Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 25 de fevereiro de 2023

Os cientistas disseram que nem mesmo as máscaras cirúrgicas N95 funcionam a contento para impedir a disseminação dos vírus. Já a higienização das mãos teve efeito comprovado para evitar a disseminação de vírus.

Uma revisão sistemática feita por epidemiologistas britânicos concluiu que o uso de máscaras pode não funcionar para o controle de infecções respiratórias como a gripe, a síndrome respiratória aguda grave e também a Covid-19.

O estudo chamado “Intervenções físicas para interromper ou reduzir a propagação de vírus respiratórios” analisou os resultados de 78 pesquisas feitas em várias partes do mundo, antes e durante a pandemia, para determinar a eficácia real do uso de máscaras e da higiene das mãos para deter a transmissão dessas doenças.

A principal conclusão causou grande surpresa e polêmica: “não temos certeza se usar máscaras ou respiradores N95/P2 ajuda a retardar a propagação de vírus respiratórios”, disseram os epidemiologistas.

Segundo estudo, “o uso de máscara pode fazer pouca ou nenhuma diferença em quantas pessoas contraíram uma doença semelhante à gripe ou à Covid-19; e provavelmente faz pouca ou nenhuma diferença em quantas pessoas têm gripe ou Covid-19 confirmada por um teste de laboratório”.

O trabalho foi feito por 12 epidemiologistas, liderados pelo professor britânico Tom Jefferson, e publicado pela organização sem fins lucrativos Cochrane –uma entidade muito respeitada pelos seus estudos relacionados à saúde pública.

Os cientistas disseram que nem mesmo as máscaras cirúrgicas N95 funcionam a contento para impedir a disseminação dos vírus.

“Em comparação com o uso de máscaras médicas ou cirúrgicas, o uso de respiradores N95/P2 provavelmente faz pouca ou nenhuma diferença em quantas pessoas têm gripe confirmada; e pode fazer pouca ou nenhuma diferença em quantas pessoas contraem uma doença semelhante à gripe ou doenças respiratórias”, diz o estudo.

Já a higienização das mãos teve efeito comprovado para evitar a disseminação de vírus. “Seguir um programa de higiene das mãos pode reduzir o número de pessoas que contraem uma doença respiratória ou semelhante à gripe, ou têm gripe confirmada, em comparação com pessoas que não seguem esse programa”, disseram os epidemiologistas.

O trabalho contraria uma das recomendações mais importantes feitas pela Organização Mundial da Saúde, que sempre foi questionada durante a pandemia, o uso sistemático das máscaras respiratórias para evitar a disseminação do novo coronavírus. A recomendação, inclusive, continua em vigor.

Croda afirma que os próprios autores do estudo “deixam claro que na maioria dos ensaios clínicos analisados não houve um desenho adequado, com falha de acompanhamento e falta de importantes informações como a qualidade das máscaras, tempo de uso, adesão e utilização correta em adultos e crianças”.

Polêmica

Uma boa parte da polêmica foi criada por artigo do jornalista norte-americano Bret Stephens publicado no jornal The New York Times. O jornalista, questionou que o estudo comprovaria que as máscaras simplesmente não ajudam em nada na tentativa de deter a Covid-19.

“Aqueles céticos que foram furiosamente ridicularizados como excêntricos e ocasionalmente censurados como ‘desinformadores’ (por serem contra as máscaras) estavam certos. Em um mundo melhor, caberia a este último grupo reconhecer seu erro, juntamente com seus consideráveis custos físicos, psicológicos, pedagógicos e políticos”, escreveu Stephens.

Fonte: CNNbrasil

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