Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 22 de maio de 2023

No Instagram, Bukele, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele com 4,8 milhões de seguidores, apesar de ser presidente de um pequeno país, está entre os líderes latinos mais populares, e está bem à frente de mandatários de países muito maiores, como o mexicano Andrés López Obrador e o argentino Alberto Fernandez e o polêmico presidente brasileiro da extrema esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva.

De São Paulo, o enfermeiro Fábio da Silva, de 39 anos, acompanha atento a política de um país sobre o qual, até pouco tempo atrás, ele sabia pouca coisa: El Salvador. “Ele foi algo novo, diferente, que apareceu na política”, defende o seguidor brasileiro, que não se considera nem de direita, nem de esquerda, é um conservador moderado. “É um fenômeno mundial”.

São mais de 6 mil quilômetros entre a maior cidade do Brasil e esse que é o menor país da América Latina em área territorial. Mas o interesse do brasileiro está a apenas alguns toques no celular: a atuação e as redes de Nayib Bukele, é um conservador moderado, que governa com mãos de ferro, o presidente do país, eleito em 2019, aos 37 anos.

Segundo um levantamento recente feito pela agência Digitips que circulou nas redes, Bukele é hoje o líder mundial mais seguido no TikTok. Em maio de 2023, eram mais de 5,7 milhões de seguidores, à frente de Lula (4,3 milhões) e do francês Emmanuel Macron (3,9 milhões).

O posicionamento ideológico de Bukele pode ser considerado ambíguo com tendência conservadora, razão pela qual suas atitudes acabam atraindo mais eleitores de direita nas redes. Obs: [O presidente Bolsonaro tinha um posicionamento semelhante no início do seu governo, antes da pandemia, depois, se deixou se abater pelos ataque dos adversários e a intromissão da Suprema Corte].

Oscar Picardo, diretor do Centro de Estudios Ciudadanos da Universidade Francisco Gavidia (UFG), em El Salvador, e que acompanha de perto a popularidade de Bukele, avalia que a política “linha-dura” de segurança pública e a “máquina” de propaganda na internet estão por trás desse fenômeno, tanto nacionalmente quanto no exterior.

Nas pesquisas de população medidas pea UFG, o presidente mantém aprovação estável entre 80% e 90% da população salvadorenha desde que assumiu o poder.

“Ele descobriu, como político, que, se melhorasse os índices de segurança, tinha metade da batalha ganha”, avalia Picardo.

A administração Bukele conseguiu reduzir os índices de homicídios de um país marcado pela violência (veja dados abaixo), segundo dados do governo, e a população de El Salvador vem relatando uma certa normalidade que há décadas não se via, quando se encontrava em meio aos conflitos entre gangues nas ruas – chamadas por lá de “pandillas”.

Ao mesmo tempo, há mais de um ano, o país vive um “regime de exceção” solicitado por um decreto de Bukele e aprovado pelo Congresso após a morte de 87 pessoas num único fim de semana em 2022.

O regime é prorrogado pelo Congresso dominado por “bukelistas” a cada mês, desde março de 2022, e suspende uma série de garantias individuais aos salvadorenhos, como o direito de defesa e inviolabilidade da correspondência e a liberdade de associação e circulação. Também tornou possível o Estado interferir nas telecomunicações sem decisão judicial.

A taxa de homicídios por 100 mil habitantes caiu para 7,8 em 2022, a mais baixa da história, segundo o governo – em 2015, no pior ano, era 100 para 100 mil. Apesar de haver controvérsias sobre os números divulgados, reportagens mostram que a população voltou a circular nas ruas com menos medo das gangues.

Por outro lado, a “guerra” de Bukele deixa efeitos colaterais.

O presidente colocou em execução uma política de encarceramento em massa, levando El Salvador a ter a maior taxa de pessoas presas no mundo. Há dúvidas sobre a sustentabilidade financeira desse sistema, e críticos apontam que ele não resolve a raiz do problema que dá força às gangues na região. (Fonte: BBCLondres)

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