Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 23 de agosto de 2026

Mudanças bruscas nos números provocam comentários e desconfiança entre frequentadores do tradicional ponto político de Curitiba.

A política paranaense tem um lugar onde pesquisa eleitoral, estratégia de campanha e bastidores costumam se misturar ao cafezinho e à conversas informais e francas: a tradicional Boca Maldita, no centro de Curitiba.

Conhecida há décadas como uma espécie de termômetro informal da política paranaense, a Boca Maldita voltou a ser palco, nesta semana, de comentários sobre as pesquisas eleitorais e, principalmente, sobre a velocidade com que alguns candidatos aparecem subindo nas sondagens.

Entre os frequentadores, uma frase ganhou força: “pesquisa não ganha eleição”.

A avaliação é de que existem pesquisas para diferentes gostos e interpretações e que o eleitor não necessariamente acompanha os números apresentados pelos institutos. O que realmente chama a atenção, segundo os comentários ouvidos na tradicional roda política, são as mudanças consideradas abruptas entre uma pesquisa e outra.

O “salto” de Alexandre Curi

O caso que mais provocou comentários foi Alexandre Curi (Republicanos), estranhamente aparecer em segundo na pesquisa feita por um instituto que ninguém conhece.

Segundo os fequentadores da Boca Maldita, no mês de maio numa pesquisa espontânea, da Paraná Pesquisas, o mesno candidato (Alexandre Curi) aparecia em quarto lugar, com 2,6% das intenções de voto.

Já em outra pesquisa da Quest, realizada no final de julho, apresentaria Curi com 10%, empatado com Gleisi Hoffmann, Deltan Dallagnol e Filipe Barros, o que também é estranho, pelo fato que Dallagnol, aparece na maioria das pesquisas com o dobro do segundo lugar.

Na sequência, a Real Time Pesquisa teria apresentado um cenário ainda mais favorável ao deputado: 17%, colocando Curi numericamente em segundo lugar, ao lado de Filipe Barros. No mesmo levantamento, Deltan Dallagnol apareceria na liderança, com 19%, seguido por Gleisi Hoffmann, com 15%, e Cristina Graeml, com 13%. Vale lembrar, que mais de 80% dos municípios paranaense não foram pesquisados. 

A diferença entre os números provocou a pergunta que circula entre os frequentadores da Boca:

O que aconteceu de tão relevante, em tão pouco tempo, para provocar uma mudança tão expressiva no desempenho de determinados candidatos?

A pergunta, por enquanto, permanece sem resposta.

Dallagnol também é destaque

Se existe um fato político recente que poderia provocar alguma alteração no cenário seria a favor de Deltan Dallagnol, com a decisão que confirmou sua elegibilidade.

Fato é que o crescimento do candidato do governo apresentado desperta questionamentos entre os observadores da política paranaense.

“Pesquisa não ganha eleição”

Na Boca Maldita, a máxima continua sendo repetida:

“Pesquisa não ganha eleição.”

O eleitor é quem decide, e a história política do Paraná possui inúmeros exemplos de candidatos que apareceram bem nas pesquisas e terminaram derrotados nas urnas — assim como candidatos considerados azarões que conseguiram crescer na reta final.

Por isso, os frequentadores da Boca defendem que os números sejam analisados com cautela, principalmente quando há diferenças expressivas entre levantamentos realizados em períodos próximos.

O tamanho da amostra entra na discussão

Um dos questionamentos apresentados na Boca Maldita diz respeito à abrangência territorial das pesquisas.

No caso citado pelos frequentadores, a Paraná Pesquisas teria realizado entrevistas em 65 municípios, dentro de um universo de 399 municípios paranaenses.

Isso não significa, por si só, que a pesquisa seja inválida. Institutos de pesquisa utilizam métodos estatísticos para selecionar amostras capazes de representar uma população muito maior. A verdade é que nesta amostra ficaram de fora das pesquisa 80% dos municipios paranaenses.

É justamente essa diferença que alimenta a discussão na Boca Maldita.

A eleição ainda está aberta

O cenário eleitoral do Paraná está longe de ser definido. Os números das pesquisas podem oscilar, candidatos podem crescer ou perder espaço e fatos políticos podem alterar a percepção do eleitor.

Na avaliação dos frequentadores da Boca Maldita, entretanto, o eleitor precisa olhar para além dos percentuais.

Mais importante do que saber quem está subindo ou descendo na pesquisa é entender por que os números estão mudando.

E essa talvez seja a principal lição deixada pelo debate desta semana na Boca Maldita: pesquisa pode medir um momento, mas não consegue antecipar o resultado de uma eleição.

Até outubro, muita coisa ainda pode acontecer.

E, como dizem os velhos frequentadores da Boca, a verdadeira pesquisa será feita no dia da eleição, quando o eleitor estiver sozinho diante da urna.

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