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A paixão pela gastronomia surgiu cedo na vida da empresária Gabriela Vilar de Carvalho. Ainda adolescente, aos 15 anos, ela percebeu que cozinhar e servir pessoas poderia ser muito mais do que apenas uma profissão — poderia ser uma forma de se conectar com o mundo e com diferentes culturas.
Formada em hotelaria, Gabriela decidiu ampliar horizontes e passou cerca de dez anos vivendo fora do Brasil. Nesse período, trabalhou e adquiriu experiência em diferentes países, como China, Suíça, Estados Unidos e outros destinos da Europa. A vivência internacional foi fundamental para moldar sua visão de mundo e aprofundar seu interesse pela gastronomia, especialmente em conceitos ligados à alimentação saudável, sustentabilidade e respeito aos ingredientes.
Durante essa trajetória, ela teve contato com diferentes estilos de cozinha e formas de produção de alimentos, muitas delas focadas no uso de ingredientes orgânicos, sazonais e de origem responsável. Esses aprendizados passaram a influenciar diretamente a maneira como Gabriela enxergava o papel da gastronomia na sociedade.
Quando decidiu voltar ao Brasil, trouxe na bagagem não apenas conhecimento técnico, mas também um olhar mais sensível para a relação entre comida, cultura e meio ambiente. Foi nesse momento que surgiu a oportunidade de atuar como consultora para pequenos restaurantes em diversas regiões do país.
O trabalho, que inicialmente parecia apenas uma nova etapa profissional, acabou se transformando em um verdadeiro processo de redescoberta do próprio Brasil. Ao visitar diferentes cidades e conversar com produtores locais, Gabriela passou a conhecer mais profundamente a riqueza dos ingredientes brasileiros, muitos deles cultivados de forma artesanal e sustentável.
Essa experiência reforçou uma convicção: era possível unir gastronomia de qualidade, ingredientes orgânicos e práticas sustentáveis, sem abrir mão do sabor. A proposta de um restaurante com essa filosofia começou então a ganhar forma.
Hoje, a ideia é valorizar produtores locais, alimentos frescos e processos que respeitam o meio ambiente, criando pratos que combinam técnica gastronômica com simplicidade e autenticidade. Mais do que servir refeições, a proposta é oferecer uma experiência que conecte as pessoas à origem dos alimentos e à importância de escolhas mais conscientes.
Para Gabriela, a gastronomia vai além do prato servido à mesa. “Cozinhar também é um ato de cuidado — com as pessoas, com a terra e com o futuro”, resume a empresária.
Assim, o projeto do restaurante orgânico nasce com uma missão clara: mostrar que é possível comer bem, com muito sabor, e ao mesmo tempo contribuir para um modelo de alimentação mais sustentável

Antes de abrir o Quintana Gastronomia, Gabriela frequentava feiras orgânicas da cidade e percebeu uma oportunidade. Muitos agricultores vendiam diretamente ao consumidor, mas quase não tinham restaurantes como clientes.
“Eu decidi abrir o restaurante muito influenciada pelos produtores orgânicos das feiras da cidade. Muitos deles trabalham há décadas ali, especialmente produtores da região de Campo Largo e Campo Magro, e eu percebi que eles quase não forneciam para restaurantes”, explica.
O valor do orgânico
Fundado em 2008, no bairro Batel, o restaurante nasceu com a proposta de valorizar alimentos orgânicos e estabelecer uma relação direta com produtores da região. A empresária explica que sustentabilidade não é apenas conceito. O espaço conta com compostagem de resíduos orgânicos, captação de água da chuva para jardinagem e uso nos sanitários, além de um jardim que abriga colmeias de abelhas nativas sem ferrão.
O restaurante reúne cerca de 25 colaboradores. Em um setor conhecido pela alta rotatividade de funcionários, o Quintana tem um cenário diferente. A média de permanência dos colaboradores é de aproximadamente 15 anos, resultado de uma cultura de valorização da equipe e de investimento em formação profissional.
“O momento agora é investir ainda mais no desenvolvimento das pessoas. Estamos trabalhando muito com treinamento de liderança. A equipe tem muita potência e queremos preparar cada vez mais essas pessoas para crescer com o negócio”, explica Gabriela.
História reconhecida
O reconhecimento a essa trajetória veio com o segundo lugar na categoria Empresa de Pequeno Porte do Prêmio Empreendedora 2025. Para ela, mais do que um título, o prêmio representa uma confirmação de que o caminho escolhido faz sentido.
“Eu aprendi muito com a cultura indígena sobre reconhecer, honrar e celebrar. Para mim, esse prêmio é exatamente isso, uma celebração. Uma forma de entender que estamos no caminho certo e que ainda existe muito espaço para evoluir e continuar contribuindo com as pessoas e com a sociedade”, afirma a empresária.
Inspiração
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Paulo Martins, histórias como a de Gabriela mostram a força do empreendedorismo curitibano.
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