Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 14 de julho de 2020

Ministro do STF divulgou nota tentando aminizar sua ofensa

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse hoje (14) que respeita as Forças Armadas, embora tenha criticado a formulação de políticas públicas de saúde por militares, em meio à pandemia de covid-19.

“Ao tempo em que reafirmo o respeito às Forças Armadas brasileiras, conclamo que se faça uma interpretação cautelosa do momento atual”, escreveu Mendes, em nota. “Vivemos um ponto de inflexão na nossa história republicana em que, além do espírito de solidariedade, devemos nos cercar de um juízo crítico sobre o papel atribuído às instituições de Estado no enfrentamento da maior crise sanitária e social do nosso tempo”, acrescentou o ministro.

Ontem (13), o Ministério da Defesa também divulgou nota em que afirmou o empenho de Exército, Marinha e Força Aérea Brasileira (FAB) em preservar vidas durante a pandemia. O comunicado da Defesa foi motivado por um comentário feito no sábado (11) por Gilmar Mendes. Em uma videoconferência, ele disse que o “Exército se associou a um genocídio”, numa referência ao trabalho de militares no Ministério da Saúde.

No comunicado, a Defesa afirmou que a acusação é grave e que enviaria à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma representação para adoção das medidas cabíveis a respeito das declarações do ministro.

Nesta terça-feira (14), Mendes disse não ter atingido a honra de Exército, Marinha e FAB, e que nem mesmo citou estas duas últimas em seu comentário. “Apenas refutei e novamente refuto a decisão de se recrutarem militares para a formulação e execução de uma política de saúde que não tem se mostrado eficaz para evitar a morte de milhares de brasileiros”, escreveu o ministro.

Opinião

As Forças Armadas tem como missão a defesa da soberania nacional, a garantia das leis e da ordem, mas também não deve se furtar do dever humanitário. As forças Armadas brasileira em especial o Exército, tem se colocado a serviço da nação nas mais diversas areas. A presença do Exército com o Batalhão de Engenharia na construção e pavimentação de estradas que foram abandonadas e negligenciadas por governantes. Também no atendimento e controle de refugiados nas fronteiras do Brasil, assim como atendimento médico nas mais longincoas comunidades indiginas do Amazonas.

Quanto a argumentação do ministro que contexta a presença de militares em areas técnicas do governo e atrelar a responsabilidade das Forças Armadas pela crise provocada pelo Covid-19. Por que os militares teriam menos capacidade que tecnicos civiis! Pressupões que a estrutura do Ministério da Saúde é composto por funcionário de carreira selecionados em concurso público. Portanto, o ministro ou diretores estarão cercado de pessoas altamente capacitada para sua acessoria técnica.

Acreditamos que o ministro deveria mesmo é investigar essa estátistica dos supostos 72 mil morte por Covid-19, tendo em vista as diversas denúncias de fraudes em laudos médicos.

Leia a íntegra da nota do ministro:

“Ao tempo em que reafirmo o respeito às Forças Armadas brasileiras, conclamo que se faça uma interpretação cautelosa do momento atual. Vivemos um ponto de inflexão na nossa história  republicana em que, além do espírito de solidariedade, devemos nos cercar de um juízo crítico sobre o papel atribuído às instituições de Estado no enfrentamento da maior crise sanitária e social do nosso tempo.

Em manifestação recente, destaquei que as Forças Armadas estão, ainda que involuntariamente, sendo chamadas a cumprir missão avessa ao seu importante papel enquanto instituição permanente de Estado.

Nenhum analista atento da situação atual do Brasil teria como deixar de se preocupar com o rumo das nossas políticas públicas de saúde. Estamos vivendo uma crise aguda no número de mortes pela covid-19, que já somam mais de 72 mil. Em um contexto como esse, a substituição de técnicos por militares nos postos-chave do Ministério da Saúde deixa de ser um apelo à excepcionalidade e extrapola a missão institucional das Forças Armadas.

Reforço, mais uma vez, que não atingi a honra do Exército, da Marinha ou da Aeronáutica. Aliás, as duas últimas nem sequer foram por mim mencionadas. Apenas refutei e novamente refuto a decisão de se recrutarem militares para a formulação e execução de uma política de saúde que não tem se mostrado eficaz para evitar a morte de milhares de brasileiros”.

Informações: Agência Brasil – Edição: Denise Griesinger

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