Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 30 de setembro de 2026

A disputa pelo paraná deixa as propostas em segundo plano

Moro, Requião Filho e Sandro Alex protagonizam confronto marcado por ataques, acusações e respostas duras — enquanto o eleitor espera saber, afinal, qual Paraná cada candidato pretende construir

O último debate entre os candidatos ao Governo do Paraná, realizado pela RPC nesta terça-feira (29), expôs uma campanha que entrou definitivamente na fase do confronto. Sergio Moro (PL), Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD) ficaram frente a frente em um ambiente de forte tensão c provacações entre os candidatos, no qual a estratégia pareceu, muitas vezes, resumir-se a uma velha máxima da política: a melhor defesa é o ataque.

O debate foi importante porque revelou não apenas as diferenças entre os três candidatos, mas também o tamanho da disputa pelo eleitorado paranaense. Moro entrou no estúdio carregando a liderança das pesquisas; Sandro Alex defendendo o legado do grupo político que governa o Estado; e Requião Filho tentando transformar a eleição em um julgamento do modelo administrativo implantado nos últimos anos.

E foi justamente aí que o debate ganhou temperatura.

MORO NO CENTRO DO TIROTEIO

Sergio Moro foi o principal alvo dos ataques. Sandro Alex questionou a possibilidade de o senador deixar o mandato para assumir o Governo do Paraná caso seja eleito e voltou a explorar episódios da trajetória política de Moro, especialmente sua relação com Jair Bolsonaro e sua passagem pelo governo federal, e acusou de traidor.

Moro reagiu com ironia e procurou transformar os ataques em argumento eleitoral. Em determinado momento, afirmou compreender o que classificou como “desespero” de seu adversário, associando os ataques à posição de Sandro nas pesquisas em terceiro colocado.

A troca mostrou uma característica cada vez mais evidente da eleição: quanto maior a distância entre Moro e seus adversários nas pesquisas, maior parece ser a pressão para desconstruir sua imagem eleitoral.

Na pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 28 de setembro, Moro aparece com 46,2% das intenções de voto, enquanto Requião Filho tem 23,6% e Sandro Alex, 21,5%. Na contabilização só dos votos válidos, excluindo branco e nulo, a pesquisa projeta primeiro turno para Moro, com 50,1% das intenções de voto. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais, colocando Requião e Sandro em situação de empate técnico.

Mas pesquisa não é eleição. E o debate deixou isso muito claro.

A “TRAIÇÃO” QUE VOLTOU AO PALANQUE

Um dos momentos mais duros ocorreu quando Sandro Alex voltou a acusar Moro de ter traído Bolsonaro.

A acusação está relacionada, entre outros episódios, à votação da indicação de Flávio Dino ao Supremo Tribunal Federal. O registro oficial do Senado confirma que a indicação de Dino foi aprovada por 47 votos a 31, com duas abstenções, em dezembro de 2023. O registro da votação secreta na CCJ também registra a participação de Sergio Moro.

Moro, por sua vez, sustenta outra interpretação de sua trajetória política e afirma que rompeu com o governo Bolsonaro por razões políticas e institucionais. No debate, também procurou lembrar que votou contra outras indicações feitas pelo governo Lula.

A discussão revela algo maior do que uma simples divergência entre candidatos: o passado político de Moro continua sendo uma das principais armas utilizadas por seus adversários para tentar atingir sua candidatura.

Moro, entretanto, escolheu a proposta de fazer uma governo de combate à corrupção, enfrentamento ao crime organizado e oposição ao governo Lula.

O eleitor terá de decidir qual dessas narrativas considera mais convincente.

Sandro Alex e Requião Filho

O confronto direto entre Requião Filho e Sandro Alex, é pela disputa da segunda colocação com possibilidade de disputar no segundo Turno.

Sandro Alex no confronto com Requião Filho, disse que o PDT/PT quer acabar com a escolas e universidades. Além de acusar o presidente do seu partido (PDT) Luiz Carlos Lupi, de responsável pela corrupção e fraudes no INSS.

Sandro Alex no confronto com Requião Filho, disse que o PDT/PT quer acabar com a escolas e universidades. Requião disse que a realidade do Paraná, não cndiz com a propaganda do governo Ratinho Junior.

Requião responderu que a narrativa é falsa, apenas vai propor modelo diferente de educação, porque de cada 10 professores, 9 não estão contente com o sitema cívico-militar.

SANDRO ALEX DEFENDE O LEGADO DE RATINHO

Sandro Alex entrou no debate com uma missão diferente: defender o governo Ratinho Junior e apresentar a continuidade administrativa como argumento eleitoral.

