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Senador classifica aumento como “absurdo”, diz que reajuste está muito acima da inflação e afirma que famílias paranaenses não podem suportar sozinhas o impacto da alta.
O senador Sérgio Moro (PL-PR) transformou o reajuste da tarifa de energia elétrica em mais um ponto de confronto político com o governador Ratinho Junior. Durante discurso no plenário do Senado, nesta segunda-feira (10), Moro criticou duramente o aumento da conta de luz no Paraná e classificou o reajuste como “absurdo”.
Segundo o senador, a elevação ocorre em um momento delicado para as famílias paranaenses, marcado pelo endividamento e pelo aumento do custo de vida. Para Moro, o índice aplicado está muito acima da inflação e deveria ter sido menor.
“Um aumento de 20% está muito acima do patamar inflacionário; e, no momento de endividamento das famílias paranaenses, é um aumento que não se justifica de maneira nenhuma”, afirmou.
O senador também direcionou suas críticas ao governo estadual e à Copel. Para Moro, a companhia deveria ter buscado alternativas para evitar que o consumidor assumisse sozinho o impacto do reajuste.
“A população do Paraná ainda tem que conviver com o aumento de 20% da conta de luz, de responsabilidade, sim, da Copel e de responsabilidade, sim, do Governo do Estado do Paraná”, declarou.
REAJUSTE DE 20,51%
O aumento mencionado por Moro corresponde ao reajuste tarifário anual da Copel, cujo efeito médio foi de 20,51%, conforme a Resolução Homologatória nº 3.592/2026 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O novo índice passou a vigorar em 24 de junho e permanecerá válido até 23 de junho de 2027.
O percentual chama atenção também quando comparado ao reajuste médio aplicado pela companhia no ano anterior, que havia sido de apenas 2,02%.
QUEM É RESPONSÁVEL PELO AUMENTO?
A crítica de Moro ao governo estadual abre uma discussão sobre a responsabilidade pelo valor final da tarifa.
Embora o Estado do Paraná mantenha participação acionária na Copel, a definição e a homologação das tarifas de distribuição de energia são atribuições da Aneel, dentro das regras estabelecidas para o setor elétrico e dos contratos de concessão.
A Copel, por sua vez, informa que processo considera diferentes componentes, incluindo custos de energia, transmissão, encargos setoriais, inflação e ganhos de eficiência.
Isso não impede, porém, que a atuação da Copel seja alvo de cobrança política. Moro também vem associando o aumento à necessidade de melhoria dos serviços prestados pela companhia e de investimentos na rede elétrica.
NOVO CAPÍTULO DA DISPUTA POLÍTICA
A declaração acontece em um cenário de disputa eleitoral no Paraná. Moro é pré-candidato ao governo do Estado e tem ampliado as críticas à administração de Ratinho Junior, colocando temas que atingem diretamente o bolso dos paranaenses no centro de seu discurso.
A conta de luz, nesse contexto, ganha peso político. O reajuste de 20,51% atinge milhões de consumidores e pode se transformar em um dos assuntos mais explorados pelos candidatos durante a campanha eleitoral.
O embate, entretanto, deverá ir além da discussão sobre o percentual. De um lado, Moro cobra do governo estadual e da Copel uma postura mais favorável ao consumidor. De outro, a estrutura regulatória do setor mostra que o índice tarifário é homologado pela Aneel, órgão federal responsável pela regulação e fiscalização das distribuidoras.
O PESO NO BOLSO DO PARANAENSE
Independentemente da disputa sobre quem deve assumir a responsabilidade política pelo reajuste, o fato concreto é que o consumidor paranaense passou a enfrentar uma tarifa significativamente maior.
Para as famílias que já convivem com aluguel, alimentação, impostos, financiamentos e outras despesas, a energia elétrica representa mais uma pressão sobre o orçamento doméstico.
É justamente nesse ponto que Moro concentra sua crítica: para o senador, um aumento dessa magnitude, em um período de endividamento das famílias, não poderia ser tratado apenas como uma questão técnica.
A conta de luz, agora, também entrou definitivamente na disputa política do Paraná.
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