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De fato, na segunda-feira, o governo Biden divulgou uma nova rodada de sanções visando o apoio “ilícito” à indústria petrolífera iraniana, que já está sob sanções esmagadoras. E há indicações de que o “tempo de fuga” – o tempo necessário para o Irã produzir material físsil suficiente para uma arma nuclear – encolheu para quase zero.
Se o Irã testar ou mesmo exibir a capacidade de testar uma arma nuclear, seu arqui-inimigo, a Arábia Saudita, já indicou que fará tudo ao seu alcance para implantar sua própria arma. De fato, fomentou relações estreitas com os programas nucleares do Paquistão e com a China, cujo apetite por fontes estrangeiras de petróleo conhece poucos limites.
Não é de surpreender que o Secretário-geral da ONU tenha se tornado tão pessimista. Os discursos que se seguiram à abertura da conferência de não proliferação pareciam pouco calculados para devolver o gênio à sua garrafa nuclear.
Blinken acusou em seu discurso na mesma conferência que a Rússia está “envolvida em imprudente e perigoso sabre nuclear” na Ucrânia, enquanto a Coreia do Norte “está se preparando para realizar seu sétimo teste nuclear”. E quanto ao Irã, “continua no caminho da escalada nuclear”.
“Fugir da lógica do medo”, concluiu Blinken, deveria ser a missão mais imediata de todas as nações que concordaram em conter a proliferação de armas nucleares.
De alguma forma, porém, um objetivo ainda mais valioso pode ser apenas para o mundo encontrar uma maneira de voltar no tempo de 2022 para 1962 ou mesmo 1982. Foram anos aterrorizantes quando, inocentemente, praticávamos exercícios semanais de pato e cobertura sob nossas pequenas escrivaninhas de madeira no jardim de infância, cavamos abrigos antiaéreos em nossos quintais contra um ataque nuclear iminente.
Mas essas ameaças muito reais e imediatas lideraram o noticiário noturno, consumiram o diálogo global, motivaram todas as ações de todos os líderes mundiais que entenderam que as armas nucleares estavam e deveriam estar no topo das prioridades. Eles não são mais.
É esse medo que está no centro do pessimismo do Secretário-geral – e deveria estar no coração de todos nós. Fonte: CNNBrasil
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