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A soprano Ornella de Lucca e a mezzosoprano Luiza Girnos, acompanhadas de violino e piano, apresentam peças como as de Gounod e Schubert e outras menos conhecidas
Dez diferentes versões musicais da oração Ave Maria compõem o programa do concerto em comemoração à Festa da Glória, que ocorre ao meio-dia do próximo sábado (15/8), na Capela da Glória, no bairro Alto da Glória. Entre as composições estão as mais famosas, como as de Franz Schubert, Charles Gounod e Giulio Caccini, e outras menos conhecidas, incluindo peças contemporâneas que demonstram que a música erudita não cessa de buscar inspiração em temas sacros.
As peças serão interpretadas pela soprano curitibana Ornella de Lucca e pela mezzosoprano Luiza Girnos, com acompanhamento de Juliane Weingartner ao violino e André Schmidt no piano.
As duas primeiras peças do concerto são duetos com as duas cantoras. A abertura é com a Ave Maria em Mi Maior do compositor e organista francês Camille Saint-Säens, seguida pela versão de Schubert.
Depois, Luiza interpreta a Ave Maria de Pietro Mascagni – originalmente, uma adaptação vocal e sacra do intermezzo orquestral da obra mais conhecida de Mascagni, a ópera Cavalleria Rusticana. Na sequência, ela canta três outras versões: a do compositor gibraltarino William Gomez, a conhecida Ave Maria de Gounoud e a da georgiana Nunu Gabunia, a única do programa composta por uma mulher.
Depois, Ornella interpreta duas versões do italiano Giuseppe Verdi. A primeira faz parte de um conjunto de quatro peças sacras que o compositor escreveu em 1898. A segunda é uma ária da ópera Otello, de 1887, cantada pela personagem Desdêmona momentos antes de ela ser morta pelo marido, Otello. Ornella canta também a versão de Caccini antes do encerrar o concerto com a peça contemporânea de Robert Prizemann.
Para Ornella, é um privilégio mostrar ao público peças pouco conhecidas, em especial em um espaço como a Capela da Glória, cuja acústica é privilegiada. “Estou adorando!”, disse.
Ciclo do Mate
A Capela da Glória foi construída em 1896 e faz parte de um conjunto de construções do século 19 naquela região da cidade, como o Palacete dos Leões e o vizinho Solar da Glória. São edifícios da época conhecida como o Ciclo do Mate.
A tradição da festa começou no ano seguinte à construção da Capela da Glória. Ocorre sempre no dia 15 de agosto, consagrado no calendário católico à solenidade da Assunção de Nossa Senhora.
Segundo os registros históricos, a capela foi erguida por Maria Dolores Leão em memória do marido, o italiano Francisco Fasce Fontana, que fez fortuna no Uruguai e no Brasil com o comércio de erva-mate. O interior mantém altares de inspiração neoclássica e imagens sacras francesas originais, preservadas há mais de um século. SECOM foto: Lucilia Guimarães
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