Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 1 de setembro de 2026

O escândalo dos “Diários Secretos” continua sendo uma das páginas mais constrangedoras da história política recente do Paraná.

As investigações revelaram a existência de funcionários fantasmas, movimentações financeiras suspeitas e desvios de recursos na Assembleia Legislativa.

Abib Miguel, o “Bibinho”, então diretor-geral da Assembleia, tornou-se um dos principais personagens do escândalo e posteriormente recebeu pesadas condenações judiciais.

Em 2025, firmou acordo com o Ministério Público do Paraná que envolveu o reconhecimento de responsabilidades e a devolução de R$ 258 milhões aos cofres públicos.

O tamanho desses números mostra a dimensão do problema.

E justamente por isso a sociedade tem o direito de perguntar aos políticos que integravam a estrutura de poder daquela época: onde estava a fiscalização?

NÃO É SOBRE CULPA CRIMINAL. É SOBRE RESPONSABILIDADE POLÍTICA.

Aqui está o ponto que não pode ser confundido.

Não se trata de atribuir automaticamente a Alexandre Curi os crimes praticados por outras pessoas.

A questão é política e institucional.

Quem ocupa posição de poder dentro de uma instituição pública precisa responder sobre a eficiência dos mecanismos de controle existentes durante sua gestão.

Se havia funcionários antigos, como frequentemente se argumenta, isso torna a pergunta ainda mais importante:

quem fiscalizava esses funcionários?

Se o sistema era vulnerável, por que não foi reformado?

Se havia suspeitas, por que não foram investigadas?

E se ninguém sabia de nada, como um esquema de tamanha dimensão conseguiu permanecer funcionando durante tanto tempo?

São perguntas incômodas.

Mas democracia também é feita de perguntas incômodas.

O CASO TRAIANO E A CONVENIÊNCIA DO “NÃO É MINHA COMPETÊNCIA”

Outro episódio que merece ser lembrado é o caso envolvendo o deputado Ademar Traiano, que admitiu ter recebido vantagem indevida e celebrou acordo com o Ministério Público.

Quando questionado sobre a situação e sobre eventual atuação política diante do episódio, a resposta de que não seria de sua competência pode até encontrar respaldo formal dependendo da atribuição específica analisada.

Mas existe uma diferença entre competência jurídica e responsabilidade política.

Um parlamentar pode não ser autoridade policial.

Pode não ser promotor.

Pode não ser juiz.

Mas é representante da população.

E espera-se de um representante público uma postura ativa diante de fatos que atingem a credibilidade da instituição à qual pertence.

O SOBRENOME KHURY E O PESO DA HISTÓRIA

A política paranaense também tem memória.

Alexandre Curi é neto de Aníbal Khury, um dos políticos mais influentes da história da Assembleia Legislativa do Paraná.

Khury exerceu enorme influência política no Estado durante décadas. Em 1969, durante o regime militar, teve o mandato cassado e os direitos políticos suspensos.

A trajetória de Alexandre Curi, portanto, não começou do zero.

Ele é herdeiro de uma tradição política que atravessa gerações.

Isso não significa que o neto seja responsável pelos atos do avô.

Mas significa que o eleitor tem o direito de conhecer e avaliar a história política que acompanha um candidato.

Sobretudo quando esse candidato pretende apresentar-se como alternativa para representar o Paraná em Brasília.

Jornal Curitiba News

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