O candidato do PSD destacou obras de infraestrutura, a Ponte de Guaratuba e resultados apresentados pelo governo na área da educação, incluindo o modelo de escolas cívico-militares.

A estratégia é clara: transformar os resultados da atual administração em capital eleitoral.

Mas essa mesma estratégia abre uma pergunta inevitável: até que ponto a eleição de 2026 será uma escolha entre continuidade e mudança?

Essa é uma das questões centrais da disputa. O governador Ratinho Junior diz ter aprovação satisfatória, porém, não consegue transferir essa aprovação ao seu candidato.  

Sandro precisa convencer o eleitor de que o Paraná deve continuar no mesmo caminho. Seus adversários, por outro lado, precisam demonstrar que existe uma alternativa capaz de substituir esse modelo, sem colocar em risco aquilo que funciona.

REQUIÃO FILHO ATACA O MODELO DO GOVERNO

Requião Filho escolheu outro caminho.

O candidato do PDT transformou o debate em uma espécie de prestação de contas do governo Ratinho Junior. Criticou privatizações e concessões, questionou decisões tomadas na área de infraestrutura e voltou a defender uma visão de Estado mais presente na economia e nos serviços públicos.

No embate com Sandro Alex, a discussão ganhou contornos ainda mais pessoais e familiares, com referências à trajetória política da família Requião e acusações envolvendo antigos episódios administrativos com o tio Eduardo Requião investigado e acusado de receber propina pelo Ministério Público quando era superintendente do Porto de Paranaguá.

Requião respondeu deslocando o debate para a Copel que foi privatizada pelo governo Ratinho Junior, e, aponta o aumento de 30% na tarifa que já são pesadas para o consumidor e produtores rurais, segundo sua avaliação, do modelo de gestão adotado pelo atual governo.

Nesse ponto, a eleição deixa de ser apenas uma disputa entre três candidatos e passa a representar três visões diferentes de Paraná.

TRÊS CANDIDATOS, TRÊS CAMINHOS

Moro representa uma candidatura fortemente associada ao discurso de combate à corrupção, segurança pública e oposição ao governo Lula.

Sandro Alex representa a continuidade do grupo político que administra o Paraná e procura apresentar as obras e resultados do atual governo como justificativa para permanecer no comando.

Requião Filho resgata a tradição política da família Requião e apresenta-se como alternativa ao modelo atual, e promete uma administração mais social e progressista, com tarifas mais humanizadas para os consumidores dos serviços públicos, que é o papel do Estado.

São três trajetórias diferentes.

E justamente por isso a eleição promete ser muito mais complexa do que uma simples disputa de nomes.

O QUE FICOU FALTANDO?

O problema é que, em meio aos ataques, algumas das perguntas mais importantes para o futuro do Paraná ficaram em segundo plano.

Como enfrentar o crime organizado?

Como melhorar a segurança nas cidades e no campo?

Como reduzir filas na saúde?

Como ampliar a qualidade da educação?

Como atrair investimentos sem comprometer o patrimônio público?

Como melhorar a infraestrutura sem aumentar excessivamente a carga sobre o contribuinte?

Como preparar o Paraná para os próximos 20 anos?

Essas perguntas interessam muito mais ao cidadão comum do que as acusações trocadas entre candidatos.

O eleitor não votará para escolher quem sabe atacar melhor. Votará para escolher quem pretende governar com inteligência, competência e combate ao crime organizado e a corrupção.

E essa diferença pode ser decisiva.

A ELEIÇÃO AINDA ESTÁ ABERTA

A diferença entre os levantamentos serve também como lembrete: pesquisa é fotografia, não sentença final.

O jogo eleitoral termina na urna e o resulta vai apresentar a escolha dos eleitores.

E talvez seja justamente por isso que o debate da RPC tenha sido tão importante. Porque quando os candidatos deixam de falar apenas para suas próprias torcidas e ficam frente a frente, o eleitor consegue enxergar não apenas o que cada um promete, mas também como cada um reage quando é pressionado.

No fim, a tensão do debate revelou uma eleição que ultrapassou a simples escolha de um governador.

De um lado, a promessa de continuidade.

De outro, a proposta de mudança.

No meio, um eleitor paranaense que observa, compara e espera respostas.

O povo paranaense é por formação de grande maioria conservadora, talvez seja esse o motivo de as pesquisa mostra resultado com certo favoritismo ao senador Sergio Moro, que representa propostas de maiores investimentos na saúde, o combate a Corrupção e ao crime organizado.

A campanha pode até ser marcada pelo ataque. Mas a decisão, inevitavelmente, será do eleitor.

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