Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 31 de outubro de 2022

A ampliação de gastos públicos para financiar investimentos e programas sociais está na alma das propostas para a economia do agora presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

O país que o petista assumirá em janeiro de 2023, entretanto, estará em um cenário bem diferente daquele que teve nas mãos entre 2003 e 2010, quando foi presidente pela primeira e pela segunda vez e o mundo vivia uma década de fartura e crescimento.

Agora, Lula encontra uma economia global à sobra de uma recessão e um Brasil ainda altamente endividado e sem dinheiro livre para novos investimentos.

São estas algumas das amarras que irão impor ao novo presidente eleito, seus principais desafios na gestão da economia do país, de acordo com economistas consultados pelo CNN Brasil Business. São restrições que tornarão também mais difícil a tarefa de transformar suas promessas em realidade.

“Os próximos quatro anos serão desafiadores”, disse o economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo.

“Com a aceleração da inflação no mundo desenvolvido, será um período de políticas contracionistas e, se não de recessão, certamente de desaceleração substancial, o que vai reduzir também a taxa de crescimento do Brasil.”

Piora, ainda, o cenário para Lula o fato de encontrar um Congresso em que o número de senadores e deputados alinhados ao presidente Jair Bolsonaro cresceu. Isto significa uma oposição mais sólida e uma necessidade ainda maior de negociação e concessões.

A economista Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria, destaca que as próprias alianças formadas por Lula são algo que deve força-lo a abrir mão de parte de suas intenções.

“Ele tem a necessidade de fazer muita coalização e colocar muita gente diferente no mesmo barco, o que força ao centrismo”, afirmou. “Isso aumenta o risco de uma certa paralisia no governo.”

Veja Também