Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 28 de fevereiro de 2020

Marcas de Antonina e Morretes, produtos têm em comum a fabricação caprichada e dedicada dos produtores. As cidades contam com atrativos gastronômicos e os turistas podem visitar os locais de produção.

As balas de banana de Antonina e a cachaça de Morretes são marcas fortes das duas cidades históricas do Litoral do Paraná, que ajudam a valorizar a cultura da região. Elas têm em comum a fabricação caprichada e dedicada dos produtores.

De Morretes, Sadi Poletto fala com entusiasmo sobre a cachaça que leva o seu sobrenome durante uma visita guiada que não demora mais do que vinte minutos. Cada frase parece treinada, cada barril de carvalho emula uma história, e cada mínimo detalhe tem um porquê dentro da cachaçaria, onde antes a Faber Castell mantinha uma indústria de lápis.

Morretes – Fábrica de cachaça Casa Poletto. N/F: Sadi Poletto, proprietário do alambique. Morretes, 17-01-20. Foto: Arnaldo Alves / AEN.

“Morretes era um polo nacional de cachaça”, “morretiano, veja só, é sinônimo de cachaça”, “produzimos cachaça com grau de profissionalismo e cuidado pouco reconhecido no País”, “temos que encarar a cachaça como um bom uísque, por que não?” e “poderíamos até mesmo ter uma Oktobertfest da cachaça por aqui” são alguns dos aforismas de Poletto.

E o que parece conto de vendedor de frases urgentes é, na verdade, uma declaração de amor de um catarinense pela cidade graciosa – e, vá lá, ao produto.

A cachaça tem registros de produção no Litoral paranaense desde 1733, época do Brasil Imperial, quando Dom Pedro II permitiu a instalação de um engenho em Morretes. No século 19, com a imigração italiana, mais de 50 produtores caseiros passaram a tirar da cana-de-açúcar a sua essência, rito que perdura até os dias de hoje, em menor quantidade, mas mais refinada. Não à toa, alguns dicionários brasileiros indicam o verbete morretiana como sinônimo do tradicional produto do Paraná.

MERCADO – Morretes lidera a produção de cachaça do Litoral e contribui com cerca de 30% de todo mercado estadual. A cidade de 15 mil habitantes conta com três produtores com todos os registros oficiais do Ministério da Agricultura e produz cerca de 10 mil litros por mês.

Poletto é um dos principais personagens da retomada dessa história e da conquista internacional das canas litorâneas, com os prêmios belgas que divide com a marca Porto Morretes.

Morretes – Fábrica de cachaça Casa Poletto. Morretes, 17-01-20. Foto: Arnaldo Alves / AEN.

BALA DE BANANA  As balas de banana de Antonina, outro produto típico do Litoral, também pleiteiam o reconhecimento do processo iniciado em 1979 e aprimorado na década de 80. As duas principais empresas da cidade produzem cerca de 16 toneladas por mês.

A produção das Balas Bananina, as de embalagem laranjinha, ainda respeita uma tradição familiar, apesar de a empresa ter adotado um tom mais moderno com a adição de sabores e o mix das balas de banana com goiabada, amendoim, abacaxi, pimenta, côco e gengibre.

Fábrica de balas de banana, Bananina, em Antonina, litoral do Paraná. Antonina, 18-01-20. Foto: Arnaldo Alves / AEN.

A empresa de Antonina abre para visitação e aos finais de semana a média é de 500 turistas por dia. Um pequeno corredor conta a história da família e alguns param por minutos demais na frente de uma porta que dá para a área de embalagem. As vendas são 50%-50% entre as pessoas que compram o produto na loja ou em revendedoras autorizadas.

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Paraná busca o selo que agrega valor aos produtos

Cachaça, bala de banana, barreado e farinha de mandioca buscam para este ano a chancela de Indicação Geográfica do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), vinculado do Ministério da Economia, porque o selo agrega valor, amplia a visibilidade e abre mercado para os empresários expandirem seus negócios. A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Emater e a Agência de Defesa Agropecuária (Adapar) dão apoio e assistência técnica para os produtores.

O Paraná conta com oito produtos com Indicação Geográfica reconhecida: o melado de Capanema; a erva-mate de São Mateus do Sul; o café do Norte Pioneiro; a goiaba de Carlópolis; o queijo colonial de Witmarsun; as uvas finas de Marialva; e o mel de Ortigueira e também da Região Oeste.

A Indicação Geográfica (IG) nada mais é do que a identificação que dá origem a um produto ou serviço. Após conquistado, somente os produtores e prestadores de serviços da região (em geral, organizados em entidades representativas) podem utilizar o selo.

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