Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 20 de outubro de 2026

O deputado Paulo Gomes (PL) anunciou a primeira reunião com os deputados de vários partidos para iniciar a construção da base do governo Moro na Assembleia Legislativa. A reunião aconteceu ontem a noite, na casa do deputado Paulo Gomes e contou com a presença do governador eleito Sergio Moro.

O governador Sérgio Moro terá pela frente o desafio de transformar sua vitória nas urnas em uma base parlamentar capaz de sustentar os projetos do novo governo na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

A Casa tem 54 deputados estaduais. Em uma votação que exija maioria simples, a aprovação dependerá, em regra, da maioria dos presentes; portanto, 27 votos não são automaticamente necessários em todas as matérias. Mas, politicamente, ter uma base de pelo menos 27 parlamentares representa uma margem importante para o Executivo enfrentar votações relevantes, evitar derrotas e demonstrar força política.

É justamente aí que começa o primeiro grande teste de Sérgio Moro.

O PL, partido do governador eleito, teria conquistado uma bancada expressiva, acompanhada por parlamentares do Novo e do Podemos que estiveram no campo político da campanha. Somado esse núcleo, o governo poderia partir de uma base inicial próxima de 20 deputados. Ainda assim, seriam necessários novos entendimentos para formar uma maioria estável.

E governabilidade não se constrói apenas com discursos. Exige diálogo, negociação, capacidade de articulação e, sobretudo, disposição para conversar também com quem não esteve no palanque durante a eleição.

MORO VAI NEGOCIAR

A tendência é que o futuro governo procure partidos que possam aderir a uma agenda de reformas administrativas, redução de despesas, melhoria da eficiência do Estado, segurança pública, infraestrutura e atração de investimentos.

Nesse cenário, nomes com forte capacidade de articulação política poderão ganhar importância nos bastidores.

O Progressistas (PP) aparece naturalmente como um dos partidos importante para compor a base neste primeiro momento. A presidente estadual da legenda, Maria Victoria, e o ex-deputado federal Ricardo Barros, conhecido pela experiência na articulação política, podem ocupar espaço importante nas conversas para a formação de uma base parlamentar.

Outro partido que poderá entrar no radar é o Republicanos, cuja bancada poderá ser estratégica para ampliar a sustentação do Executivo. O diálogo com a direção estadual da legenda também poderá fazer parte da estratégia de construção da maioria.

Mas é preciso separar duas coisas: uma bancada de apoio não significa necessariamente uma bancada submissa ao Palácio Iguaçu.

Se Moro pretende realmente implantar uma administração mais técnica, enxuta e com menor estrutura, terá de lidar com uma Assembleia que possui interesses próprios, lideranças independentes e parlamentares que também precisarão prestar contas aos seus eleitores.

A POSSÍVEL “BANCADA MORO”

Em uma projeção inicial — e aqui estamos falando de cenário político, não de uma composição oficialmente definida — o futuro grupo de apoio ao governador poderá ser formado por três blocos.

Primeiro bloco: PL, Novo e Podemos, reunindo os parlamentares mais próximos do projeto político que levou Moro ao Palácio Iguaçu.

Segundo bloco: partidos de centro e centro-direita que possam aderir aos principais projetos administrativos do governo, especialmente PP e Republicanos.

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