ao luxo de dizer a eles quais músicas tocar ou como eles deveriam soar.

“Eu não entendo de música”, confessou para Grundy, em 1964, “mas eu acho que eu sei sobre músicas de sucesso, números de sucesso, e sons que fazem sucesso”.
Ao mesmo tempo em que organizava a logística dos shows e criava estratégias de publicidade para aumentar a visibilidade da banda, ele começou a visitar inúmeras gravadoras com o objetivo de conseguir um contrato para eles.
Depois de se reunir com o produtor musical George Martin, os Beatles fecharam um acordo com a Parlophone, uma subsidiária da gravadora EMI.
Martin também se mostraria vital para o sucesso da banda, os ajudando a aperfeiçoar e desenvolver seu som e trabalhando junto com eles para concretizar suas ideias musicais.
Quando Lennon, McCartney e Harrison decidiram que eles precisavam trocar Best por Ringo Starr, eles procuraram Epstein para demitir o baterista original. Apesar de suas reservas, ele confiou no julgamento dos “garotos” — como ele os chamava — assim como no de Martin.

Como empresário da banda, Epstein criou uma conexão profundamente pessoal com os Beatles, especialmente com John Lennon.
Epstein foi padrinho de casamento de Lennon quando ele se casou com sua primeira esposa, Cynthia Powell, em 1962, pagando pela refeição comemorativa e oferecendo seu flat na Falkner Street, em Liverpool, para o casal viver sem ter que pagar aluguel enquanto tinham seu primeiro filho, Julian.
“Eu acho que eles são ótimas pessoas, eu realmente acho isso”, Epstein disse a Grundy.
“Recentemente foi escrito sobre mim que provavelmente eu gosto mais da companhia dos meus artistas, e eu acho que isso é verdade. Foi escrito no contexto de que não tenho muita vida social e que a maior parte do meu tempo é passada com meus artistas.”
Dentro de 10 meses após Epstein começar a gerenciar os Beatles, eles lançaram sua primeiro canção, Love me Do. Em março de 1963, veio a segunda, Please Please Me, do álbum de mesmo nome, que alcançou o primeiro lugar das paradas no Reino Unido.
No fim de 1963, Epstein estava negociando para garantir aos Beatles sua primeira aparição na TV americana, no programa de entretenimento mais assistido da CBS, apresentado por Ed Sullivan.
A apresentação da banda em fevereiro de 1964 se mostrou um marco cultural, atraindo cerca de 73 milhões de espectadores.
Houve uma explosão de histeria entre os fãs, com os Beatles ocupando simultaneamente as cinco primeiras posições da parada Billboard em abril.

Nos anos que se seguiram, os Beatles conquistaram ainda mais sucesso internacionalmente, e a vida pessoal de Epstein se tornou cada vez mais caótica.
Para lidar com a carga de trabalho, ele começou a tomar estimulantes, que depois equilibrava com sedativos para ajudá-lo a dormir. No fim de 1966, a própria banda estava exausta e decidiu parar de fazer turnês.
Ao longo de 1967, enquanto os Beatles trabalhavam em seu inovador álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, Epstein entrava e saía de uma clínica particular em Londres, na tentativa de lidar com sua dependência de medicamentos.
Mas ele ainda mantinha sua agenda exigente, saindo da clínica para sediar a festa de lançamento do Sgt. Pepper’s em sua casa em Belgravia, Londres, em maio de 1967, e negociando para que os Beatles apresentassem All You Need is Love para 400 milhões de telespectadores em 25 países, na primeira transmissão via satélite do mundo.
Pouco mais de um mês depois da morte seu pai, Epstein foi encontrado morto, aos 32 anos, em agosto de 1967, tendo ingerido o que foi considerado uma overdose acidental de medicamentos. Os Beatles ficaram atônitos.
Apesar da sabedoria de algumas de suas decisões comerciais ter sido questionada, ele manteve a banda no caminho certo.
“Eu sabia que nós estávamos com problemas”, disse John Lennon para Jann Wenner, da Rolling Stone, em uma entrevista em 1970.
Lennon acreditava que a morte de Epstein havia desencadeado a desintegração da banda.
“Eu realmente não tinha nenhuma ilusão sobre nossa capacidade de fazer algo que não fosse tocar, e eu estava assustado. Eu pensei: ‘agora acabou para nós’.”
Menos de três anos depois da morte de Epstein, os Beatles se separaram.
“O que Epstein fez foi capacitá-los”, disse o historiador Mark Lewisohn ao podcast Great Lives, da BBC, em 2019.
“O talento era deles, mas ele lhes deu todas as oportunidades para usá-lo, e eles pegaram essas oportunidades e fizeram coisas extraordinárias com elas.
Fonte: BBC Londres – Myles Burke Cultura
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