Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 31 de dezembro de 2019

Ministro do STF derrubou preconceito religioso e garante a presença evangélica no palco da festa Carioca

A cidade Maravilhosa nesta passagem de ano vai ter pela primeira vez na sua história, uma virada com louvores e música gospel. E quem sabe o Rio de Janeiro sobre as bençãos do Redentor, desta vez tenha mais paz, amor fraterno e muita alegria.

Por muito tempo o Rio foi embalado por samba ritmo musical originário dos centros de terreiros dos morros cariocas. A música e o folclore são valores culturais, que fazem parte do costume de um povo. No entanto, a cultura é dinâmica, sujeito a mudanças de costume, assim como acontece na moda, na culinária, ou no próprio vocabulário. Há pouco tempo os carnavalescos usavam em suas fantasias penas de aves silvestres em extinção. Hoje é um horror só em lembrar, que milhares de aves brasileiras foram sacrificadas para enfeitar a cabeça de personalidades do mundo artístico, que se diziam civilizados e intelectuais.

O Rio de Janeiro cantado em versos e prosas, há muito sofre com triste cenário de corrupção e violência generalizada, a ponto de espantar os turistas e afugentar os próprios moradores que procuram outras cidades para viver.

E por falar em cultura, o Brasil é um país genuinamente cristão, e hoje, aproximadamente 40% dos cariocas são evangélicos, difícil encontrar uma família que não tenha alguém evangélico. Contudo, não há divisão, nem revanchismo entre católicos e evangélicos, todos são cristão e vivem em plena harmonia.  Havia um tempo que ser evangélico, era ser perseguido, sinônimo de gente pobre, sem estudo, que não gostava de baile nem futebol. Mas, ainda hoje há forte preconceito explícito contra o povo evangélico, basta, ver nas redes sociais o quanto os pastores e líderes são criticados, caluniados, xingados. Os principais preconceituosos não são religiosos católicos, mas praticantes de seitas anticristianísmo.

A Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea) fez um pedido ao órgão e alegou violação aos princípios de laicidade do Estado e da liberdade religiosa, embora esse grupo não representa o pensamento da sociedade fluminense. No entanto, a juíza Ana Cecília Argueso Gomes de Almeida, concordou com o argumento de que o show violava o princípio da laicidade do Estado e da liberdade religiosa. Também estabeleceu uma multa de R$ 300 mil em caso de descumprimento. Se utilizou como pretexto o seguinte argumento: “Em respeito aos princípios constitucionais da laicidade do Estado e da garantia da liberdade religiosa, que determinam ‘a promoção da tolerância e do respeito mútuo entre os adeptos de diferentes concepções religiosas e não religiosas, de modo a prevenir a discriminação e assegurar o pluralismo religioso’, concedo a tutela de urgência requerida”, decidiu. A segunda instância, o TJ do Rio, havia mantido a decisão da juíza.

Que tremenda estupidez e ignorância desses magistrados cariocas, tudo não passa de preconceito religioso e ataque a fé cristã evangélica. Estado laico é justamente a liberdade de pluridade religiosa, nos palcos estarão cantores e animadores de diversas religiões e seitas como católicos, espíritas, candomblés, ateus e atoa. E por que não, cantores evangélicos e músicas gospel?

Então não poderia ter samba e músicas carnavalescas, porque os ritmos tem origem nos centros de terreiros, as músicas falam de axés, orixás e outras entidades de seitas afro. O que dizer do cantor Roberto Carlos, que fala sobre sua fé cristã como a sua música “Jesus Cristo eu estou aqui” ou ” Nossa Sra. Aparecida”, assim como outros cantores sertanejos, que também fazem menções religiosas.

A Prefeitura do Rio recorreu à Justiça para manter o show gospel da cantora Anayle Sullivan, anunciado inicialmente como a atração de abertura na programação do palco principal.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, decidiu na noite desta segunda-feira (30) liberar o show da cantora gospel Anayle Sullivan na festa da virada do ano na cidade do Rio de Janeiro. O ministro atendeu pedido da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Pela programação divulgada pela Prefeitura do Rio, a cantora abrirá a programação no palco principal da festa de réveillon, às 19h desta terça (31).

Em decisão de 10 páginas, Toffoli afirmou que impedir o show seria uma forma de discriminação. “É fato público e notório que foram contratados para se apresentarem no evento diversos profissionais, de variadas expressões artísticas e culturais apreciadas no país, não se admitindo que a categorização em determinado estilo musical seja usado como fator de discriminação para fins de exclusão de participação em espetáculo que se pretende plural.”

Para o presidente do Supremo, a liberdade de expressão, segundo o próprio Supremo já decidiu, “compreende não somente as informações consideradas como inofensivas, indiferentes ou favoráveis, mas também as que possam causar transtornos, resistência, inquietar pessoas”.

E para lembrar os ateus, agnósticos e outros preconceituosos de plantão, Toffoli citou, como exemplo, a decisão na qual impediu a censura de livro com temática LGBT na Bienal do Rio, em setembro último.

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