O mundo está na expectativa de uma possível guerra no Oriente Médio com envolvimento de vários países contra Israel. O Irã na última década potencializou sua central nuclear, além de reforçar a indústria bélica, com produção em larga escala de mísseis e drones. que abastecem a Rússia e grupos terroristas.
Israel coloca em ação o plano de aniquilar o projeto nuclear do Irã, que tinha como meta armas atômicas de destruição em massa.Os bombardeios de Israel contra a centrais nucleares, instalações militares e cidades iranianas, iniciaram na última quinta-feira (12), quando venceu o prazo de 60 dias para acordo de não produção de armas nucleares.
O professor de Geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG) Ronaldo Carmona ressalta que Israel encontrou uma janela de oportunidades para debilitar o Irã, mesmo com dificuldades internas no governo de Benjamin Netanyahu. .
Eixo de resistência
Em relação ao Irã, o professor relembra que o país comanda há décadas o eixo de resistência islâmica com abastecimento de armas e munições a grupos terroristas contra Israel. “O eixo de resistência é exatamente esse conjunto de forças islâmicas aliadas, lideradas por lider do Irã, que inclui, o Hamas, o Hezbollah, os houthis no Iêmen, milícias iraquianas e incluía o antigo governo sírio de Bashar al-Assad. Isso perdurou por décadas”, ressalta.
“A destruição da capacidade do Hezbollah no sul do Líbano e, posteriormente, em combinação com a Turquia um movimento que derrubou o governo de Assad na Síria”, disse.
O Irã ficou combalido com o contra-ataque que recebeu das forças israelenses, e ainda perdeu em 2024, o seu presidente, que também era o líder e mentor das ações bélicas anti-Israel.
“Tudo isso criou uma janela de oportunidades para Netanyahu agir enquanto está enfraquecido internamente”, acrescenta.
Capacidade nuclear
A causa principal do conflito atual, é o programa nuclear iraniano e a resolução aprovada na quinta-feira (12) pelo Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Segundo o texto aprovado, o Irã não cumpriu com suas obrigações de salvaguardas que permitem à agência inspecionar as instalações para garantir que não estão sendo desenvolvidas armas atômicas.
Conforme o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, o Irã estaria enriquecendo urânio a 60% e teria um estoque de 400 quilos de urânio enriquecido. A resolução foi aprovada pela maioria dos 35 países.
Um dia depois, na sexta-feira (13), Israel atacou o país persa danificando instalações nucleares e fábricas de armamentos, eliminando altos militares e cientistas responsáveis pelo projeto de armas nucleares. O Irã prometeu aniquilar Israel, agravando a crise no Oriente Médio.
Guerra de versões
Israel alega que Irã está construindo bombas atômicas, que poderiam ser usadas contra Tel Aviv e outros inimigos. O Irã nega e sustenta que usa tecnologia atômica apenas para fins pacíficos, como a produção de energia.
Israel é um dos poucos países do mundo que não assinaram o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), contudo, não oferece ameação aos inimigos.
Por outro lado, o Irã é signatário do TNP e nega que tenha violado compromissos com a AIEA, porém, não aceita auditoria e vistoria em seu complexo nuclear.
O governo do Irã acusa a agência AIEA de realizar uma campanha política a favor de Israel: “politicamente motivada” e guiada por Grã-Bretanha, França, Alemanha e Estados Unidos, “sob influência de Israel”.
O jornalista político Bruno Lima Rocha, com viés pró Irã, menciona que “A AIEA tem mais visitas ao Irã do que todos os países somados“…“Quem nunca assinou o TNP e nunca foi fiscalizado é Israel. O general Colin Powell, que comandou a guerra no Iraque [em 2003] e era de confiança da Família Bush, diz que Israel deve ter cerca de 200 ogivas [nucleares] com mísseis”, acrescenta. Fonte: Agência Brasil –
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