Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 3 de novembro de 2021

Abiy Ahmed, que recebeu prêmio Nobel da Paz em 2019, por pacificar as relações entre Etiópia e Eritreia, enfrenta ataques de adversários políticas que usam o povo de Tigré como escudo.

O primeiro-ministro da Etíopia Abiy Ahmed recebeu em 2019 o Prêmio Nobel da Paz, por ser considerado um pacificador da região. Agora, ele está enfrentando guerra civil, incitada por grupo do ex-ditador que governou o país por decadas. A ideia dos adversário de Abiy é provocar desestabilização na região do Chifre da África.

Em novembro de 2020, Abiy ordenou uma ofensiva militar para proteger a região norte de Tigrè. A região é controlada pelo partido Frente de Libertação do Povo Tigré (FLPT) que governou o país por 30 anos, que são adversário político do presidente Abiy

Depois de um ano de conflito a região os confronos já deixou milhares de mortos, e desalojou mais de um milhões de pessoas, aumentou a fome.

A Etiópia já estava lutando contra significativos desafios econômicos, étnicos e políticos, porém com o conflito político cresce a escalada das hostilidades em outras áreas da Etiópia, e temores de que os combates em Tigré possam desencadear uma crise mais ampla com o potencial de separar o segundo país mais populoso da África.

Como o conflito começou?

O conflito de Tigré tem suas raízes em tensões que permeiam o país há gerações.

A Etiópia é composta por dez regiões e duas cidades que têm uma autonomia substancial. Os governos regionais estão amplamente divididos em linhas étnicas distintas e têm suas próprias polícias regionais e milícias. Na região de Tigré, além das forças locais, há ainda muitas tropas federais, que foram deslocadas para a região pelo governo central por conta de um conflito anterior com a vizinha Eritreia.

Antes de Abiy Ahmed a Etiópia era governada por uma ditadura do partido FLPT que governou a o país por décadas, com muitas denúncias de ataque a direitos civis e políticos básicos. Uma revolta popular acabou forçando Hailemariam Desalegn, o antecessor de Abiy, a renunciar.

Em 2018, Abiy foi nomeado com a missão de reduzir as tensões, mas sem derrubar a ordem política anterior. O primeiro-ministro, Abiy alterou a ordem política no país, mudando a correlação de forças dentro da Frente Revolucionária do Povo Etíope (FDRPE) que agia sobre controle do paritido FLPT.

As mudanças estratégicas, colocou no ostracismo o partido FLPT, que governou a Etiópia durante quase três décadas, foi colocado no ostracismo pelo atual presidente.

Abiy apostou em uma campanha pela construção de um novo partido político que integrasse toda a Etiópia, o que causou temores entre os membros da etnia tigré de que o sistema de autonomia dos estados estivesse sob ameaça. Os líderes políticos do FLPT que tem dominio no Tigré retiraram-se para a região montanhosa, no norte do País, de onde fazem ataques contra o governo.

Mas, em setembro de 2020, as tensões aumentaram quando os tigrés contrariaram a legislação, e determinaram eleições parlamentares regionais, adiadas pelo governo central devido à pandemia de Covid-19. Então membros do congresso etíope cortaram o financiamento para as atividades políticas da região de Tigré, desencadeando a escalada das tensões entre o governo federal e o governo regional.

A FLPT de atacar uma base do exército federal nos arredores da capital regional de Tigré, Mekelle, e tentar roubar suas armas. O governo ordenou um ataque militar contra o grupo rebelde, enviando tropas nacionais e combatentes da região vizinha de Amhara, junto com soldados da Eritreia.

O governo declarou a ofensiva bem sucedida, depois de três semanas, quando as forças do governo assumiram o controle de Mekelle e instalaram um governo interino. Mas, um ano depois, ainda há resistência dos antigos militantes do FLPT, e o conflito está longe de terminar.

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