Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 3 de maio de 2026

A liberdade de imprensa não é apenas um direito fundamental — é um dos pilares que sustentam qualquer regime democrático. Sem a garantia de expressão livre e plural, não há espaço para o debate, a fiscalização do poder ou a formação de uma sociedade consciente e participativa.

O pensamento iluminista ajuda a compreender essa relação. O filósofo francês Voltaire é frequentemente associado à defesa da liberdade de expressão. A célebre frase “posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo” tornou-se símbolo desse ideal. No entanto, historicamente, a citação não foi dita diretamente por ele, mas sim pela escritora britânica Evelyn Beatrice Hall, em sua obra Os Amigos de Voltaire, como uma síntese do pensamento do filósofo.

Ainda assim, o princípio permanece atual: a convivência democrática exige tolerância ao contraditório. No ambiente político e também no judiciário brasileiro, porém, essa tolerância nem sempre se confirma na prática. Processos e tentativa de calar, retaliar ou intimidar o profissional de imprensa se tornou normal para aqueles que deveriam defender a liberdade de imprensa. Opiniões divergentes e críticas costumam ser recebidas com resistência, especialmente por estruturas de comunicação, que deveriam atuar como pontes entre o poder e a sociedade.

Assessores de imprensa, cuja função central é preservar a imagem pública de seus representados, muitas vezes acabam ultrapassando esse papel. Em alguns casos, transformam-se em defensores incondicionais, sem perceber se tornam bajuladores, adotando posturas que limitam o debate e enfraquecem a liberdade de expressão — elemento essencial ao funcionamento democrático.

A própria trajetória de Voltaire evidencia os riscos enfrentados por quem ousa criticar o poder. O pensador foi preso na Bastilha em 1717, permanecendo detido por mais de um ano, além de ter sido posteriormente exilado na Inglaterra. Ainda assim, manteve sua defesa da razão, do pensamento crítico e do avanço científico como caminhos para o progresso social.

Para Voltaire, a evolução da sociedade dependia diretamente do fortalecimento da razão e do incentivo à ciência e à tecnologia — elementos que caminham lado a lado com a liberdade de expressão. Sem imprensa livre, não há circulação plena de ideias; sem ideias, não há progresso.

Em tempos de polarização e disputas narrativas, reforçar o compromisso com a liberdade de imprensa é mais do que necessário — é essencial para preservar a própria democracia.

por jornalista Carlos Bahia – Imagem – ChatGTP e Curitiba News

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