Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 22 de julho de 2024

A democracia pressupões pluralidade e a aceitação do controverso são condição “sine qua non“ para o crescimento e desenvolvimento de uma sociedade livre que se pretende civilizada e moderna

No programa Estúdio I, da Globonews, na última quarta-feira (17), o experiente jornalista Valdo Cruz se manifestou de forma completamente atabalhoada sobre os memes do ministro Fernando Haddad, que literalmente ganharam o mundo, já que reproduzidos até mesmo em um telão na Times Square, em Nova York.

Valdo, na prática, defendeu censura e até mesmo punição judicial aos criadores e distribuidores das peças divertidíssimas e supercriativas que não param de circular pelas redes sociais. Para o jornalista, trata-se de um ataque orquestrado e financiado por interessados em manchar a imagem do ministro da Fazenda, o que ensejaria crime.

Tão logo terminada a tese aloprada – e pra lá de confusa -, Valdo foi pronta e elegantemente combatido por Merval Pereira, que, visivelmente constrangido, teve de explicar ao colega o quão absurdas eram suas colocações. Aparentemente, Merval esforçou-se para não rir durante sua fala, tamanha a surrealidade do que ouvira.

Corrente do mal

Um quadro de variedades como aquele serve justamente para despertar o debate na audiência e, pela repercussão do caso, o objetivo foi alcançado. Infelizmente, contudo, a má-fé ideológica, mais uma vez, entrou em cena.

A partir de “recortes” das besteiras proferidas por Valdo em defesa do “Homem Taxa”, também conhecido como Fernando “Taxadd” – brincadeirinha, Valdo! Não vá colocar o Xandão contra mim, não, hein. Please! -, vídeos com o título “Globolixo quer censurar memes”, passaram a circular freneticamente, sobretudo nos grupos de bolsonaristas.

Eu repudio, também, atitudes assim. Mormente porque é mentira; a Globo não quer nada. Quem quer é um jornalista da emissora, assim como o outro, não. Quem fala em nome dos veículos de comunicação são ou seus proprietários ou seus editoriais. Nunca colunistas e comentaristas. Esse tipo de desqualificação da imprensa é nocivo à sociedade.

Abandonem as cavernas

A pluralidade e a aceitação do controverso são condições “sine qua non“ para o crescimento e desenvolvimento de uma democracia que se pretende civilizada e moderna. Sem debate – e embate – não há reflexão, não há análise, não há conclusão. Só há imposição. Pensamento único e voz única são antagônicos à liberdade de expressão.

Se a imprensa não presta, quem presta, então? O zap da tia? O Grupo Tiro, Porrada e Bomba? É tão difícil, assim, voltar a dedicar mais que dois neurônios e dois segundos para ler, ver e ouvir um conteúdo inteiro, e depois refletir e conversar a respeito?

Já não se leem livros, não se frequentam grupos de estudos, não se reúnem em debates. Tudo se resume a scrollings frenéticos por vídeos de TikTok, equivalentes a meia tonelada de alfafa bichada. No máximo, a manchetes sensacionalistas. Com muita paciência e algum interesse, a leitura do subtítulo também. Isso é ruim. É desesperançoso. Precisamos mudar. Fonte: O Antagonista – Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

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