Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 9 de dezembro de 2024

A presidente do PT foi enfática ao criticar propostas de ajuste fiscal que considera contrárias aos valores históricos da sigla. Entre as medidas mencionadas como inaceitáveis estão o fim do aumento real do salário mínimo, a desvinculação do mínimo da aposentadoria e dos benefícios sociais, e a redução dos pisos da Saúde e Educação. “O que o mercado está pedindo é negar tudo aquilo que nós defendemos historicamente”, reforçou.

Fato é que, o aumento do salário-mínimo vinculado as aposentadorias, pode onerar a previdência social, razão pela qual a desvinculação poderá elevar o valor do salário-mínimo e aumenta o poder de compra do trabalhador. Contudo, todas as regras devem ser ponderadas e justas, dentro do princípio da equidade, portanto, o governo deveria proteger os aposentados que recebem até o limite do INSS, ou seja, R$ R$ 7.786,02 ou desvincular os benefícios acima de 10 mínimos, por exemplo.

247 – Em entrevista ao jornal O Globo, a deputada Gleisi Hoffmann, presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), alertou sobre os riscos de uma mudança de orientação política em direção ao centro, defendida por alguns setores do partido. “Já tentaram matar o PT e não conseguiram. Não podem pedir agora que o PT se suicide, rompendo com a base social que nos trouxe até aqui”, afirmou. Gleisi, que está em seus últimos meses à frente da sigla após sete anos de gestão, reforçou que o partido deve manter-se fiel aos seus princípios de esquerda.

A dirigente também destacou o papel central do presidente Lula para as eleições de 2026, descartando comparações com a idade avançada de outros líderes, como o americano Joe Biden. “Quem conhece o Lula sabe que não tem nenhuma semelhança com o Biden. O Lula está bem, disposto, é uma pessoa ativa”, declarou.

Questionada sobre a sucessão no comando do PT, Gleisi afirmou que ainda não há um nome definido, mas ressaltou a importância de um debate político interno para qualificar o futuro líder do partido. Quanto às alianças para 2026, destacou que o cenário será semelhante ao de 2022, com a possibilidade de ampliação da base atual, que inclui partidos que não apoiaram Lula na última eleição. “Se elas não vierem por inteiro, pelo menos parte delas, ampliando a frente de 2022”, disse.

Sobre possíveis reformas ministeriais, Gleisi defendeu que mudanças no governo devem ser conduzidas com base na necessidade de resultados e fortalecimento político. Ela também reiterou a importância de arquivar o projeto de anistia e revisar o artigo 142 da Constituição, usado de forma distorcida por bolsonaristas para defender intervenções militares. “Nunca podemos esquecer o passado. Fomos muito lenientes com a ditadura militar. As pessoas não foram punidas”, argumentou.

COMUNICAÇÃO

Gleisi reconheceu que o governo precisa melhorar sua comunicação para refletir avanços como o crescimento do PIB, a redução do desemprego e o aumento da renda. “A sensação da sociedade, ou a construção dessa sensação, não reflete isso. Precisa de um empenho maior de comunicação e político”, destacou. [O partido cresceu e não renovou, se afatou das comunidades e bairros nas cidades, perdeu o espaço nas mídias locais].

Segundo Gleisi o risco do retorno do Jair Bolsonaro ainda é eminente, ele continua sendo visto como o principal adversário do PT. “É a extrema direita como um todo, mas ele é a grande liderança. Acho que vai tentar se candidatar, está dizendo isso. Vai depender do fortalecimento das instâncias da democracia para não deixar isso acontecer”, concluiu. Fonte: 247Brasil. Gleisi Hoffmann (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

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