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O jornal The Global Times, que possui ligações com o Partido Comunista da China (PCCh), na última sexta-feira (7), publicou uma matéria pedindo que o país comunista planeje ataques com mísseis contra a Austrália, caso o país decida se juntar aos Estados Unidos para ajudar Taiwan.
Com o título “China precisa fazer um plano para deter forças extremas da Austrália”, Hu Xijin, editor-chefe do jornal, sugere que o país comunista “faça um plano para impor uma punição retaliatória contra a Austrália, uma vez que interfere militarmente na situação [no Estreito de Taiwan].”
“O plano deve incluir ataques de longo alcance às instalações militares e instalações importantes em solo australiano, se realmente enviar suas tropas para as áreas offshore da China e combates contra o Exército de Libertação do Povo.
“A China tem uma forte capacidade de produção, incluindo a produção de mísseis de longo alcance adicionais com ogivas convencionais que visam objetivos militares na Austrália quando a situação se torna altamente tensa. Além de fazer o plano, a China também deve divulgar esse plano por meio de canais não oficiais para deter as forças extremas da Austrália e impedi-las de assumir o risco e cometer ações irresponsáveis”, escreveu o jornal.
O artigo foi publicado depois que o PCCh “suspendeu indefinidamente” as negociações econômicas com a Austrália na última semana.
Ainda no mês passado, Mike Pezzullo, secretário de Assuntos Internos da Austrália, emitiu um importante comunicado no qual alerta o país australiano a ser forte e preparado, dizendo que os “tambores da guerra” estavam batendo na região.
“Hoje, as nações livres ainda enfrentam este doloroso desafio. Em um mundo de tensão e pavor perpétuos, os tambores da guerra batiam – às vezes fracamente e distantemente, e outras vezes mais alto e cada vez mais perto”, escreveu Pezzullo.
“A guerra pode muito bem ser uma loucura, mas a maior loucura é desejar afastar a maldição, recusando-se a pensar e dar atenção a ela, como se, ao fazê-lo, a guerra pudesse nos deixar em paz, talvez nos esquecendo”, concluiu o secretário de Assuntos Internos da Austrália.
O analista político Paulo Figueiredo, durante o programa Radar da Mídia dessa segunda-feira (10), também analisou a possível ação envolvendo os dois países.
“A situação entre Austrália e China é de pré-conflito, a China continua cada vez mais testando as águas – quase que literalmente – nas relações com os EUA, porque quem protege o mundo da China são os EUA”, apontou Paulo Figueiredo.
“Quando se publica uma coisa dessas, é para observar qual será a reação, a repercussão, se será forte ou não, como os países reagirão, como o governo da Austrália, que está desesperado por não estar preparado militarmente, reagirá. Porque o único país que pode defender o mundo da China, são os EUA”, concluiu o analista político.
Brehnno Galgane – Graduando em Filosofia pela PUC-Rio
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