Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 7 de maio de 2026

Lula aposta nas terras raras para reduzir tensão com Trump e reaproximar Brasil dos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Washington em meio a um dos momentos diplomáticos mais delicados entre Brasil e Estados Unidos nos últimos anos. O encontro com Donald Trump ocorre cercado de tensões ideológicas, disputas comerciais e divergências sobre segurança pública, narcotráfico e política internacional.

Nos bastidores de Brasília, a avaliação é de que Lula tentará usar a pauta econômica — especialmente o potencial brasileiro em minerais críticos e terras raras — como principal instrumento para amenizar o clima hostil e abrir uma nova etapa de negociações com os norte-americanos.

A reunião entre Lula e Trump também ocorre após meses de atritos diplomáticos. Durante os últimos anos, Lula fez críticas públicas à política externa de Trump e se posicionou em defesa de governos e grupos frequentemente contestados pelo Ocidente, como o regime de Nicolás Maduro e o líder iraniano Ali Khamenei. O governo brasileiro também rejeita a ideia defendida por setores norte-americanos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

Trump, por sua vez, mantém o discurso duro contra cartéis e narcotráfico, tema que se tornou uma das principais bandeiras de sua gestão. O republicano sustenta que o tráfico destrói famílias americanas, alimenta o crime organizado e amplia a crise de dependência química nos EUA. Já Lula, em declarações anteriores, afirmou que o problema das drogas também envolve a demanda dos consumidores, declaração que gerou críticas na mídia do mundo inteiro.

Apesar das divergências políticas e ideológicas, integrantes da diplomacia brasileira acreditam que Lula tentará explorar sua capacidade de articulação para transformar o encontro em oportunidade econômica. A estratégia seria demonstrar disposição para cooperação em áreas estratégicas, como minerais críticos, segurança energética e comércio bilateral.

As chamadas “terras raras” se tornaram estratégicas para as grandes potências mundiais por serem fundamentais na produção de tecnologias de ponta, como veículos elétricos, baterias, semicondutores, equipamentos militares, turbinas eólicas e sistemas aeroespaciais. O Brasil possui uma das maiores reservas do planeta, enquanto os EUA buscam reduzir sua dependência da cadeia dominada pela China.

O tema das terras raras ganhou ainda mais relevância após a empresa norte-americana USA Rare Earth anunciar a compra da mineradora Serra Verde, em Goiás, considerada peça importante na cadeia global desses minerais. A operação reforçou o interesse dos EUA em garantir acesso aos recursos brasileiros.

Mesmo sem expectativa de grandes anúncios imediatos, o encontro é visto como decisivo para medir até onde Lula e Trump estão dispostos a deixar as diferenças ideológicas de lado em nome de interesses econômicos e estratégicos. Para os dois governos, o desafio agora é transformar um ambiente de desconfiança mútua em uma relação pragmática capaz de beneficiar as duas maiores economias do continente americano.

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