Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 25 de outubro de 2026

Revista afirma que a vitória de Flávio Bolsonaro pode aposentar presidente e consolidar guinada à direita na América Latina.

A revista norte-americana The New Yorker chamou a eleição presidencial brasileira de “a última dança” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em artigo publicado na 4ª feira (21.out.2026). O jornalista Ishaan Tharoor avalia que uma vitória de  Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno, vai enterrar de vez a trajetória política do petista e ampliar definitivamente o avanço da direita conservadora na América Latina..

Intitulado Lula’s Last Dance (“A última dança de Lula”, em tradução livre), o artigo analisa os desafios enfrentados pelo presidente na tentativa de conquistar um 4º mandato. A publicação destaca o resultado do 1º turno, realizado em 4 de outubro, quando Lula terminou cerca de 1,87 ponto percentual atrás de Flávio, além do avanço de candidatos e partidos de direita nas disputas legislativas e estaduais…

Tharoor relaciona o cenário brasileiro à mudança política na América Latina e à influência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). Segundo o jornalista, uma eventual vitória de Flávio colocaria o Brasil entre os países da região que migraram para governos de direita nos últimos 2 anos, em sintonia com a visão política da Casa Branca para o continente.

O texto também aponta dificuldades de Lula para mobilizar parte do eleitorado, apesar de contar com o maior número de pessoas dependendo do auxilio do Bolsa Família (ajuda do governo a família desempregada ou sem renda). O custo de vida, a preocupação com a segurança pública e o pessimismo sobre os rumos do país são citados como fatores que enfraquecem o presidente.

Para Tharoor, a política ligada aos sindicatos e aos movimentos trabalhistas, que marcou a trajetória de Lula desde os anos 1970 e 1980, hoje não tem mais poder de persuasão sobre os trabalhadores, principalmente na era da informação digital nas redes sociais.

O texto da New Yorker diz que uma derrota do petista poderia alterar a política externa brasileira. Flávio já sinalizou alinhamento com pautas da direita internacional e pretende buscar a libertação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado 27 anos de prisão por uma narrativa de suposto golpe que não nunca aconteceu. Tharoor diz, porém, que uma mudança radical de orientação teria limites em um eventual governo de Flávio. A China é o principal parceiro comercial do Brasil, que mais compra comodities, o agronegócio brasileiro depende do mercado chinês e também que mais vende produtos industrializados o país. O texto também acrescenta que uma vitória de Flávio não significaria necessariamente apoio popular a todas as propostas da direita, mas poderia representar uma rejeição ao governo Lula.

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