Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 17 de agosto de 2026

Partido questiona repasses públicos de 9,65 milhões de reais para escola que homenageou Lula no Carnaval de 2026

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu dar prosseguimento a uma ação apresentada pelo Novo contra o presidente Lula (PT) por suposto abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. O caso envolve o financiamento público de um desfile de escola de samba que homenageou o petista no Carnaval de 2026.

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) foi admitida na sexta-feira, 14, pelo ministro Antonio Carlos Ferreira, corregedor-geral da Justiça Eleitoral. A decisão permite que o processo avance, mas não representa uma conclusão de que houve irregularidade.

Novo questiona o financiamento público do Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que desfilou em 15 de fevereiro, na abertura do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. O enredo da agremiação foi dedicado à trajetória pessoal e política de Lula, então pré-candidato à reeleição.

Segundo a ação, a escola recebeu 9,65 milhões de reais do Município de Niterói, Município do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro e da Embratur. Os repasses, segundo o partido, foram formalizados após o anúncio do enredo, feito em julho de 2025.

A legenda sustenta que os recursos públicos, somados à transmissão do desfile em rede nacional de televisão aberta e à disponibilização do conteúdo em plataformas digitais, proporcionaram exposição eleitoral a Lula fora das regras da propaganda.

Para o Novo, a exposição ocorreu sem distribuição isonômica de tempo entre candidatos, direito de resposta ou contabilização como despesa de campanha.

O que diz o TSE

Ao admitir a ação, Antonio Carlos Ferreira afirmou que a petição apresenta fatos determinados, aponta o suposto benefício eleitoral e reúne documentos que, em uma análise inicial, permitem o prosseguimento da investigação.

Entre os documentos estão instrumentos de repasse, comprovantes de pagamento, publicações oficiais, expedientes de tribunais de contas e o Livro Abre-Alas do desfile. O partido também apresentou uma lista de testemunhas.

Segundo o ministro, os fatos narrados podem, em tese, caracterizar abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.

Ferreira determinou a citação de Lula para que apresente defesa no prazo de cinco dias.

Pedido do Novo

Na ação, o partido pede que a Justiça Eleitoral reconheça a ocorrência de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.

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