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Na convenção do PSD, governador confirmou Sandro Alex para a disputa pelo Governo do Paraná e repetiu o nome de Alexandre Curi para o Senado. Cristina Graeml estava no palanque, mas foi ignorada no discurso — um silêncio que já provoca desconforto entre seus apoiadores
A convenção estadual do PSD, realizada neste sábado, deixou mais do que candidaturas definidas e discursos de unidade. Nos bastidores da política paranaense, um movimento chamou a atenção e abriu uma nova rodada de especulações sobre o futuro eleitoral de Cristina Graeml.
Embora estivesse presente no palanque, Cristina não foi mencionada pelo governador Ratinho Junior como candidata ao Senado. Em contrapartida, o nome do deputado Alexandre Curi, do Republicanos, foi citado e reafirmado diversas vezes como o escolhido para a disputa de uma das vagas ao Senado.
O gesto político não passou despercebido.
Para os eleitores e apoiadores de Cristina Graeml, a ausência de seu nome no discurso do governador foi interpretada como um sinal claro de que ela perdeu espaço dentro da estratégia eleitoral do grupo governista. A leitura entre seus simpatizantes é de que Ratinho Junior estaria priorizando Curi e, ao mesmo tempo, deixando Cristina em uma espécie de compasso de espera.
No palco da convenção estavam o governador Ratinho Junior, o presidenciável Ronaldo Caiado e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. O discurso, entretanto, convergiu para um único nome quando o assunto foi a disputa ao Senado: Alexandre Curi.
A segunda vaga permanece, pelo menos publicamente, em aberto.
E é justamente nesse espaço que começam as especulações.
Uma das hipóteses levantadas nos bastidores é que Cristina Graeml possa estar sendo preservada como uma espécie de “carta na manga” do grupo político. Seu destino poderia ser a composição da chapa majoritária, eventualmente como vice de Sandro Alex, ou a indicação para a segunda vaga ao Senado, caso haja uma definição política que permita acomodar diferentes forças na aliança.
Nada disso, até o momento, está oficialmente definido.
Mas a movimentação revela um problema estratégico para o governador: a necessidade de ampliar sua força eleitoral em Curitiba e na Região Metropolitana.
Cristina Graeml possui uma base política construída justamente na capital e na região metropolitana, onde obteve expressiva votação na última eleição municipal. Por isso, sua presença em uma chapa majoritária poderia representar uma tentativa de aproximar o grupo governista de um eleitorado que, historicamente, tem comportamento diferente do interior do Estado.
A questão é que o governador também precisa encontrar uma composição capaz de unir diferentes segmentos políticos.
Nesse cenário, outro nome continua circulando nos bastidores: o do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca.
Greca poderia ser considerado, em tese, um nome forte para uma eventual composição como vice de Sandro Alex, principalmente pela experiência administrativa e pela capacidade de diálogo com setores da política curitibana. O problema é que o ex-prefeito já deixou claro, em diferentes momentos, que não se vê como alguém destinado a ocupar um papel secundário na política.
Greca, ao que tudo indica, não nasceu para ser segundo.
E é justamente aí que está o quebra-cabeça de Ratinho Junior.
De um lado, o governador tem Alexandre Curi como nome preferencial para o Senado. De outro, precisa construir uma chapa que tenha força em Curitiba e na Região Metropolitana. Ao mesmo tempo, precisa administrar as expectativas de Cristina Graeml, que possui capital eleitoral próprio e uma base política que não pode ser simplesmente ignorada.
A convenção do PSD, portanto, pode ter definido Sandro Alex e fortalecido Alexandre Curi, mas deixou uma pergunta no ar:
Qual será o destino de Cristina Graeml?
A resposta poderá definir não apenas a composição da chapa governista, mas também o equilíbrio de forças da eleição de 2026 no Paraná.
Porque, na política, quando um nome é anunciado, a escolha é pública.
Mas quando um nome é esquecido diante de todos, o silêncio pode falar ainda mais alto.
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