Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 23 de agosto de 2026

Frequentadores do tradicional reduto político de Curitiba, avaliam que Dallagnol larga na frente, enquanto Gleisi e Filipe Barros disputam a segunda vaga; Cristina Graeml e Alexandre Curi aparecem em posição de maior risco

A eleição para o Senado no Paraná ainda está longe de ser decidida, mas as conversas que circulam pelos tradicionais cafés da Boca Maldita, no centro de Curitiba, já apontam para um cenário que pode contrariar algumas pesquisas eleitorais divulgadas até agora.

Na avaliação de frequentadores do conhecido reduto político paranaense, o ex-procurador da República Deltan Dallagnol teria condições de terminar a eleição como o candidato mais votado para o Senado. A segunda vaga, segundo essas avaliações informais, estaria sendo disputada principalmente pela presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e pelo deputado federal Filipe Barros.

É importante ressaltar que as opiniões da Boca Maldita não substituem pesquisas eleitorais registradas e metodologicamente realizadas. Mas, historicamente, as conversas políticas travadas no local funcionam como uma espécie de termômetro informal do humor de setores do eleitorado curitibano.

Dallagnol ganha fôlego

Um dos acontecimentos que, na avaliação dos frequentadores, pode provocar mudanças no cenário foi a confirmação da elegibilidade de Deltan Dallagnol.

A decisão retirou uma das principais incertezas que cercavam sua possível candidatura e pode permitir que o ex-procurador entre de maneira mais efetiva na disputa. Para seus apoiadores, Dallagnol continua sendo um dos principais nomes da direita paranaense e mantém forte identificação com o eleitorado que defende o combate à corrupção.

Na Boca Maldita, há quem considere que a confirmação de sua candidatura poderá transformar intenção política em voto efetivo.

Gleisi aparece forte na disputa

Na outra ponta do espectro político, Gleisi Hoffmann aparece, nas conversas de bastidores, como o nome com maior capacidade de enfrentar Dallagnol pela segunda vaga.

A presidente nacional do PT possui uma estrutura política consolidada, forte presença nacional e uma base eleitoral historicamente identificada com o campo de esquerda. Para seus defensores, a eleição para o Senado oferece ao PT uma oportunidade de manter uma representação de peso do partido no Paraná.

Mas Gleisi não estaria sozinha nessa disputa.

Filipe Barros aparece, segundo os comentários ouvidos na Boca Maldita, muito próximo da petista. Ligado ao eleitorado conservador e com forte presença nas redes sociais, o deputado representa uma das principais alternativas da direita para ocupar uma das duas cadeiras em disputa.

Cristina Graeml: de fenômeno eleitoral a incógnita

Um dos pontos mais controversos das conversas é a situação de Cristina Graeml.

A jornalista surpreendeu na eleição municipal de Curitiba e chegou a se transformar em um dos principais fenômenos eleitorais da cidade. Seu desempenho demonstrou a existência de um eleitorado conservador disposto a romper com os nomes tradicionais da política.

Agora, entretanto, alguns frequentadores da Boca Maldita avaliam que Cristina teria perdido parte desse eleitorado ao se aproximar de antigos adversários políticos.

Na leitura de alguns interlocutores, essa mudança teria provocado um desgaste junto a eleitores que a enxergavam como uma alternativa independente ao establishment político.

O resultado, segundo essa avaliação, poderia ser uma queda significativa na corrida ao Senado, colocando Cristina em uma disputa pela quarta colocação.

Alexandre Curi também entra na mira

Outro nome citado nas conversas é o deputado Alexandre Curi, apontado como candidato oficial do grupo político ligado ao governador Ratinho Junior.

Curi possui uma estrutura política expressiva e apoio de setores importantes da política paranaense. Ainda assim, os frequentadores da Boca Maldita avaliam que estrutura partidária e apoio de lideranças não significam, necessariamente, transferência automática de votos.

É justamente nesse ponto que aparece uma das maiores dúvidas da eleição: até que ponto a força do grupo político do governador será suficiente para transformar apoio de prefeitos, deputados e lideranças regionais em votos para o Senado?

A leitura de Valdir Cruz

Em uma conversa reservada, o experiente professor Valdir Cruz apresentou um diagnóstico semelhante ao que começa a ganhar espaço entre alguns observadores da política paranaense.

Na avaliação dele, Dallagnol seria hoje o nome mais forte entre os candidatos ligados ao campo conservador, enquanto Gleisi teria condições concretas de conquistar a segunda vaga. Filipe Barros, entretanto, permaneceria muito próximo da petista e poderia alterar esse cenário durante a campanha.

Cristina Graeml e Alexandre Curi, nessa leitura, estariam disputando uma posição mais abaixo na tabela.

A avaliação, evidentemente, é política e não representa resultado de pesquisa eleitoral.

A suspeita de uma “armadilha política”

Nos bastidores, há ainda uma interpretação mais ácida sobre o recuo de Cristina Graeml.

Alguns políticos que preferem não se identificar sustentam que a jornalista teria tido condições reais de disputar uma das duas vagas ao Senado, mas acabou entrando em uma composição política que, na avaliação desses interlocutores, teria reduzido sua capacidade de manter a imagem de alternativa ao sistema tradicional.

Há quem interprete esse movimento como uma estratégia destinada a reorganizar o campo conservador e abrir espaço para outros candidatos.

Essa versão, porém, deve ser tratada como uma avaliação de bastidor e não como fato comprovado.

A eleição está aberta

Apesar das apostas da Boca Maldita, seria precipitado considerar a eleição definida.

A disputa pelo Senado tem uma característica particular: cada eleitor poderá votar em dois candidatos. Isso cria um cenário bastante diferente das eleições majoritárias para governador e presidente e abre espaço para combinações de voto capazes de alterar completamente o resultado.

Pesquisas podem apresentar oscilações, candidatos podem crescer durante a campanha, alianças podem produzir efeitos inesperados e fatos políticos ainda poderão mudar a percepção do eleitor.

Por isso, a fotografia de agosto não necessariamente será a mesma encontrada nas urnas.

A Boca Maldita faz suas apostas. Dallagnol é apontado como favorito por seus frequentadores. Gleisi aparece com força na disputa pela segunda cadeira. Filipe Barros corre por fora, mas muito próximo. Cristina Graeml e Alexandre Curi são colocados sob pressão.

Mas eleição não se ganha no café, nem na pesquisa. Ganha-se no voto.

E até outubro, muita coisa ainda pode acontecer.

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