Alianças partidárias começam a desenhar o mapa eleitoral do Paraná, enquanto relações familiares e possíveis contratos de campanha levantam uma pergunta inevitável: quem serão os escolhidos para ocupar os espaços mais valorizados da estrutura eleitoral?...
Alianças partidárias começam a desenhar o mapa eleitoral do Paraná, enquanto relações familiares e possíveis contratos de campanha levantam uma pergunta inevitável: quem serão os escolhidos para ocupar os espaços mais valorizados da estrutura eleitoral?
Na política, dizem os mais experientes, ninguém articula alianças apenas olhando para a fotografia do presente. Cada movimento é calculado pensando no dia seguinte.
E, no Paraná, as negociações para a próxima disputa eleitoral já começam a produzir seus primeiros capítulos.
De um lado, o Partido Progressistas, comandado no Estado pelo deputado federal Ricardo Barros. Do outro, o PSD, principal força política do grupo do governador Ratinho Junior. A aproximação entre as duas siglas abre espaço para uma nova composição eleitoral e, como sempre acontece na política, também movimenta interesses, nomes e posições estratégicas.
Nesse tabuleiro, surge uma questão que merece acompanhamento.
O advogado Diego Campos, casado com a deputada estadual Maria Victoria, filha de Ricardo Barros, aparece entre os nomes que podem integrar a estrutura jurídica da campanha do candidato ao governo Sandro Alex, do PSD.
Se a contratação vier a ser confirmada, não haverá, por si só, qualquer irregularidade no fato de um profissional atuar juridicamente para uma campanha. A advocacia eleitoral é uma atividade legítima e necessária.
Mas, quando o profissional possui vínculo familiar direto com uma das principais lideranças políticas envolvidas na aliança, a pergunta que surge é inevitável:
Quanto será pago pelo serviço?
É justamente aí que começa o interesse público.
O PREÇO DA POLÍTICA
Nas campanhas eleitorais brasileiras, a estrutura jurídica tornou-se cada vez mais profissionalizada. Candidatos precisam de advogados para acompanhar registros de candidatura, propaganda eleitoral, ações judiciais, direito de resposta, prestação de contas e uma série de questões que podem decidir o futuro de uma eleição.
O problema não está na contratação.
O problema começa quando os valores pagos deixam de ser transparentes ou quando o eleitor não consegue compreender a relação entre o serviço prestado e o preço contratado.
Em eleições anteriores, despesas advocatícias de valores elevados chamaram a atenção no meio político. Há casos em que contratos e pagamentos chegaram a cifras de centenas de milhares de reais.
Se um advogado ou escritório recebe R$ 300 mil por uma campanha, por exemplo, é legítimo que o cidadão pergunte:
O que foi feito para justificar esse valor?
Quantos processos foram acompanhados?
Quantas horas de trabalho foram dedicadas?
Quantos profissionais participaram?
Qual foi a complexidade jurídica da campanha?
São perguntas simples, mas fundamentais quando parte dos recursos utilizados na disputa eleitoral tem origem no financiamento público.
QUANDO A MILITÂNCIA DEU LUGAR AO CONTRATO
Houve um tempo em que advogados ligados aos partidos atuavam por militância política. Muitos colocavam seu conhecimento profissional à disposição das legendas sem receber grandes remunerações.
A política mudou.
As campanhas ficaram mais caras, mais profissionalizadas e mais dependentes de estruturas especializadas.
O advogado que antes era militante passou, em muitos casos, a ser contratado.
O escritório que antes prestava uma orientação eventual passou a integrar a engrenagem permanente da campanha.
Essa transformação pode ser natural diante da complexidade da legislação eleitoral. Mas também criou um mercado milionário em torno das eleições.
E aí surge uma discussão que não pode ser ignorada:
Será que o dinheiro público destinado às campanhas está sendo utilizado da maneira mais eficiente possível?
Em determinadas situações, um escritório especializado poderia eventualmente prestar um serviço equivalente por uma fração do valor pago a determinados profissionais.
Se isso ocorre ou não, é algo que precisa ser demonstrado por documentos, contratos e prestações de contas — e não por especulações.
PARENTESCO NÃO É CRIME. PRIVILÉGIO, SE HOUVER, PRECISA SER INVESTIGADO.
É importante fazer uma distinção.
Ser parente de político não impede ninguém de exercer sua profissão. Um advogado não perde sua competência profissional por ser filho, genro, cônjuge ou irmão de uma liderança partidária.
O que muda é o grau de atenção pública.
Quanto maior a proximidade entre o contratado e quem controla o poder político, maior deve ser a transparência.
Se um profissional ligado familiarmente a uma liderança partidária for contratado, o eleitor tem o direito de conhecer os valores, as condições do contrato e a natureza dos serviços realizados.
Isso vale para a direita.
Vale para a esquerda.
Vale para o centro.
Vale para todos.
A fiscalização precisa ser igual para todos os grupos políticos.
A URNA NÃO É O ÚNICO LUGAR ONDE O ELEITOR DEVE OLHAR
A democracia não termina quando o eleitor deposita seu voto.
Ela continua na fiscalização dos recursos utilizados para financiar as campanhas.
Por isso, as prestações de contas eleitorais precisam ser acompanhadas com atenção. É nelas que o cidadão pode verificar quem recebeu dinheiro, quanto recebeu e qual foi a natureza da despesa.
No Paraná, as próximas eleições deverão colocar novamente sob os holofotes os grandes contratos de comunicação, marketing, pesquisas e, naturalmente, advocacia.
E o Jornal Curitiba News estará atento.
Não para acusar antecipadamente.
Não para transformar suspeitas em condenações.
Mas para fazer aquilo que o jornalismo deve fazer:
perguntar, investigar, comparar e informar.
Se um advogado receber R$ 300 mil, o eleitor precisa saber.
Se receber R$ 30 mil, também.
Se houver diferença entre os valores pagos por campanhas semelhantes, é preciso entender o motivo.
Se houver contratação de familiares ou aliados políticos, os contratos devem ser transparentes.
E se não houver nada de irregular, melhor ainda.
A transparência serve justamente para separar os fatos das suspeitas.
A CONTA VAI CHEGAR — E SERÁ PÚBLICA
As alianças partidárias estão sendo construídas.
As candidaturas começam a ganhar forma.
Os palanques serão montados.
E, quando a campanha começar oficialmente, os contratos também começarão a aparecer nas prestações de contas.
Será possível saber quem foram os advogados contratados, quais escritórios receberam os maiores valores e quanto cada campanha gastou para enfrentar a batalha jurídica das eleições.
Talvez os números revelem pouco.
Talvez revelem muito.
Mas uma coisa é certa: a sociedade tem o direito de conhecer a conta da política.
E o eleitor paranaense precisa estar atento não apenas a quem pede seu voto, mas também a quem recebe os recursos destinados à campanha.
Porque, na política, alianças podem ser feitas em torno de projetos.
Candidaturas podem ser construídas em torno de ideias.
Mas, quando o dinheiro público entra em cena, existe uma regra que não pode ser esquecida:
QUANTO MAIS DINHEIRO PÚBLICO, MAIS TRANSPARÊNCIA.
E, nas eleições que se aproximam, uma pergunta já começa a circular nos bastidores:
QUEM SERÁ O ADVOGADO DA CAMPANHA — E QUANTO VAI CUSTAR A CONTA?
Acordos partidários, pa
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