Publicado por: Carlos Borges Bahia
Publicado em 22 de agosto de 2026

Mudança no Senado começa a ser desenhada pelas eleições de outubro; suplentes podem assumir cadeiras e alterar o perfil da bancada paranaense a partir de 2027.

As eleições de outubro vão provocar uma profunda mudança na composição do Senado Federal a partir de 2027. Das 54 cadeiras que estão em disputa neste ano, parte dos atuais titulares não estará novamente no plenário, seja porque não concorre a nenhum cargo, seja porque disputa outra função eletiva.

Dos 54 senadores com mandato em cadeiras que serão renovadas, 13 não concorrem a nenhum cargo nestas eleições e, portanto, não estarão entre os titulares a partir de 2027. Outros nove participam do processo eleitoral, mas disputam outros cargos ou aparecem como suplentes. Os 32 restantes tentam a reeleição.

No Paraná, a mudança poderá ser ainda mais significativa. Os senadores Flávio Arns e Oriovisto Guimarães não disputam nenhum cargo nas eleições deste ano e, portanto, deixarão o Senado ao final do mandato.

A terceira cadeira paranaense poderá também mudar de mãos dependendo do resultado da eleição para o governo do Estado. Caso Sergio Moro seja eleito governador, ele deixará a cadeira no Senado e quem deverá assumir será seu primeiro suplente, o advogado Luiz Felipe Cunha.

Com isso, o Paraná poderá começar 2027 com três novos senadores, em relação à atual composição da bancada.

O peso dos suplentes

No Senado, muitas vezes, o eleitor escolhe um nome nas urnas, mas a política pode colocar outro no plenário. A situação chama atenção para um aspecto pouco observado pelo eleitor: a escolha dos suplentes dos candidatos ao Senado.

Diferentemente das eleições para deputado, o voto para senador não envolve apenas o candidato titular. Cada chapa possui dois suplentes, que podem assumir a cadeira em caso de morte, renúncia, afastamento ou eventual eleição do titular para outro cargo.

Por isso, conhecer quem são os suplentes pode ser tão importante quanto conhecer o próprio candidato.

Um exemplo é a candidatura de Deltan Dallagnol. O ex-deputado e ex-procurador da República terá como primeiro suplente o professor Wilson Picler, nome que também possui trajetória política e já esteve ligado a partidos de diferentes campos ideológicos.

Caso Dallagnol venha a deixar o Senado durante o mandato, seu suplente poderá assumir a cadeira e, consequentemente, exercer um papel relevante na definição da bancada paranaense.

Ideologia também entra na conta

A composição das chapas e o perfil dos suplentes ganharam importância em uma eleição marcada pela disputa entre diferentes correntes políticas.

Na prática, o eleitor pode votar em um candidato que apresenta determinada posição política e, sem conhecer seus suplentes, contribuir para que outra pessoa assuma a cadeira no futuro.

É justamente nesse ponto que a política partidária revela suas contradições.

Há candidatos e grupos que procuram se apresentar como representantes do centro, da centro-direita ou da centro-esquerda, tentando evitar a identificação com os extremos. Para o eleitor, entretanto, é fundamental observar não apenas o discurso de campanha, mas também a trajetória política, as alianças e, principalmente, quem estará na linha sucessória da cadeira.

Uma eleição que vai além do voto no titular

A eleição para o Senado possui uma característica própria: o mandato é de oito anos e a cadeira pode permanecer nas mãos de um suplente durante parte significativa desse período.

No Paraná, portanto, a disputa de outubro não definirá apenas os três nomes escolhidos diretamente pelas urnas. Também poderá determinar quem ocupará as cadeiras em eventuais substituições ao longo do próximo mandato.

Por isso, antes de apertar o botão de confirmação na urna, o eleitor deve conhecer o candidato, sua trajetória, seus compromissos políticos e seus dois suplentes.

A mudança na bancada paranaense já está contratada pela própria eleição. O que ainda está em aberto é o perfil político dos novos representantes do Estado em Brasília — e, no caso de Sergio Moro, uma eventual vitória para o governo poderá provocar uma mudança adicional na composição do Senado.

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