Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 16 de agosto de 2026

As peças monumentais ajudam pesquisadores a montar o quebra-cabeça para entender a engenharia da época e descobrir como a antiga torre foi construída

Arqueólogos trazem à superfície blocos de pedras gigantes de 80 toneladas que fazem arte da história de uma das Sete Maravilha do mundo antigo.

Uma operação arqueológica no porto de Alexandria, no Egito, trouxe de volta à superfície partes monumentais do Farol de Alexandria. Em 2025, pesquisadores içaram 22 blocos ligados à antiga estrutura, incluindo peças com peso entre 70 e 80 toneladas. O objetivo agora é estudar cada elemento e usar os dados para reconstruir digitalmente uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.

O que os arqueólogos retiraram do fundo do mar? Os pesquisadores retiraram grandes peças que faziam parte da entrada e da base do farol.

A Fundaçao Dassault Systèmes, parceria do Projeto PHAROS informa que entre os 22 blocos estão vergas, laterais de portas, uma soleira, grandes lajes e partes de um portal em estilo egípcio.

Algumas dessas pedras chegam a 80 toneladas. Depois de retiradas da água, elas são registradas com técnicas digitais para que os pesquisadores possam medir formas, encaixes e superfícies sem depender apenas da observação subaquática.

Por que esses blocos são tão importantes para reconstruir o farol?

As peças preservam medidas e detalhes que ajudam a testar como a construção original poderia ter sido montada. O projeto usa os blocos como partes de um grande quebra-cabeça arqueológico.

 O centre d’Études Alexandrines reúne documentos históricos e evidências arqueológicas sobre a forma do monumento. Esses dados são comparados aos blocos digitalizados

Como o Farol de Alexandria permaneceu de pé por tantos séculos?

O farol foi construído no início do século III a.C. e permaneceu como referência no porto durante mais de 1.600 anos. O Centre d’Études Alexandrines registra que a obra começou por volta de 297 a.C. e foi concluída durante o governo de Ptolomeu II.

A estrutura passou por mudanças ao longo dos séculos, mas continuou sendo usada até sofrer danos graves com terremotos. Registros históricos indicam que o grande abalo de 1303 provocou o colapso do farol e encerrou sua função principal.

  • Construção: a obra começou no período de Ptolomeu I e terminou sob Ptolomeu II.
  • Função: o farol guiava navios que se aproximavam de uma costa com bancos de areia e recifes.
  • Terremotos: sucessivos abalos danificaram a torre durante a Idade Média.
  • Abandono: depois do colapso, partes da estrutura foram reaproveitadas e outras ficaram sob o mar.

Após mais de 1.600 anos de história, os arqueólogos trazem à superfície blocos gigantes de 80 toneladas de uma das Sete Maravilhas do mundo antigo

O que acontece com os blocos depois que saem da água?

Os blocos são estudados e transformados em modelos digitais antes de entrar na reconstrução virtual. O Projeto PHAROS combina arqueologia, arquitetura, história e engenharia para testar onde cada peça poderia ter ficado.

A missão é conduzida pelo Centre d’Études Alexandrines, unidade do CNRS no Egito, sob autoridade do Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito. A operação procura ampliar o acervo de mais de 100 blocos que já haviam sido digitalizados debaixo d’água

O farol será reconstruído fisicamente em Alexandria?

O projeto atual trabalha com uma reconstrução digital, não com a montagem física de uma nova torre usando os blocos antigos. Isso permite testar formas, dimensões e hipóteses sem alterar as ruínas preservadas

A recuperação das peças dá aos pesquisadores algo que desenhos e relatos antigos não conseguem oferecer sozinhos: medidas reais de partes do monumento. Cada bloco retirado do mar ajuda a aproximar a reconstrução virtual da engenharia que existiu em Alexandria há mais de 2 mil anos. –

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