Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 19 de abril de 2021

Após o anúncio dos clubes, a Uefa – que organiza atualmente as competições continentais no futebol europeu – afirmou que os clubes podem ser banidos de competições domésticas e internacionais caso organizem uma competição concorrente à Liga dos Campeões.

Em um comunicado conjunto com as ligas e federações de Espanha, Inglaterra e Itália, a Uefa afirmou que considerará “todas as medidas”, incluindo ações judiciais e banimentos de ligas domésticas, em oposição aos planos de uma competição paralela.

“Se isso acontecer, queremos reiterar que nós… (e) também a Fifa e todas as nossas federações permanecerão unidas na tentativa de interromper esse projeto cínico, um projeto que se baseia no interesse próprio de alguns poucos clubes no momento em que a sociedade precisa de mais solidariedade do que nunca”, disse a Uefa.

“Vamos considerar todas as medidas disponíveis, em todos os níveis, judiciais e esportivos, para impedir que isso aconteça. O futebol é baseado em competições abertas e méritos esportivos; não pode ser de qualquer outra maneira”, acrescentou o comunicado.

Além da Uefa, a Associação de Clubes Europeus, que é comandada pelo presidente da Juventus – que integra a Superliga – Andrea Agnelli, que já sinalizou que deixará a associação -, também se manifestou sobre a intenção dos clubes da elite, e afirmou que irá se opor “fortemente” ao projeto e que se reunirá nos próximos dias para estudar quais medidas adotar.

“A ECA [Associação de Clubes Europeus, na sigla em inglês] apoia o compromisso de trabalhar com a Uefa em uma estrutura renovada para o futebol de clubes europeu como um todo após 2024, incluindo alterações propostas para as competições de clube da Uefa depois de 2024”, diz o comunicado.

Fifa também é contra a competição

A Uefa pode contar com o apoio da entidade máxima do futebol para punir os clubes que planejam formar a Superliga. Em janeiro, a Fifa afirmou que uma competição independente não seria reconhecida e que “qualquer clube ou jogador envolvido nesse tipo de torneio não poderia participar de qualquer competição organizada pela Fifa ou por sua respectiva confederação” – o que significa que os jogadores seriam banidos da Copa do Mundo da seleções, por exemplo.

Hoje, a Fifa se pronunciou sobre o projeto da Superliga e reiterou ser contrária à ideia. 

“A Fifa só pode expressar sua desaprovação a uma ‘liga separatista europeia fechada’ fora das estruturas do futebol internacional e não respeitando os princípios acima mencionados”, afirma o comunicado.

O comunicado deste domingo da Uefa reitera a possibilidade de exclusão dos times. “Os clubes em questão serão banidos de qualquer outra competição, em nível doméstico, europeu ou mundial, e pode ser negada aos jogadores a oportunidade de representar suas seleções nacionais”.

“Agradecemos os clubes em outros países, especialmente de França e Alemanha, que se recusaram a participar disso. Convocamos todos os amantes do futebol, torcedores e políticos, a se unirem a nós na luta contra um projeto desse tipo, caso ele seja anunciado. Esse persistente autointeresse de poucos está em andamento há tempo demais. Chega”, diz o comunicado.

Pandemia acelerou movimento

Em nota, os organizadores da Superliga afirmaram que a criação da competição ocorre em um momento em que “a pandemia global acelerou a instabilidade no modelo econômico do futebol europeu”. 

Segundo eles, a competição “proporcionará um crescimento econômico significativamente maior”, com pagamentos “substancialmente mais elevados do que os gerados pela atual competição europeia”. Pelo acordo para a criação da Superliga, os clubes fundadores receberão 3,5 bilhões de euros (cerca de R$ 23,4 bilhões), afirma o comunicado.

Apesar da reação das entidades, os organizadores da Superliga afirmaram no comunicado de lançamento da competição que pretendem discutir com a Uefa e a Fifa e trabalhar em parceria com as organizações.

*Com informações da Reuters

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