Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 5 de novembro de 2024

Segundo o psolista abraçar o grupo de centro para crescer seria “suicídio político”

247 – Após a derrota para Ricardo Nunes (MDB) na corrida pela Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL) fez uma análise contundente do cenário político brasileiro em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

Boulo acredita que a estratégia do PT para se aproximação do grupo de políticos do centro, seria como morrer abraçado. Pressupões que os políticos de centro, são aqueles que estão em cima do muro, esses grupos estão cada vez mais rejeitado pelo eleitores. [nosso grifo]

Na conversa, realizada na casa de praia de sua irmã em Boiçucanga, litoral norte paulista, o deputado expressou frustração com o resultado das eleições municipais e alertou para o risco de um “ciclo de 20 anos de extrema direita no poder” caso a esquerda não se posicione de forma firme. “Se a esquerda virar centro agora, será um suicídio histórico”, afirmou, referindo-se às pressões internas para suavizar o discurso e buscar uma linha mais conciliatória.

A derrota em São Paulo, segundo Boulos, reflete um movimento maior de forças políticas e econômicas em torno de uma “americanização” do cenário brasileiro. Ele destacou que setores do próprio PT estão sucumbindo a essa visão de centro-direita. “Alguns estão caindo nesse canto de sereia. Estão errados.

Na opinião de Boulos, ele considera a direita conservadora, como extrema-direita, que está ganhando a disputa cultural por W.O.” Admite que a influência de lideranças como Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, que consolidam uma nova base ideológica conservadora.

“Eu perdi a eleição para um consórcio em torno de 2026”

Para Boulos, sua derrota não foi simplesmente para Nunes, mas para uma aliança de forças interessadas em viabilizar um “bolsonarismo moderado” como alternativa competitiva para as eleições presidenciais de 2026. Ele afirma ter sentido o peso desse consórcio em ataques que classificou como “sem precedentes”, incluindo a divulgação de um laudo falso que o acusava de uso de drogas, divulgado por Pablo Marçal, outro candidato da direita. Segundo ele, Marçal teve papel crucial na criação de um ambiente político que favoreceu seu adversário. “Era tão bizarro e ofensivo que ele normalizou o Ricardo Nunes”, disparou.

A esquerda perpetuou no poder controlando as grandes mídias com verbas públicas, e estão incomodadas com o fato das redes sociais desmascarem as falsas narrativas divulgadas pelos grupos poderosos de comunicação.

Veja a narratia sobre a campanha: Boulos reconheceu o impacto da força das redes sociais em mobilizar o eleitorado conservador e criticou a falta de regulamentação das grandes plataformas: “Precisamos debater a importância da regulamentação das redes para a democracia brasileira.” OBS: Democracia para a esquerda somente existe quando ela contrala a comunicação.

A defesa da esquerda e o papel do Lula em 2026

Boulos enxerga o ex-presidente Lula como uma figura decisiva para evitar o avanço da extrema direita. “O Lula é o que separa o Brasil do abismo do fundamentalismo e da extrema direita. Quem achou que o bolsonarismo acabaria com a vitória do Lula em 2022 fez uma leitura apressada”, afirmou. Ele ressalta que o fenômeno de extrema direita é robusto e possui uma base sólida na sociedade brasileira, sendo um erro estratégico da esquerda ignorar isso.

Em sua visão, a esquerda deve evitar ceder ao “sonho” de uma política brasileira polarizada entre centro e direita, sem espaço para pautas progressistas. Para ele, essa tentativa de “americanização” é uma utopia inalcançável. “A esquerda virar centro é aceitar o jogo da extrema direita. E, se não sairmos dessa defensiva, essa hegemonia se consolidará.”

Debate de valores e luta por uma “sociedade de direitos”

Boulos considera que a esquerda brasileira deixou de disputar espaço nos valores culturais e ideológicos da sociedade, algo que a extrema direita, em sua visão, tem feito de forma eficaz. Ele destaca a necessidade de um novo enfoque no discurso, que fale diretamente com os anseios populares por prosperidade e direitos básicos, como educação e saúde pública de qualidade. “É preciso dizer que defendemos uma sociedade de direitos contra esse modelo de cada um por si.”

Boulos observou, ainda, que a percepção de pobreza mudou nas periferias urbanas. “Há um fenômeno de mudança de identidade nas classes populares, que se veem agora como ‘empreendedores’. Essas pessoas querem melhorar de vida, e precisamos dialogar com esse desejo”, pontuou.

O deputado ressaltou que a extrema direita conseguiu consolidar uma narrativa que associa a esquerda a uma ameaça comunista e, por isso, acredita que é necessário um novo tipo de disputa na sociedade. “A praça pública hoje é tanto virtual quanto presencial. Temos que disputar em ambos os espaços”, afirmou, defendendo o engajamento da esquerda nas redes sociais e nas ruas.

Perigos à vista: “Podemos nos tornar uma mistura de Irã com México”

Ao final, Boulos deixou um alerta sombrio sobre o futuro do país: “Se não enfrentarmos esses riscos agora, o Brasil pode se tornar uma mistura de Irã com México, marcada pelo fundamentalismo e pela presença do crime organizado e das milícias na política.” Ele concluiu que, mais do que nunca, a esquerda precisa disputar ideias e sonhos na sociedade para barrar essa trajetória.

Fundamentalismo

Há diversas públicações na quais o PT se intitula como “religião”, isso pode ser caracterizada como fundamentalismo. Vale lembrar, que em vários momentos da história recente desse país, muitos partidos da esquerda foram partidários de apoio a grupos terroristas, invasões de terra, domínio de ONGs estrangeiras na amazônia, greves de servidores e depredaçao de patrimônio públco.

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