Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 30 de junho de 2026

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu 12 vagabundos delinquentes durante uma operação deflagrada nas primeiras horas desta terça-feira (30) para desarticular uma associação criminosa especializada em crimes patrimoniais no interior de ônibus do transporte coletivo de Curitiba.

Com apoio aéreo de um helicóptero da PCPR, os policiais cumpriram 12 ordens de prisão preventiva e 27 de busca que resultaram na apreensão de celulares, cartões bancários em nome de terceiros e maquininhas de cartão. Os mandados tiveram como alvo endereços na cidade de Curitiba e em municípios da Região Metropolitana, abrangendo Piraquara, Pinhais, Campo Largo, Colombo e Fazenda Rio Grande, além de ramificações identificadas na cidade de Londrina. 

A operação é resultado de uma investigação da PCPR iniciada em fevereiro deste ano para apurar os crimes de associação criminosa, roubo, furto qualificado, estelionato e receptação. O trabalho investigativo foi pautado pela integração de inteligência com a Urbs (Urbanização de Curitiba), empresa responsável pela gestão do sistema de transporte coletivo da capital paranaense.

Após as oitivas de mais de 55 vítimas e de diligências de campo, a PCPR verificou que a dinâmica operacional do bando baseava-se em uma complexa engenharia da distração, com os suspeitos atuando geralmente em núcleos compostos por quatro a dez indivíduos, e que seus alvos majoritários eram pessoas idosas.

“Os criminosos provocavam deliberadamente tumultos e esbarrões nos momentos de maior aglomeração, como nos fluxos de embarque e desembarque. Em determinadas ocasiões, promoviam a queda deliberada de objetos ao chão para desviar totalmente a atenção do alvo”, explica o delegado da PCPR Thiago Mendes.

Enquanto parte do bando utilizava a superioridade numérica para realizar um cerco físico e anular a capacidade de percepção do alvo e de terceiros, o executor principal valia-se de anteparos como blusas ou moletons sobre o braço ou mochilas posicionadas à frente do corpo para camuflar a ação das mãos enquanto acessava bolsas e bolsos das vítimas.

Após a consumação da subtração, os indivíduos agiam de forma coordenada para dispersar rapidamente os bens furtados entre si, dificultando a configuração do flagrante em caso de abordagem policial isolada. No caso de aparelhos celulares, removiam o chip imediatamente para interromper a comunicação do dispositivo e dificultar o rastreamento pelas autoridades. 

“Além disso, de posse dos cartões bancários das vítimas, efetuavam múltiplos lançamentos e compras na modalidade por aproximação, limitando os valores a até R$ 199 para burlar a exigência de senha antes que os titulares pudessem efetuar o bloqueio de seus ativos”, complementa o delegado.

Em alguns episódios, integrantes do grupo operavam com máquinas de cartão portáteis para processar transações fraudulentas de forma instantânea. Além disso, utilizavam os cartões-transporte de isenção subtraídos das vítimas idosas para obter acesso livre e transitar pela rede de transporte público sem realizar o pagamento de tarifas. 

Cientes de que o sistema de transporte coletivo utiliza a biometria facial para auditar o uso de benefícios tarifários capturando fotografias do usuário em tempo real, os investigados passaram a adotar táticas deliberadas de ocultação para fraudar a fiscalização eletrônica. No exato momento da validação dos cartões nas catracas, obstruíam a lente da câmera posicionando a mão ou os dedos sobre ela, além de utilizar acessórios como bonés, capuzes e óculos escuros com o propósito de ocultar a face.

Apesar das tentativas de ocultação, a investigação chegou às identidades dos envolvidos por meio do compartilhamento de informações com a Urbs, que contribuiu com imagens de câmeras dispostas em estações-tubo, terminais e ônibus, somadas aos dados de biometria facial dos cartões transporte.

AEN – foto:

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