Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 28 de outubro de 2026

A decisão de Cristiano Zanin interrompeu temporariamente a totalização dos votos em 25 de outubro. O TSE confirmou a suspensão e a retomada prevista para as 19h. Nos bastidores de Curitiba, a pergunta é direta: como foram preservados, processados e controlados os resultados das seções que já haviam encerrado a votação?

CURITIBA NEWS | BOCA MALDITA

Nos cafés da tradicional Boca Maldita, em Curitiba, a discussão sobre o resultado das eleições presidenciais de 2026 ganhou um novo capítulo. Não se trata apenas dos votos registrados depois das 17 horas, mas de uma sequência de acontecimentos que merece explicações públicas: urnas encerradas, boletins emitidos, divulgação iniciada, decisão judicial ampliando o horário da votação e suspensão temporária da totalização nacional.

A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou inicialmente a extensão da votação até as 19 horas em todo o país. Posteriormente, o próprio ministro esclareceu que a medida deveria alcançar somente as seções em que as urnas ainda não haviam sido fechadas.  No entanto, não foi o que aconteceu. A determinação foi estendida em todo território nacional.

O TSE informou que a totalização foi suspensa às 17h06, quando 1.225 das 499.248 seções eleitorais constavam como apuradas, e que a retomada ocorreria às 19 horas. Contudo, 85% das urnas fechadas estavam em trânsito durante essas duas horas de paralização.

É nesse intervalo que surgem as perguntas que precisam ser respondidas.

Onde estavam os dados durante a suspensão?

Se milhares de seções já haviam encerrado os trabalhos e emitido seus boletins de urna, quais procedimentos foram adotados para preservar os registros e assegurar a continuidade da totalização?

Os dispositivos de armazenamento utilizados na operação eleitoral permaneceram nas seções, foram encaminhados aos tribunais regionais ou já haviam sido substituídos pela transmissão eletrônica dos resultados? Qual foi o fluxo efetivamente utilizado em cada situação?

É importante esclarecer um ponto técnico: os chamados pendrives são mídias de resultado utilizadas no processo eleitoral, mas não se pode presumir que todos tenham sido recolhidos pelo TSE ou encaminhados ao STF. A localização e a custódia de cada mídia precisam ser verificadas por meio dos registros oficiais.

A pergunta jornalística, portanto, não é afirmar que houve desaparecimento, troca ou manipulação de dados. É exigir transparência sobre a cadeia de custódia, os procedimentos de transmissão e a preservação dos boletins emitidos pelas urnas já encerradas.

Por que a divulgação foi interrompida?

O TSE confirmou que a decisão judicial provocou a suspensão temporária da totalização e que os procedimentos foram retomados às 19 horas. O próprio Tribunal reconheceu a necessidade de adaptações operacionais para cumprir a determinação.

Mas permanece uma questão relevante: por que a divulgação pública precisou aguardar o encerramento do novo prazo, mesmo havendo seções que já haviam concluído a votação?

A resposta exige distinguir duas operações: a divulgação dos resultados já totalizados e a conclusão da totalização nacional. É tecnicamente possível que os dados de seções encerradas estejam disponíveis antes que todas as demais sejam processadas. A interrupção da divulgação, por si só, não comprova que os dados tenham sido alterados ou que votos tenham sido manipulados.

Ainda assim, a sociedade tem o direito de conhecer a justificativa técnica para a suspensão, os procedimentos executados durante o intervalo e os controles utilizados para assegurar a integridade dos resultados.

E os 85% das urnas que já estariam fechadas?

A informação de que aproximadamente 85% das urnas já estariam fechadas às 17 horas precisa ser confrontada com dados oficiais. Sem uma fonte documental que confirme esse percentual, ele deve permanecer identificado como uma informação a verificar, e não como um número definitivamente comprovado.

O mesmo vale para a quantidade de votos processados durante o intervalo em que a divulgação esteve suspensa. É necessário conhecer o total de boletins recebidos, os registros de processamento, os horários de transmissão e os dados efetivamente incorporados à totalização antes e depois das 19 horas.

Essas informações permitiriam reconstruir a cronologia e verificar se houve apenas uma suspensão operacional da divulgação ou se existiram outras ocorrências que demandem investigação.

A credibilidade se constrói com respostas, não com suposições

A controvérsia não deve ser usada para declarar fraude sem provas, tampouco para afastar perguntas legítimas em nome da confiança institucional.

Uma eleição exige regras previsíveis, procedimentos auditáveis e transparência. Quando uma decisão extraordinária interfere no andamento da votação e interrompe temporariamente a divulgação dos resultados, esclarecer o que aconteceu é uma obrigação das instituições envolvidas.

A Boca Maldita continuará sendo espaço para o debate político. Ao Curitiba News cabe transformar as conversas de bastidores em perguntas verificáveis e cobrar documentos, explicações e prestação de contas.

A pergunta que fica é simples: quais registros demonstram onde estavam as mídias de resultado, como foram preservados os boletins das urnas já encerradas e quais operações foram realizadas durante o intervalo entre a suspensão e a retomada da totalização?

Não se trata de antecipar uma condenação. Trata-se de exigir transparência sobre um episódio que afetou a divulgação dos resultados de uma eleição nacional.

Porque a confiança pública não se exige por decreto. Conquista-se com procedimentos claros, fiscalização e respostas documentadas.

Curitiba News — Boca Maldita

Veja Também