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Danielle Miranda Fonteles usava o codinome “sócia Portugal”, participou da equipe de comunicação da campanha de Dilma Rousseff, Fernando Pimentel, governador de Minas Gerais (2015 a 2019) e Rui Costa, governador da Bahia (2015 a 2022).
A publicitária Danielle Miranda Fonteles (foto) foi alvo da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada na última quinta-feira, 18, pela Polícia Federal. Ex-dona da agência Pepper Comunicação Interativa e conhecida por atuar em campanhas do PT, ela é apontada como peça-chave na estrutura internacional de lavagem de dinheiro ligada ao esquema de fraudes em aposentadorias do INSS.
Segundo a investigação, Danielle mantinha vínculo direto com Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como líder do esquema bilionário.
Em mensagens interceptadas, o empresário se referia a ela como “sócia Portugal”, país onde a publicitária teria representado interesses do grupo e administrado recursos.
De acordo com a PF, Danielle operava a conexão entre o núcleo brasileiro do esquema e estruturas financeiras na Europa, especialmente em Portugal e na Alemanha. Caberia a ela negociar investimentos, formular propostas de aquisição de imóveis e gerir projetos fora do país.
Os investigadores apontam repasses superiores a R$ 13 milhões em favor da publicitária.
Por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Danielle foi submetida a medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e a entrega do passaporte.
Em sua decisão, Mendonça destacou as mensagens que reforçam o vínculo operacional.
A PF demonstra que DANIELLE recebe mensalmente valores enviados por ANTÔNIO e atua como intermediária em aquisições internacionais de ativos”, afirmou o ministro.
Marqueteira do PT
Danielle ganhou projeção nacional como marqueteira do PT. Fundadora da Pepper Comunicação Interativa, integrou a equipe de comunicação da campanha de Dilma Rousseff em 2010 e prestou serviços a campanhas de Fernando Pimentel e Rui Costa.
Em 2015, a agência foi alvo da Operação Acrônimo e da CPI do BNDES, que investigou contratos fictícios e repasses ilegais para campanhas petistas.
Na ocasião, Danielle firmou acordo de delação premiada e relatou esquemas de pagamentos disfarçados e operações no exterior. Após o escândalo, encerrou as atividades da agência e se afastou da vida pública.
Com o avanço da Operação Sem Desconto, ela voltou a ser investigada, desta vez como elo internacional do esquema atribuído ao “Careca do INSS”.
Defesa contesta versão
A defesa de Danielle alegou que os valores recebidos se referem à negociação de um imóvel em Trancoso, no sul da Bahia, avaliado em cerca de R$ 13 milhões.
Segundo os advogados, o pagamento seria parcelado, a transação não chegou a ser concluída e os valores teriam sido declarados à Receita Federal, com recolhimento de impostos.
A Polícia Federal, porém, considera a explicação inconsistente. Para os investigadores, há indícios de que a suposta venda do imóvel foi usada para ocultar a real natureza da relação entre Danielle e Antunes
Fonte: O Antagonista
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